Os vários tráficos que correm nas sombras do mundo

Os vários tráficos que correm nas sombras do mundo:



Ao longo das últimas décadas foram confirmadas várias redes criminosas organizadas que traficam pessoas, órgãos humanos, crianças e drogas. Não se trata de rumores isolados, mas de crimes investigados por jornalistas, polícias, tribunais e organizações internacionais como a Interpol, a Organização das Nações Unidas e o Gabinete das Nações Unidas sobre Drogas e Crime. 

Estes fenómenos existem porque geram lucros enormes no mercado ilegal, explorando miséria, guerra, corrupção e desigualdade entre países. A realidade é dura e antiga. É a lei do mais forte!

Tráfico de órgãos humanos:
Há casos comprovados em várias regiões.
• Kosovo, final dos anos 1990 e 2000
Após a Guerra do Kosovo surgiram investigações sobre prisioneiros mortos para extração de órgãos. O caso ficou conhecido como “Casa Amarela” e foi investigado pelo Conselho da Europa.

• Clínica Medicus, Kosovo (2008)
Uma rede internacional atraía pessoas pobres para vender rins. Os órgãos eram transplantados ilegalmente em pacientes ricos vindos de outros países.

• China, anos 2000
Organizações de direitos humanos denunciaram retirada de órgãos de prisioneiros executados. O governo chinês afirmou posteriormente que iria terminar essa prática e reformar o sistema de transplantes.

• Índia, Brasil, Paquistão, Egipto
Diversas redes foram desmanteladas ao longo dos anos, muitas vezes explorando pessoas pobres que vendem órgãos por desespero.
Tráfico de crianças e pessoas.
Há casos que apanham crianças e retiram um só rim e depois devolvem-nas à liberdade com maselas para a vida.
Também é um fenómeno documentado.

• Redes de exploração sexual infantil, adopções ilegais ou trabalho forçado foram desmanteladas na Europa, África, Ásia e América Latina.

• Em conflitos armados, crianças são recrutadas como soldados ou traficadas.

• Em muitos casos o transporte ocorre através de vários países para dificultar a investigação.
A UNICEF estima que milhões de crianças continuam vulneráveis a estas redes.

O tráfico que corrói a infância e a juventude
A verdade não pode ser suavizada. Existe um mundo onde crianças e adolescentes, muitos entre quinze e dezoito anos, não encontram proteção, nem dentro nem fora das instituições que deveriam ampará-los. 

O que se passa é cruel: 
Jovens são vendidos ou conduzidos a redes de prostituição, drogados para obedecer ou calar, submetidos a violência física e psicológica. Estes casos não são rumor; aparecem em notícias de vários países, denunciados por vítimas, jornalistas e organizações internacionais como a UNICEF e a Europol. Já se falou que funciona prostituição de menores nos Alpes para servir os "lobos" do mundo!

As instituições que deveriam proteger falham. Os internatos, lares e centros de acolhimento, muitas vezes saturados ou negligentes, transformam-se em portas abertas para exploradores. Fora delas, o perigo continua nas ruas, nas rotas clandestinas da cidade e até em casas aparentemente comuns, onde a ganância e a impunidade se escondem atrás de fachadas de normalidade. 

As drogas são usadas como algemas invisíveis, para manipular, para amarrar a vontade dos jovens, para apagar a memória de abusos. Temos entrevistas feitas na Revista Repórter X que pais dizem que nas instituições drogam os seus filhos logo de pequenos!

É um ciclo que se repete: 
vulnerabilidade, abandono institucional, exploração sexual e dependência química.
 
Os jornalistas, tribunais e investigações policiais confirmam que este cenário se repete em múltiplos países, expondo uma realidade que muitos tentam esconder.

Tráfico de drogas:
Este é o mercado ilegal mais antigo e lucrativo.

Exemplos conhecidos:
• Cartéis da América Latina, como o Cartel de Sinaloa no México.
• Produção de heroína ligada ao chamado Triângulo Dourado.
• Redes de cocaína ligadas à Colômbia, Peru e Bolívia.

Estas organizações funcionam como verdadeiras empresas clandestinas, com rotas internacionais, corrupção e violência.

Tráfico de armas:
Outro comércio sombrio é o tráfico de armas. Armas produzidas legalmente acabam desviadas para mercados clandestinos, alimentando guerras civis, milícias e grupos criminosos. Organizações internacionais investigam redes que transportam armas através de fronteiras, muitas vezes escondidas em carregamentos comerciais ou vendidas através de intermediários. Este tráfico prolonga conflitos, multiplica a violência e transforma regiões inteiras em campos de instabilidade permanente. Quantos particulares tem armas de guerra em casa! Como as conseguiram?

Outros tráficos:
O mundo clandestino não termina aqui.
• Tráfico de pessoas para trabalho forçado, agricultura, construção ou fábricas em condições de quase escravidão.

• Tráfico de migrantes, cobrando fortunas para atravessar desertos e mares.

• Tráfico de bens culturais, roubando obras de arte e antiguidades para colecionadores clandestinos.

• Tráfico de animais exóticos e de espécies protegidas, devastando ecossistemas inteiros.

• Tráfico de medicamentos falsificados, colocando em risco a saúde de milhões.

Por que existem estas redes!?

As causas principais repetem-se como uma sombra antiga:
Pobreza e desespero, que tornam pessoas vulneráveis.
Procura internacional, seja por drogas, órgãos para transplantes ou exploração sexual.

A grande corrupção e falhas são do Estado, que permitem às redes actuar.
Guerras e migrações, que criam populações sem protecção.
Quando há procura e dinheiro, o crime organizado tenta ocupar esse espaço.

A dimensão actual:
Segundo o Gabinete das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, o tráfico de pessoas e o narcotráfico estão entre os negócios ilegais mais lucrativos do mundo, movimentando dezenas de milhares de milhões de dólares por ano.

A luta continua, com operações policiais internacionais e legislação mais dura, mas estas redes adaptam-se constantemente.

Falar destes temas não é alimentar medo. É reconhecer a realidade. O silêncio protege sempre o criminoso e nunca a vítima. Enquanto houver crianças sem proteção, jovens drogados e explorados, povos em guerra e desigualdades profundas, estes tráficos continuarão a tentar crescer nas sombras.

Mas também existe outra força: 
a vigilância dos cidadãos, a coragem de denunciar e a vontade de justiça. E é dessa força que nasce a esperança de um mundo onde o valor da vida humana não seja reduzido a mercadoria.

Quanto à chamada protecção de menores, em muitos casos podemos-lhe chamar desprotecção de menores, e voltamos a repetir: só retiram filhos aos pobres e desprotegidos e, em vez de ajudarem os pais com pouco dinheiro, mantêm o vício das instituições lideradas sob cautela do governo. Sim, este é um dos maiores tráfegos feitos à frente dos olhos de todos, no qual fizeram leis apropriadas para se protegerem e desfavorecer os pais pobres financeiramente ou pobres de espírito. Para mim, é uma máfia disfarçada de bem, pois, se querem proteger, que ajudem os pais a passar e a resolver alguma dificuldade, seja ela qual for.

João Carlos Quelhas


Revista Repórter X / Repórter Editora

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