Poema: As crianças de hoje, futuro do amanhã

As crianças de hoje, futuro do amanhã

Hoje são inocentes crianças
que carregam lágrimas nos olhos,
medo no peito e horrores na memória,
guerras, fome, miséria, violência,
para as quais não contribuíram nem começaram,
gritos e estrondos que não deviam ouvir,
noites em que o medo não as deixam adormecer.

São olhos tristes, memórias negras, mãos pequenas,
inocências perdidas.

Crianças hoje, marcadas cedo demais,
brinquedos trocados por medo,
sonhos rasgados, antes de aprenderem a sonhar.

Hoje são elas que sofrem,
que são feridas pelo mundo,
por adultos que deviam protegê-las,
como se o futuro fosse um lugar
sem dono, sem cuidado.

Mas quem serão amanhã?

Serão talvez a coragem
que hoje lhes falta,
a voz firme, onde agora há silêncio,
a luz teimosa que insiste em nascer na escuridão.

Que sejam mais do que a dor que viveram,
mais do que as cicatrizes que lhes deram.

Que sejam rios limpos
num mundo cansado de sangue.

Que sejam brisa suave
a varrer o ódio dos homens de hoje.

Que sejam crianças puras de coração,
mente sadia e rostos sorridentes.

Que não herdem o veneno dos ditadores de hoje,
nem o peso frio da indiferença.

Que tenham um coração grande,
grande o bastante para dar sem medo,
para receber sem desconfiança,
para reconstruir o que nós hoje deixámos cair.

Porque as crianças de hoje
são os adultos de amanhã.




Chefe José Maria Ramada



Revista Repórter X / Repórter Editora

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