Presidenciais 2026, o voto que falta ao povo emigrante; electrónico e presidencial

Presidenciais 2026, o voto que falta ao povo emigrante; electrónico e presidencial:



O voto online abrangia a todos, simples, directo e justo. O voto por correspondência não chega sequer a metade dos eleitores inscritos, perde-se no caminho, chega tarde ou não chega, e o voto presencial, em eleições presidenciais, pode ficar a centenas de quilómetros de distância. Para muitos, votar não é um direito exercido, é um sacrifício impossível.

Num país que se diz moderno, deveria existir voto electrónico para quem sabe ler e escrever e voto presencial para os analfabetos e para os mais velhos, aqueles que construíram o país com as mãos e o silêncio. Isto não é radicalismo, é bom senso, é respeito pela realidade humana.

Mas não convém. Não convém aos partidos tradicionais do sistema que se instalou desde o 25 de Abril de 1974, um sistema que envelheceu mal, fechado sobre si próprio, alimentado por hábitos, lugares cativos e uma rotina de poder que teme a vontade popular quando ela é livre. Dá jeito que o voto dos emigrantes seja difícil, distante, cansativo. Dá jeito que muitos fiquem pelo caminho, que desistam, que se calem.

Porque quando o povo vota em massa, quando o voto é acessível e não condicionado pela geografia, a mama pode fugir. Pode fugir para forças que não fazem parte do velho acordo tácito. Pode fugir para o CHEGA nas legislativas, ou para André Ventura nas presidenciais de 2026. E isso assusta. Assusta mais do que a injustiça, mais do que a exclusão, mais do que a vergonha de tratar milhões de portugueses como cidadãos de segunda classe.

Os emigrantes pagam impostos, muitos mais do que os que vivem em Portugal, sustentam famílias, enviam remessas, mantêm a língua e a memória, mas quando chega a hora de decidir o rumo do país, levantam-se muros invisíveis. Consulados longe, horários impraticáveis, processos arcaicos, tudo serve para afastar o voto incómodo.

Dizer as coisas como são não é falta de delicadeza, é dever cívico. Um sistema que teme o voto universal não é democrático, é defensivo. Um país que não confia nos seus emigrantes não tem futuro sólido. O voto electrónico não é um favor, é uma correcção histórica. O voto presencial deve existir para quem dele precisa, mas nunca como obstáculo para quem quer participar.

O futuro constrói-se com verdade e coragem. Enquanto o voto continuar a ser um privilégio geográfico, a democracia portuguesa continuará incompleta, manca e desigual. Ainda há tempo de corrigir, mas só se houver vontade de ouvir quem sempre esteve longe e nunca deixou de ser Portugal.

autor Quelhas 


Revista Repórter X / Repórter Editora

Comentários

Anónimo disse…
Assino por baixo muito bom este artigo parabéns.