Resposta nula do Embaixador foi clara, a queixa vai seguir para o Governo e Presidente da República

Exmo. Senhor Embaixador,



Boa tarde.

A sua resposta foi compreendida. Precisamente por isso não pode ficar sem contraditório.

Quando um cidadão se dirige aos representantes do Estado português no estrangeiro a pedir ajuda, não está a solicitar favores, está a exercer um direito. E quando essa ajuda é sucessivamente devolvida sob a forma de respostas curtas, protocolares e vazias de substância, o problema deixa de ser consular e passa a ser político e moral.

Um Embaixador, esteja onde estiver colocado, existe para zelar pelos cidadãos que representa. Não apenas quando é cómodo, mas sobretudo quando é difícil. Reduzir essa função a um simples reencaminhamento administrativo é esvaziar o cargo do seu sentido mais elementar.

Classificar exposições fundamentadas como “observações subjectivas” não responde aos factos, antes os contorna. Não se trata de percepções vagas, trata-se de pedidos de ajuda ignorados, de silêncio institucional prolongado e de ausência efectiva de intervenção. Quando os serviços falham de forma reiterada no cumprimento do seu dever básico, a palavra adequada não é malícia, é incompetência.

Nada disto acontece por impossibilidade. Acontece porque não se quer fazer. É mais fácil responder o mínimo, remeter para outro balcão e encerrar o assunto, do que enfrentar problemas reais, incómodos e exigentes. Essa opção não serve os emigrantes, serve apenas a tranquilidade da instituição.

Quando representantes do Estado tratam cidadãos fragilizados como ignorantes ou descartáveis, deixam de representar. Um Estado que ignora os seus fora de portas perde autoridade moral dentro delas.

Perante a inexistência de disponibilidade para assumir responsabilidades, a queixa seguirá o seu curso, sendo dirigida ao próximo Presidente da República e ao Governo actualmente em funções, enquanto órgãos politicamente responsáveis pela acção externa do Estado e pela protecção dos emigrantes portugueses.

Dito de forma clara e sem ornamentos, quem não quer servir deve ponderar sair. Os cargos não existem para conforto pessoal, existem para cumprir deveres. E quando esses deveres são recusados, a dignidade do cidadão não se cala, escreve e avança.

Com consideração,

Domício Gomes

Revista Repórter X / Repórter Editora

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