Categoria: Formação / Emprego / Sociedade
Autor: João Carlos Quelhas
Por mais que custe voltar a entrar numa sala de formação, sentar-se diante de alguém que ensina, pegar novamente nos livros ou começar numa área diferente daquela em que se trabalhou durante anos, aprende-se sempre alguma coisa. A experiência que os anos dão não substitui o conhecimento novo, assim como aquilo que se aprende hoje não apaga tudo aquilo que uma vida inteira já ensinou.
Numa instituição ocupacional como a Fachhaus encontram-se pessoas de diferentes profissões, experiências e nacionalidades. Umas procuram entrar pela primeira vez no mercado de trabalho, outras chegam depois de muitos anos de actividade profissional, outras precisam de actualizar conhecimentos, mudar de área ou simplesmente encontrar novamente uma porta de entrada para o emprego.
E a formação não se resume a uma profissão.
Existem diferentes áreas profissionais, desde carpintaria, pintura e manutenção de instalações até logística e armazém, electrónica, montagem solar, Smart Home e construção de quadros eléctricos. Existem igualmente áreas ligadas ao trabalho administrativo e às novas tecnologias, como gestão de escritório, inteligência artificial, automatização, sistemas ERP, gestão de processos, disposição, meios de aprendizagem e criação de conteúdos.
Paralelamente ao trabalho e à aprendizagem prática, existem aulas e formações destinadas à preparação para o mercado de trabalho. Aprende-se estratégia de candidatura, modelos de comunicação, elaboração e desenvolvimento do dossiê de candidatura, autopresentação, auto-avaliação, definição da área de procura de emprego e estratégias para procurar uma nova colocação profissional.
Há formação em competências digitais, TIC, desenvolvimento profissional no local de trabalho, competências matemáticas, competências linguísticas e manutenção operacional. Existem workshops de candidatura, formação especializada, treino em grupo, coaching individual e acompanhamento por diferentes profissionais.
A língua alemã ocupa igualmente uma parte deste percurso. Existem aulas de apoio em alemão A1 e conteúdos destinados aos níveis A1–A2, incluindo vocabulário utilizado nas candidaturas, determinação da situação profissional, definição da área de procura e estratégias para procurar emprego. Não se trata apenas de aprender palavras, mas de conseguir utilizar a língua numa situação concreta de trabalho e na procura de emprego.
Há ainda regras internas, reuniões, acompanhamento, formação teórica e aprendizagem prática. Cada área tem os seus profissionais, os seus conhecimentos e a sua maneira de transmitir aquilo que sabe.
Pode concordar-se ou discordar-se da forma como estas instituições funcionam. Pode discutir-se se todos os cursos correspondem verdadeiramente às necessidades de cada pessoa, se o tempo é bem aproveitado, se existe prática suficiente ou se alguém está colocado na área profissional mais adequada. Isso é outra discussão.
Mas uma coisa não deve ser negada: para aprender, a idade pouco importa.
Um jovem de 16 anos, acabado de sair da escola, tem ainda um longo caminho para percorrer e muito para aprender. Uma pessoa de 60 ou 65 anos, com uma vida inteira de trabalho, também pode descobrir algo que não sabia. São gerações diferentes, sentadas por vezes nos mesmos espaços, umas com a juventude e o futuro pela frente, outras com décadas de experiência para contar.
Mesmo quem chega com muitos anos de trabalho às costas pode sair de uma aula sabendo uma palavra que desconhecia, uma nova maneira de comunicar, uma técnica diferente, uma ferramenta informática, uma regra de segurança, outra forma de procurar emprego ou um conhecimento pertencente a uma profissão que nunca exerceu.
Nem tudo aquilo que aprendemos será utilizado amanhã. Talvez algumas coisas nunca venham a ser utilizadas. Mas o conhecimento não pesa na mala e não ocupa espaço nos bolsos.
Dos 16 aos 65 anos, desde a saída da escola até às portas da reforma, ninguém sabe tudo.
Por mais que custe entrar, aprende-se sempre alguma coisa. E enquanto uma pessoa continuar disponível para aprender, os anos podem contar a sua idade, mas nunca deverão determinar o fim da sua aprendizagem.
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