Suíça: Os eléctricos para a Ucrânia e o dedo dos EUA
A Revista Repórter X deparou-se com uma notícia que merece reflexão.
Durante anos, a população foi confrontada com campanhas, pedidos de apoio e investimentos para recuperar, modernizar ou substituir tram's, eléctricos e comboios antigos. Muitos de nós vimos essas campanhas. Muitos de nós ouvimos que era necessário gastar milhões para renovar material circulante que já não respondia às exigências actuais.
No entanto, agora surge a notícia de que dezenas de eléctricos estão a ser enviados para a Ucrânia. Mais ainda, segundo a própria informação divulgada, muitos desses eléctricos já circulam naquele país.
Naturalmente surgem perguntas.
Se estes eléctricos continuam aptos a circular, porque foram substituídos?
Se ainda servem para transportar passageiros na Ucrânia, estavam assim tão ultrapassados?
Se havia dinheiro para comprar novos, porque existiam campanhas e apelos relacionados com a recuperação de material antigo?
Na verdade, já vi muitos tram's antigos recuperados a circular e são bem lindos. Só aproveitaram o esqueleto, tudo o resto é novo.
Cada cidadão terá as suas próprias respostas e opiniões.
Mais uma vez digo aquilo que penso e aquilo que, de certa forma, pode ser certo.
Ao longo dos anos fui observando uma Suíça cada vez mais ligada aos grandes centros de decisão internacionais. Vejo uma proximidade constante entre a Suíça, os Estados Unidos da América e os países do G7. Favores atrás de favores, reuniões atrás de reuniões, encontros atrás de encontros.
Quando se trata de reunir Presidentes, Primeiros-Ministros, grandes empresários, banqueiros e responsáveis políticos das maiores potências mundiais, a Suíça aparece frequentemente no centro dos acontecimentos. Seja em Genebra, seja nos Alpes, seja através de fóruns internacionais, a verdade é que muitos dos encontros dos poderosos passam por território suíço.
Também já ouvi dizer, ao longo dos anos, que existem fortes interesses internacionais ligados aos transportes ferroviários, às infra-estruturas e aos investimentos públicos. Apresento o caso como uma questão que muitos cidadãos colocam e que merece ser debatida.
Entretanto, surgem notícias de reuniões internacionais em França, junto à fronteira suíça. Dizem que muitas deslocações passam pelo aeroporto de Genebra. Ao mesmo tempo, Genebra tem sido palco de manifestações, tensões e actos de vandalismo.
Há quem considere que a Suíça se está a envolver em assuntos que ultrapassam a sua tradicional neutralidade. Outros discordarão completamente dessa visão.
Mas o que ninguém pode negar é que existe um crescente afastamento entre aquilo que os cidadãos comuns vivem diariamente e aquilo que é discutido nas grandes reuniões internacionais.
Enquanto as pessoas se preocupam com rendas, seguros de saúde, impostos, emprego e custo de vida, os poderosos continuam a reunir-se em hotéis, centros de conferências e estâncias alpinas para discutir o futuro do mundo.
Politiquices que, para muitos cidadãos, já não enganam ninguém.
A notícia dos eléctricos enviados para a Ucrânia é apenas mais uma peça de um puzzle muito maior. Um puzzle onde continuam a existir demasiadas perguntas e poucas respostas. Achamos que os EUA têm um dedo nisto, dá aqui e recebe ali!...
Muita coisa há-de ainda ser descoberta.
Muita coisa há-de ainda ser explicada.
E talvez um dia os cidadãos possam conhecer toda a verdade sobre decisões que hoje lhes são apresentadas como simples actos administrativos ou gestos de cooperação internacional.
Até lá, continuar a perguntar não é um crime. É um dever.
autor: Quelhas
Revista Repórter X / Repórter Editora

Comentários
Enviar um comentário
Revista Repórter X / Repórter Editora