Cães nos elevadores e corredores, avisos resolvem ou escondem o problema?

Cães nos elevadores e corredores, avisos resolvem ou escondem o problema?



Quem vive em prédios conhece bem a realidade. De tempos a tempos surgem avisos afixados nos elevadores ou nas entradas a pedir aos donos dos cães que evitem que os animais urinem ou façam as necessidades nas zonas comuns. A intenção é compreensível, mas importa perguntar: estes avisos resolvem realmente o problema?

Um cão não sabe ler. Se tiver necessidade fisiológica de urinar, não será um papel colado na parede que o impedirá de o fazer. Alguns animais saem de casa com a bexiga cheia, outros podem marcar território. Em qualquer dos casos, o aviso não altera o comportamento do animal.

O verdadeiro problema surge depois. Quando a urina ou as fezes ficam no elevador ou no corredor, os restantes moradores são obrigados a conviver com a sujidade e o mau cheiro. Se a administração sente necessidade de colocar um aviso, é porque o problema existe e se repete.

Na prática, poucos donos transportam mais do que um saco para apanhar as fezes. É raro alguém sair de casa com um balde, uma mopa, detergente, papel absorvente ou outro material que permita fazer uma limpeza eficaz caso o cão urine dentro do edifício. Um simples toalhete húmido dificilmente resolve uma quantidade significativa de urina. Para eliminar o líquido e o cheiro é normalmente necessária uma limpeza adequada.

O civismo continua a ser a melhor solução. Quem decide ter um animal assume também a responsabilidade pelos incómodos que este possa causar. Isso inclui fazer o possível para evitar acidentes nas zonas comuns e, quando acontecem, procurar deixar o espaço nas melhores condições possíveis.

Os condomínios também podem fazer a sua parte. Para além dos avisos, poderão existir soluções mais práticas, como reforço da limpeza, produtos adequados para eliminar odores, maior sensibilização dos moradores e, quando necessário, aplicação do regulamento do condomínio.

Ter um cão é um direito de muitos cidadãos e uma companhia valiosa para milhares de famílias. No entanto, esse direito deve ser acompanhado por um dever de respeito pelos vizinhos e pelos espaços comuns.

Mais do que colocar um aviso na parede, importa encontrar soluções que conciliem o bem-estar dos animais, a responsabilidade dos donos e a qualidade de vida de todos os moradores.
Revista Repórter X

Revista Repórter X / Repórter Editora

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