Presença firme:
Ergo-me sobre o chão de madeira,
sinto-lhe a solidez debaixo dos pés
como quem reconhece a casa onde a alma repousa.
O casaco assenta-me nos ombros
com a gravidade simples de quem aprendeu
que a vida não se vence com alarde,
mas com constância.
Trago ao peito uma gravata azul,
fio de céu em dia claro,
lembrança de que a serenidade
é também coragem.
Atrás de mim, as plantas elevam-se,
verdes e pacientes,
companheiras silenciosas do meu estar.
O relógio vigia o tempo,
redondo e atento,
marcando cada minuto
como se fosse semente lançada à terra.
Olho em frente.
No meu olhar vivem caminhos percorridos,
provas aceites sem recuo,
noites de pensamento fundo.
Não me quebrei.
Aprendi.
Nos sapatos levo a marca da estrada,
nas mãos abertas levo a paz
de quem não precisa erguer a voz
para afirmar o que é.
Estou de pé.
Inteiro.
Sereno.
Que venha o que tiver de vir.
O futuro não me assusta.
A base é firme,
o carácter não se negocia,
e a dignidade constrói-se todos os dias,
passo a passo,
como sempre foi feito,
com trabalho, fé e verdade.
Permaneço.
E isso basta.
autor Quelhas, director revista repórter X
Revista Repórter X / Repórter Editora

Comentários