Parte Nr° 4 de 4 - Presidenciais: na raiz do problema, o sistema dos partidos tradicionais e a falsa democracia em Portugal

Presidenciais: na raiz do problema, o sistema dos partidos tradicionais e a falsa democracia em Portugal:  


Parte Nr° 4 de 4

Não me calo e tenho ideias idênticas ao André Ventura, pois digo, os governos do sistema, dos Presidentes que calaram e da comunicação social como pilar do regime tenho de me expressar sem medo, porque toco no coração do problema, aquele que muitos contornam e poucos enfrentam. O mal não está apenas nos candidatos, está no terreno que os produz. Os governos do sistema, PS e PSD, com as suas coligações variáveis e os seus parceiros de ocasião, CDU, Bloco de Esquerda, PAN, governaram Portugal directa ou indirectamente durante décadas. Mudaram os rostos, mudaram os slogans, mas mantiveram o mesmo modo de operar, poder concentrado, responsabilidades diluídas, e uma cultura de impunidade discreta. Foi este sistema que deixou definhar o Serviço Nacional de Saúde, que normalizou listas de espera como se fossem destino, que tolerou a promiscuidade entre política, autarquias e interesses económicos, que aceitou uma justiça lenta para os fracos e ágil para os fortes. Foi este sistema que empurrou milhares de portugueses para fora do país e, depois, tratou a emigração como rodapé da República, útil para remessas, incómoda para direitos. 

Os Presidentes da República oriundos deste mesmo ventre político não foram meros espectadores. Alguns sorriram, outros comentaram, outros fizeram pedagogia televisiva, mas quase todos evitaram o confronto sério com o regime que os sustentou. Sancionaram leis, fecharam os olhos aos abusos, normalizaram falhas graves no voto dos emigrantes, e transformaram Belém num palco de presença mediática em vez de consciência institucional. Calaram quando deviam falar, e falaram quando já nada mudava. E sobre tudo isto paira a comunicação social, não como observadora neutra, mas como arquitecta do espaço político. RTP, SIC, TVI, e os grandes jornais, Público, Expresso, Correio da Manhã, deixaram de cumprir a função de escrutínio para assumir a de filtro. Decidem quem entra no debate, quem é omitido, quem sobe nas sondagens e quem desaparece dos motores de busca. Criam inevitabilidades, fabricam segundas voltas, repetem nomes até à exaustão, e chamam a isso informação. A desigualdade não é subtil, é estrutural. Uns têm horas de antena antes de cumprir a lei, outros cumprem a lei e não têm antena nenhuma. Uns são tratados como estadistas em potência, outros como notas de rodapé. A democracia fica assim reduzida a encenação, com escolhas aparentes e resultados previsíveis. Este ponto afirma, sem rodeios, que o sistema político português funciona em simbiose com o sistema mediático. Um alimenta o outro. 

Os governos produzem poder, a comunicação social legitima-o. Quem ameaça romper este ciclo é atacado, ridicularizado ou silenciado. Não por acaso, mas por método. É neste contexto que a ruptura se torna necessária. Não por gostar do conflito, mas por necessidade histórica. Um país não se renova com os mesmos actores, nem se salva com os mesmos guias. Enquanto o sistema continuar fechado sobre si próprio, continuará a gerar desconfiança, abstenção e descrença. Para terminar não podia deixar de salientar o presidente mais fraco do sistema, Marcelo Rebelo de Sousa, este é o retracto mais duro e mais longo, porque é o retracto do poder em fim de linha. Marcelo Rebelo de Sousa é apresentado como producto directo da televisão, criado como comentador, embalado pela TVI, transformado em Presidente pelo afecto mediático e não pela estatura institucional. Um presidente que não se livra das polêmicas da Casa Pia abafada, silêncio perante ofensas a Portugal em Angola, contradições constantes, casos familiares, o episódio das gémeas brasileiras, a defesa de reparações históricas dos países colonizados por Portugal sem mandato popular, a confusão entre afecto pessoal e interesse nacional. Surge a acusação grave, o Presidente mais conflituoso desde 1974, um homem que evita comentar porque ele próprio é a polémica. A lei dos estrangeiros, os migrantes, os gestos públicos contraditórios, os abraços mediáticos e as decisões firmadas em silêncio constroem um retrato de incoerência. Aqui não se escreve para agradar, escreve-se para registar. A humanidade esquece e a história registra e agora posto isto, os portugueses podem escolher o melhor presidente, para fraco tivemos o Dr. Prof. Marcelo!...


Revista Repórter X Editora Schweiz Oficial

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