KESB em vez de proteger, desprotege; Carta aberta

KESB em vez de proteger, desprotege; Carta aberta:


Ela foi emigrante na Suíça durante 12 anos, conheceu o seu ex marido que já era emigrante na Suíça e foi passado algum tempo para lá também. Passados dois anos nasceu a filha Luana. A vida de casados era normal no início, mas cerca de cinco anos depois o ex marido começou a beber demasiado, havendo muitas discussões em casa, a maioria com a menina presente, porque eram sempre à noite. 

Ele começava a beber ao chegar do trabalho até ir para a cama. Ela, além do seu trabalho diário, limpava escritórios e laboratórios no Jardim Botânico de Zurique, chegando a casa pelas 21 horas e 30 minutos, enquanto o ex marido ia buscar a filha ao Hort e lá começava com a cerveja, depois ao jantar era vinho até ela chegar do trabalho, o copo ainda à frente dele e a menina dentro do quarto à espera para sair.
 
Ele apenas dava o jantar à filha, não organizava o banho da menina, tinha de ser ela a dar banho, arrumar a cozinha enquanto ouvia insultos dirigidos a si e muitas vezes também à menina. A filha pedia todos os dias que a mãe não trabalhasse à noite para não ser o pai a ir buscá la ao Hort, não querendo ficar sozinha com o pai porque ele berrava sempre com ela.

Passados anos assim, um dia a discussão foi tão forte que envolveu a menina também, mas nesse dia ele ultrapassou todos os limites da paciência da mãe e acabou por agredir a menina com um estalo na cara, sem motivo aparente.
 
Ela disse para ele que consigo podia fazer tudo, mas com a menina não admitia, e perguntou o que ela tinha feito para ele reagir assim, não obtendo resposta, apenas começou a agredi-la também. Ficou com marcas negras no corpo e a menina, assustada, pediu para chamar a polícia. A mãe ligou e pediu para que a filha falasse, porque tinha dificuldade no alemão. A menina tinha 9 anos. Os polícias chegaram em poucos minutos e ouviram a menina com atenção, a mãe também, mas as nódoas negras só apareceram no dia seguinte. O ex marido, sabendo que vinha a polícia, meteu-se na cama, não adiantando nada. Os agentes foram falar com ele ao quarto e viram o estado em que ele estava, fizeram a avaliação e no fim perguntaram se a mãe tinha para onde ir passar a noite com a filha. Ela disse que sim e foi para casa da filha mais velha que mora na Suíça. A partir daí tudo continuou normal. Voltou para casa no dia seguinte e logo recebeu a carta do KESB para ser ouvida. A filha também foi ouvida, a filha mais velha também, o ex marido também.
 
Passados meses, um senhor disse-lhe que não havia melhoras na relação e que iria pôr um tutor lá em casa a vigiar o ambiente em que a menina vivia. Ela ficou incrédula e disse que não permitia porque no próximo ano lectivo iria para Portugal, precisando tirar a filha de perto do pai que exercia pressão psicológica sobre a menina, que tinha medo e pena dele às vezes.
 
Começou a sentir-se mal interpretada pelos senhores do KESB, porque o interesse deles não era proteger a mãe, só a menina. Poderia ter ficado ali naquele inferno de vida, mas, ao ver que não iam responsabilizar quem a desestabilizou e prejudicava o crescimento saudável da filha, decidiu vir para Portugal em Julho de 2022.

Andou a ser investigada por eles e, quando disseram que iam pôr uma pessoa lá em casa a vigiar, não deixou e disse que vinha embora. Se tivesse dinheiro para advogado não teria vindo embora.
 
Viu como estava a sua vida em casa com a filha, que não era feliz com o pai e estava a ser controlada por essas pessoas, e decidiu vir embora. O pai aceitou que a filha viesse com a mãe, caso contrário teria feito queixa; ele estava avisado pela polícia que tinha ido à casa deles.
 
Importa dizer bem claro que a Suíça e o KESB em vez de proteger, desprotege, alaga famílias em vez de unir. Quando se pede ajuda, recebe-se repúdio, contradição e ameaça. A Suíça obrigou-a a vir para Portugal, não tinha outra escolha, senão poderia perder a filha, como tantas mães e pais portugueses que segue, a Paula, a Carla, a Sónia, a Daniela, o Victor, o Sérgio, a Cátia e tantos outros.
 
Valeu o ex marido concordar, caso contrário ficariam ambos sem a filha. A Suíça não é o que parece e devemos todos mostrar a monstruosidade que a Suíça faz com os emigrantes. Não é justo.

Começou tudo de novo no seu país sozinha com uma filha para criar. O pai queria castigar e não enviava dinheiro porque achava que a mãe não ia conseguir e teria de voltar para ele. Então procurou ajuda na Segurança Social para ter um advogado grátis e pediu os direitos do pai para ajudar a sustentar a filha e, através do tribunal com advogado pago pela Segurança Social, conseguiu receber algum dinheiro vindo do ex marido.

Trabalha muito para nada faltar à filha, mas é muito difícil porque Portugal infelizmente não dá muita qualidade de vida. Deus é o seu pilar, protector e amigo.

Pediu ajuda à SIC para tornar esta história pública.

autor: Quelhas

Revista Repórter X / Repórter Editora

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