Póvoa de Lanhoso a cidade: se a Maria da Fonte cá estivesse nada disto acontecia:
Póvoa de Lanhoso a cidade para pagar impostos...! (Se a Maria da Fonte cá estivesse nada disto acontecia.) O concelho da Póvoa de Lanhoso, não é só a terra do ouro ou do castelo de Lanhoso ou da Maria da Fonte, é também a terra onde o aroma da castanha e da sardinha assada atravessa gerações, onde o borrego crepita no forno, os bifes estalam na grelha e o melão aberto ao meio liberta a doçura que perfuma a feira, levanta hoje a cabeça num tempo em que tudo parece mudar sem verdadeiramente mudar. O vinho verde ainda canta nos almoços, o caldo verde com chouriço ainda acende a noite, a broa de sardinha no forno e o bacalhau ainda defendem a memória, mas há uma sombra densa a descer sobre a Vila, como se o futuro se tivesse posto de costas para ela.
Os impostos crescem como maré que não recua. O IMI escalou de 0,30 para 0,34, gesto que muitos sentiram como pancada mais do que decisão. O Valor Patrimonial Tributário afinado ao detalhe empurrou famílias para aumentos de 24% e empresas para quase 28%. A derrama, que antes nem existia, saltou para 1,2%, deixando apenas 3,8% das empresas a respirar. Há os impostos mais mediáticos e mais falados mais caros de IMI, Taxas de Água e Lixo. A Vila a cidade nunca mais estacionas grátis, vai haver Paquímetros por toda a parte.
E para pagar mais impostos, já pagamos pouco, dizem muitos, cansados de sustentar escolhas que não compreendem.
A isso junta-se a promessa repetida de que a Póvoa poderá ser Cidade em 2026. Porém, em vez de caminhar para a frente, a Vila parece ter recuado. Em vez de semáforos, lombas. Em vez de mobilidade, improviso. Não há cinema, não há centro comercial decente, não há McDonald’s, não há hospital público, não há transportes eficazes, não há central de camionagem, não há estradas dignas. E pergunta-se, com razão e sem medo: como pode ser Cidade uma terra que não construiu ainda o essencial do seu corpo?
Não se dá o passo maior que a perna, e primeiro ergue-se o alicerce antes de se meter o telhado. Não se espera o ovo no cu da galinha.
Por isso muitos dizem, sem rodeios: se for Cidade assim, será vergonha para alguns povoenses, será Cidade fantasma. Porque primeiro faz-se, depois eleva-se. Porque a evolução não nasce do título, nasce do trabalho. Porque o presidente não deve decidir sozinho, deve ouvir o povo. Deve-se fazer um referendo a todos os povoenses, e só depois avançar, se assim o povo quiser.
"Mas há quem distorça palavras, quem misture alhos com bugalhos, quem viva do tacho e não sinta o peso dos impostos porque o que pagam por um lado recebem por outro. Dizem que dormes o sono dos ingénuos, mas tu não dormes — vês. Disseste verdades, não ofensas. Não rejeitaste a elevação a Cidade, afirmaste apenas que falta muito para o ser. E não te escondes no anonimato: escreves com nome, rosto e coragem. Quem tiver algo contra ti que telefone, porque atendes ou devolves a chamada."
"Também há quem subscreva cada linha, quem admire a coragem de publicar o que muitos pensam, quem te chame amigo povoense e te estenda o abraço solidário. Há quem acredite que a evolução começa ali, que mais dinheiro virá para a autarquia, que o comércio tradicional pode prosperar sem centros comerciais gigantes, que a verdadeira felicidade mora na rua, na loja pequena, no gesto humano."
E há outros que perguntam, cansados: foi isto que quiseram?
Agora aí o têm. Pena é que pagam uns pelos outros. Façam uma reflexão antes e depois, vejam a situação em que estamos a cair.
A Póvoa de Lanhoso merece mais do que debate raso, mais do que orgulho vazio, mais do que slogans de ocasião. Merece obra. Merece raízes. Merece verdade. Merece futuro e não fachada. Merece que a tratem como terra viva e não como palco de ambições. Merece que a voz do povo seja bússola, porque quando o povo se cala, o poder cresce sem travão.
Autor: Quelhas.
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