«Comunidade Intermunicipal das Terras do Ave e de Basto»
Categoria: Política, Sociedade e Identidade Territorial
Autor: João Carlos Quelhas
Quem escolheu um nome que confunde as terras, área Metropolitana do Minho!?
Quem escolheu o nome Comunidade Intermunicipal do Ave e com que critério?
A pergunta faz sentido, porque o rio Ave não banha todos os municípios deste agrupamento, enquanto outros concelhos por onde passa ficam de fora. Na minha opinião, é uma designação que explica pouco e confunde muito.
A CIM do Ave reúne Cabeceiras de Basto, Fafe, Guimarães, Mondim de Basto, Póvoa de Lanhoso, Vieira do Minho, Vila Nova de Famalicão e Vizela. Destes oito municípios, o rio Ave banha apenas Vieira do Minho, Póvoa de Lanhoso, Guimarães e Vila Nova de Famalicão. Segue também por Santo Tirso, Trofa e Vila do Conde, concelhos integrados na Área Metropolitana do Porto e historicamente pertencentes ao Douro Litoral.
A confusão aumenta quando se fala numa futura Área Metropolitana do Minho. O Minho é muito mais abrangente do que os oito municípios da CIM do Ave. Além disso, Mondim de Basto pertence historicamente a Trás-os-Montes e Alto Douro. Integrar um agrupamento administrativo não transforma uma terra transmontana numa terra minhota.
Não está em causa impedir os municípios de trabalharem em conjunto. Está em causa escolher um nome que represente com clareza as terras associadas. As necessidades administrativas podem justificar novas ligações, mas não apagam a geografia nem a história.
Por isso, considero que o nome da actual CIM do Ave deveria ser repensado.
(Comunidade Intermunicipal das Terras do Ave e de Basto)
Seria uma alternativa mais representativa, reconhecendo expressamente as terras de Basto e evitando reduzir a identidade do agrupamento ao nome de um rio.
Quanto à futura área metropolitana, primeiro é preciso saber que concelhos a vão integrar. Só depois se poderá avaliar uma designação adequada. Se abranger territórios de diferentes províncias históricas, essa diversidade deve ser respeitada.
Quem escolhe estes nomes tem a responsabilidade de os tornar compreensíveis. Um nome deve identificar um território, não obrigar a uma explicação interminável para perceber onde começa, onde acaba e que terras ficaram pelo meio.
Nota de rodapé
Não façamos confusão entre onde nasce o Ave, por onde passa e onde desagua. Quando falamos das terras banhadas pelo Ave, falamos do percurso do rio, que nasce na serra da Cabreira, em Vieira do Minho, banha os concelhos de Vieira do Minho, Póvoa de Lanhoso, Guimarães, Vila Nova de Famalicão, Santo Tirso, Trofa e Vila do Conde, onde desagua no oceano Atlântico.
O Ave também passa em território do Douro Litoral, mas não deixa de ser Ave por isso. A confusão surge quando se mistura essa realidade geográfica com a Comunidade Intermunicipal do Ave, que não reúne todos os concelhos banhados pelo rio e inclui outros onde ele não passa.
Concretamente, o rio Ave não passa pelos concelhos de Cabeceiras de Basto, Fafe, Mondim de Basto e Vizela, embora todos integrem a CIM do Ave.
O que considero mais grave é usar o nome do Ave para identificar um agrupamento que inclui concelhos onde o rio não passa, deixando de fora outros que ele banha. Da mesma forma, o Minho tem uma dimensão territorial muito maior do que estes oito municípios, pelo que não considero correcto usar o seu nome como se este agrupamento representasse todo o Minho, incluindo ainda Mondim de Basto, historicamente transmontano.
Considerando apenas o Baixo Minho, correspondente ao distrito de Braga, ficam de fora da CIM do Ave sete municípios: Amares, Barcelos, Braga, Celorico de Basto, Esposende, Terras de Bouro e Vila Verde. Mesmo sem incluir o Alto Minho, correspondente ao distrito de Viana do Castelo, o território minhoto é mais abrangente do que este agrupamento.
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