Venezuela: ditadura sem fundo, quando o poder declara guerra ao próprio povo

Venezuela: ditadura sem fundo, quando o poder declara guerra ao próprio povo:



Começa assim mais um capítulo sombrio da política que se fecha sobre si mesma, como uma casa sem janelas, onde o poder se confunde com o medo e a palavra ordem serve de disfarce à repressão. A mulher que surge como rosto e voz deste decreto, Delcy Rodríguez, não fala ao mundo com prudência nem com sentido de humanidade, fala com a rigidez de quem escolheu a força como única linguagem possível, e quer continuar uma ditadura sem fundo, sem escuta e sem futuro.

E assim quer esta mulher continuar, não apenas contra os Estados Unidos da América, mas contra tudo e contra todos, colocando em cheque o mundo inteiro, porque há ideologias que não sabem parar, só avançar sobre os outros, cegas, surdas, fechadas em si mesmas. São pessoas que só vêem os seus ideais, a força sem pensar nos outros e a obsessão consigo próprias, pessoas destas não deveriam ter lugar na política, são perigosas para elas mesmas, para a nação, para a Venezuela e para o mundo.

Acaba uma guerra e começam duas guerras, não por acaso, mas por escolha. São uns tristes, tristes de espírito e de visão, a testar a paciência das pessoas, a empurrar os jovens para a depressão, a acrescentar mais um atentado à fome e à pobreza, como se a miséria precisasse de mais combustível. Isto não é governo, é desgaste humano, é erosão diária da dignidade.

O discurso é claro e duro, o decreto ordena a busca e captura de todos os envolvidos no alegado ataque norte-americano que teria capturado o ditador venezuelano Nicolás Maduro, e vai mais longe, determina a prisão de quem ousou demonstrar apoio à acção. Diz a número dois de Maduro que as forças policiais nacionais, estaduais e municipais devem empreender imediatamente a busca e a captura, em todo o território nacional, de todas as pessoas envolvidas na promoção ou no apoio ao ataque armado, com vistas à sua punição, invocando a preservação da ordem interna e da soberania nacional.

Mas quando a soberania se transforma em pretexto para silenciar, quando a ordem serve para esmagar, já não estamos perante defesa do Estado, estamos perante medo do próprio povo.
 
Não sou de todo a favor de Donald Trump, mas sou claramente contra presidentes ditadores e corruptos, porque quem governa contra os direitos humanos perde qualquer legitimidade moral. Se ditadores cometem crimes violentos e contra a humanidade, têm de ser julgados e punidos, não por vingança, mas por justiça, e o mesmo critério deveria aplicar-se a todos, a Vladimir Putin, a Volodymyr Zelensky, e a outros que usam o poder e a força contra a humanidade.

Fora com esta mulher da Venezuela, fora com a política que alimenta o medo e normaliza a perseguição. Viva a liberdade, não como slogan vazio, mas como herança antiga que o mundo já conheceu e que terá de reencontrar, porque nenhum decreto apaga a vontade de um povo, e nenhuma repressão consegue matar para sempre a esperança de um futuro mais digno.

Autor Quelhas 

Revistareporterx.blogspot.com


Revista Repórter X / Repórter Editora

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