Acidente em Bülach, Fresquinha de chegar, embate em frente à montra

Acidente em Bülach, Fresquinha de chegar, embate em frente à montra:


O que se viu foi simples e rápido. Uma senhora sénior estacionava o seu automóvel em frente à loja da Swisscom. À frente do lugar existe uma barra de protecção em borracha, colocada para travar pequenos toques. O carro avançou, ultrapassou essa protecção e embateu no vidro da montra, que cedeu com estrondo.

Mas importa colocar a dúvida com honestidade.
Teria a condutora confundido o travão com o acelerador? Ou terá simplesmente avançado até tocar na barra, e, ao transpô-la, o próprio desnível provocado pela subida e descida projectou o veículo em frente, sem já haver espaço físico para evitar o embate?

Qualquer pessoa que ultrapasse aquela barra, seja jovem ou idosa, ao subir e descer o ressalto, fica praticamente encostada ao vidro. O espaço é mínimo. A margem de erro é inexistente. Depois de passar a protecção, o impacto torna-se quase inevitável.

Esta dúvida é legítima. Não se deve concluir sem ponderar a configuração do local.

Ainda assim, o episódio levanta uma reflexão mais ampla. Estão os espaços comerciais preparados para este tipo de manobra? São as distâncias suficientes? 

E, paralelamente, são as avaliações médicas para renovação da carta suficientemente rigorosas para garantir que reflexos, visão e coordenação estão plenamente aptos?

Não se trata de apontar o dedo a uma senhora. Trata-se de analisar factos. A idade pode trazer limitações, mas também é verdade que um erro de cálculo ou um desnível mal pensado pode colocar qualquer condutor na mesma situação.

Entre a falha humana e a falha estrutural, existe uma linha fina. E é nessa linha que deve assentar a análise séria, não na pressa de julgar.
E há mais duas questões que não podem ser ignoradas.

Primeira, estas barras de protecção, quando não existe pelo menos um metro e meio livre à frente delas, tornam-se armadilhas. Se, depois de as ultrapassar, o veículo não tem espaço suficiente para imobilizar-se em segurança, então a consequência lógica é o embate. Nesse caso, a solução é simples, ou se garante distância de segurança adequada, ou retiram-se as barras. Colocar um obstáculo que projecta o carro directamente contra um vidro não é prevenção, é risco acrescido.

Segunda, a questão da idade deve ser tratada com realismo e respeito. Muitas pessoas mais velhas não têm apenas menor visibilidade, têm também menos força nas pernas, menos energia nos braços, menor rapidez de reacção. Mesmo com a mente lúcida, o corpo pode já não responder com a mesma precisão. São factores físicos que contam, e contam muito. Ignorá-los por delicadeza é imprudência.

A segurança não se constrói com silêncio. Constrói-se com coragem para rever estruturas, rever critérios e admitir que tanto o espaço físico como a aptidão física devem ser avaliados com seriedade.

Revista Repórter X

Revista Repórter X / Repórter Editora

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