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terça-feira, 28 de junho de 2011

A POLÍTICA DA CRISE E DA FALHA DEMOCRÁTICA!

Em política, ou em qualquer actividade de tomada de decisão, precisamos conhecer os problemas, modos de funcionamento e os sistemas em que actuam, sem nos deixarmos influenciar pelas opiniões manipuladoras da nossa ignorância, emanadas dos interesses minoritários da sociedade!
Hoje, existem muitos comentadores, cientistas e técnicos a soldo das vontades económicas, que os pagam, para formar a opinião, que interessa à satisfação da ganância e do corporativismo egoísta das classes dominantes!
Transportando-nos para o sistema social, compete aos políticos conhecer a sociedade, nomeadamente os perfis de conduta individual em cada classe, para saberem como as diferentes pessoas lidam com as normas do modelo de governo dessa sociedade, e de como produzem problemas de escape ao cumprimento dos deveres sociais e legais.
Contudo, os políticos precisam estar informados sobre a natureza técnica dos problemas, que afectam a sociedade humana e carecem de solução, para se melhorar quer o convívio justo entre todos, quer os níveis de conforto e segurança da população, quer a manutenção do equilíbrio do planeta!
Quer dizer que o político precisa conhecer as causas últimas dos problemas, saber como se manifestam e que consequências produzem, para poder decidir qual a solução mais eficaz e as normas correctivas mais eficientes, para que as causas sejam combatidas. Sem isto, os politiqueiros são aprendizes de feiticeiros, apostados em remediar os efeitos dos problemas e deixando as causas continuar, tal como um médico comum!
Por outro lado, por falta de controlo apertado do poder político, proliferam os casos de agravamento dos problemas e de criação de novos problemas, que aumentam as injustiças sociais, por ditarem vontades corrompidas e tendenciosas, em favor de interesses particulares, acabando por fazer discriminação, seja positiva ou negativa; ambas estabelecem diferença de oportunidades e privilégios, sobretudo quando um favorecimento não se traduz numa contrapartida para a sociedade!
Isto quer dizer que a corrupção, ideológica e moral, acaba por ser o mecanismo pelo qual os grupos de interesses egoístas de classe afirmam a sua vontade corporativa, nada concorrente para o benefício do Bem comum.
Por esta via, exerce o Poder quem o detém, no topo de qualquer hierarquia, pelo que tem sido crucial a estratégia de captura dos órgãos de Poder, onde certos grupos de amigos colocam os seus homens, para efectivarem uma teia de ditadura das elites, unicamente apostada no enriquecimento do grupo, à custa das imposições de ordens, normas e Leis tendenciosas e injustas, até anti-sociais, que comprometem quer a estabilidade social, quer a sustentabilidade do dever de obediência civil!
Portanto, a corrupção é um veneno anti-civilizacional, que alastra eficazmente em qualquer hierarquia de mandos e obediências, uma vez que qualquer sociedade ou instituição se governa por estruturas militarizadas, em sistema piramidal de transmissão de mandos muito concentrados em elites dirigentes, nada interessadas no benefício social, mas apenas vocacionadas para a satisfação da ganância e da motivação animal primitiva competitiva de domínio sobre tudo e todos! Quer dizer que os indivíduos se subjugam a um líder mandante e não à proposta de regras justas!
Como podemos falar de Democracia, do poder do povo e das bases sociais, em busca das melhores intenções de benefício da sociedade, se os cidadãos comuns só têm de obedecer, ao que se emana das lideranças das cúpulas das pirâmides hierárquicas?
Como podemos falar de representação democrática, isto é, da representação ampla da vontade popular, se as cúpulas dirigentes se identificam apenas com as elites da sociedade, que adquirem estatutos diferentes e privilégios, formadores de importâncias de superioridade pessoal, para que possam servir-se das bases, para aumentar a qualidade de vida das burguesias, à custa do empobrecimento dos governados e subalternos?
Claro que não temos democracia, nem nunca tivemos, apesar de um conjunto de intenções e promessas de que os privilegiados querem ditar o interesse do povo e que dizem querer representar nas Assembleias parlamentares, apenas para garantir eleições sucessivas de farsas de representação eleitoral, sabendo-se que os discursos nada condizem com os actos!
Nem os directórios Partidários praticam a democracia internamente, porque não são os militantes de base a escolher os representantes parlamentares ou governativos, nem são as bases que escolhem as decisões propostas pelos directórios, nem os Partidos governativos estabelecem o Poder das bases eleitorais, em determinarem os caminhos da governação da sociedade; as bases populares não têm qualquer capacidade para regular o exercício das elites políticas, ou económicas, ou corporativas, porque não têm poderes constitucionais para depor governos ou presidências de órgãos públicos, no momento em que estes prevaricam nos seus programas eleitorais, ou quando cometem injustiças, ou quando praticam ilegalidades!
E, portanto, o sistema social militarizado de mandos e obediências coercivas, sob a ameaça de punição, dita legal, fica preparado para que o poder económico das minorias dominantes influencie as cúpulas da hierarquia, de modo a que estas obriguem as camadas inferiores da sociedade a respeitar as vontades do Poder das minorias gananciosas, anti-sociais, corporativas, competitivas, oportunistas, desumanas e até amplamente criminosas!
Isto é, as cúpulas da sociedade hierárquica militarizada podem ser influenciadas pelo crime, organizado em clubes de amigos, com elevado interesse económico e financeiro, ao nível mundial!
Porque o jogo que os anima é a capitalização infinita dos investimentos financeiros, que permitem construir impérios de Poder mundial de seitas. E é aqui que entra o financiamento de toda a actividade económica, que fica refém do vício do crédito, obrigando-nos a viver um desenvolvimento virtual, que nada tem de sustentado na realidade da produtividade e rendimento económicos!
O mundo está a sair de um período de forte financiamento, que permitiu investir em estruturas construídas e inúmeros apoios às empresas, sem que a economia e suas actividades pudessem gerar riqueza suficiente, para liquidar o endividamento progressivo.
Portanto, o sistema financeiro, apenas interessado em que os políticos favorecessem o empréstimo ilimitado e contínuo de capital, gerou a crise da dívida pública e privada, porque quem vende dinheiro a bom preço, quer vender sempre mais, não se preocupando com os limites dos encargos dos outros; qualquer vendedor percebe isto, reconhecendo a pressão das direcções comerciais para vender sempre mais e mais, além da lógica da capacidade de compra do mercado, e recorrendo a técnicas enganosas de salteadores de carteiras!
Foi tudo um erro de cálculo, ou a afirmação da ganância consentida pelos políticos, que se comportaram como meros medidores das obras, que lhes dessem mais votos, proporcionais ao betão, ao alcatrão e equipamento derramados? O que é facto é que ninguém impôs limite ao financiamento das instituições públicas, empresariais ou familiares, mantendo um tecto de endividamento, em função da riqueza económica produzida; ninguém se preocupou com a sustentabilidade do desenvolvimento!
Pois bem, agora a política de recuperação financeira vai ser o sacrifício desta geração de políticos amadores, que vão ter de contrariar as primeiras promessas da revolução abortada, o que, normalmente, origina a negação da própria revolução e, portanto, justifica uma nova convulsão social!
Mas a revolução que falta é a instituição da democracia em todas as relações humanas, que só é possível pela mudança de mentalidades, no sentido de organizarmos o funcionamento da sociedade civil de outra forma, visando a cooperação remunerada do esforço proporcional de cada um, para o encontro das soluções mais justas e eficientes para o sucesso civilizacional da espécie humana.
Aos militares deixa-se a organização militar, para que respondam prontamente à solicitação do povo, que têm de servir sem desobediências, nem avaliação dos valores decididos, mas à sociedade civil entrega-se a missão de escolher os caminhos civilizacionais, participando por inteiro na avaliação e escolha das decisões!
Resta, ao povo, regular as elites, para que estas cumpram com o interesse lícito do povo que as paga!
Isto é, quem elege, deve determinar o sentido da governação e quem é eleito nada mais pode fazer do que propor soluções, que precisam ser votadas e aceites pelas bases da sociedade, para que possam aplicar-se e ser amplamente cumpridas, de modo a que todos os cidadãos se empenhem no desenvolvimento mais correcto, justo e equilibrado de toda a sociedade e do País!
Concluindo, a governação de um País deve ser feita como se administra um condomínio; implementando apenas as decisões que forem consideradas convenientes pela larga maioria dos cidadãos!
Chamar-se-á a isto de modelo governativo de referendo popular, em que todo o povo elabora uma Constituição consensual da República, para balizar a produção legislativa dos governantes e parlamentares e determinar os normativos e penalizações, que regulem a acção política, para se evitar ou punir o acto danoso, a decisão parcial tendenciosa, o dolo, a má-fé, o crime de abuso de Poder, a negligência ou a omissão!
Os meios electrónicos permitem agilizar o referendo permanente das propostas governativas, para que possam ser soluções normalizadas e aplicáveis; o sistema de sondagens permite-o já, pelo que temos o instrumento para institucionalizar a democracia, invertendo a relação de poderes na sociedade, porque os políticos e todos os agentes do Estado são pagos pelos contribuintes e porque as empresas e o poder económico são pagos pelos consumidores.
As cúpulas de qualquer organização devem tudo às bases maioritárias, de onde extraem toda a riqueza, apesar de teimarem absurdamente em explorar e humilhar, reduzindo-as a uma pobreza, necessária ao aumento da riqueza das minorias privilegiadas!
Portanto, a democracia tem também de ser levada ao mundo económico e financeiro, fazendo com que os consumidores participem das Assembleias de accionistas, pois que o primeiro accionista é o cliente pagador das empresas e de todos os financiadores delas! Para que passem a receber os dividendos das empresas, proporcionalmente às compras efectuadas, limitando-se o excesso de exploração dos preços.
Teremos, então, empresas e um Estado verdadeiramente sociais, de modo que os recursos entregues pelos cidadãos, na forma de preços e impostos, sejam devolvidos a quem deles necessitar, quando mais precisa e quando a exploração ou obrigação tenham sido exagerados!
Assim, as elites, além de já poderem regular-se entre si, serão reguladas também pela base que as sustenta, para que deixem de afirmar apenas os estatutos e ambições próprias dos privilegiados e passem a prosseguir o interesse do bem comum da humanidade!
Por Macedo de Barros; http://socialhumano.blogspot.com

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