A TEMPESTADE RASGA O CÉU

A TEMPESTADE RASGA O CÉU:



O céu rasgou-se em cinza e aço,
o frio morde os ossos da alma,
a chuva cai em lanças de vidro
e o vento empurra o mundo para trás.

A rua chama selvagem e viva,
Cada gota é um desafio,
cada rajada um aviso,
cada passo uma aposta com o destino.

O coração quer correr,
sentir o caos na pele,
rir do medo,
dançar com a tempestade.

Mas a razão sussurra baixo:
vale o risco de escorregar na noite?

Vale enfrentar o grito do vento
quando o corpo pede abrigo?

O passeio seria belo, sim
luzes tremendo na poça de água,
o cheiro da terra molhada,
a liberdade em estado bruto.

Mas beleza também corta.
E nem toda adrenalina compensa a queda.

Entre a porta e a tempestade
fica o homem suspenso:
coragem ou prudência?
Desejo ou sobrevivência?

Às vezes, o maior ato de bravura
não é sair correndo para o temporal,
mas saber esperar 
que a chuva passe. 

Chefe; José Maria Ramada

Revista Repórter X / Repórter Editora

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