Trump e Sánchez encontram-se na final do Mundial após quase dois anos de tensões diplomáticas
Durante quase dois anos, os líderes de Espanha e dos Estados Unidos confrontaram-se em questões que vão desde as despesas com a defesa até à política dos Estados Unidos para o Médio Oriente.
Após quase dois anos de tensões públicas e de tentativas falhadas para melhorar as relações, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, e o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, encontraram-se frente a frente no domingo, na final do Campeonato do Mundo de Futebol de 2026, em Nova Jérsia.
Os dois líderes estavam sentados na zona VIP do MetLife Stadium, onde a Espanha defrontou a Argentina. O Rei Felipe VI de Espanha, a Rainha Letizia e as Princesas Leonor e Sofía também assistiram ao encontro. Na tribuna de honra encontravam-se ainda o Presidente da FIFA, Gianni Infantino, a primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, a Presidente do México, Claudia Sheinbaum, e o presidente da Real Federação Espanhola de Futebol, Rafael Louzán, que, juntamente com as restantes individualidades presentes, receberam as duas selecções antes do início da final.
O breve encontro surge após meses de tensão entre Washington e Madrid devido às despesas com a defesa. No entanto, as relações aliviaram nas últimas semanas, depois de Trump ter afirmado que a Espanha "se redimiu completamente" ao concordar com um aumento substancial dos seus compromissos de defesa no âmbito da NATO, durante a cimeira realizada no mês passado, em Ancara.
Esta mudança marcou um contraste acentuado com as declarações de Trump durante a cimeira, quando descreveu a Espanha como um "caso perdido" e ameaçou com retaliação comercial. No entanto, no regresso a Washington, adoptou um tom mais conciliador.
Sánchez tem defendido que a Espanha "cumpriu mais do que as suas obrigações", ao aumentar significativamente as despesas com a defesa.
Horas antes do encontro, Sánchez aproveitou uma entrevista à televisão pública espanhola RTVE para felicitar Trump pelo 250.º aniversário dos Estados Unidos, celebrado esta semana.
Questionado sobre a possibilidade de Trump entregar o troféu do Campeonato do Mundo aos vencedores, o primeiro-ministro espanhol evitou especulações e respondeu: "O que me importa não é quem o entrega, mas quem o recebe."
Enquanto a delegação espanhola marcou presença na íntegra, o Presidente da Argentina, Javier Milei, esteve ausente da zona VIP, depois de ter afirmado no início da semana que não viajaria para a final devido a uma superstição.
Em declarações à Fox News antes da partida, Trump descreveu Milei como "um amigo" e, quando questionado sobre a final, afirmou: "É difícil apostar contra Messi."
A principal fonte de tensão entre os dois governos continua a ser a despesa com a defesa. Espanha continua sem assumir o compromisso de atingir o objectivo da NATO de investir 5% do Produto Interno Bruto na defesa, uma meta defendida por Washington e que Sánchez classificou como "irrazoável e contraproducente".
As relações também têm sido afectadas pelas divergências em relação à guerra em Gaza. Espanha classificou a campanha militar de Israel como um genocídio, caracterização rejeitada pelos Estados Unidos.
As tensões agravaram-se ainda mais após o conflito entre os Estados Unidos e o Irão. Madrid invocou o acordo bilateral de defesa com Washington para proibir a utilização das bases militares norte-americanas de Rota e Morón em operações relacionadas com esse conflito.
Resultado da final: Espanha 1,0 Argentina, após prolongamento.
Campeonatos do Mundo: Espanha, 2 títulos, 2010 e 2026. Argentina, 3 títulos, 1978, 1986 e 2022.
Revista Repórter X / Repórter Editora

Comentários
Enviar um comentário
Revista Repórter X / Repórter Editora