Filho da terra, homem da montanha; a história do Deputado José Dias Fernandes

Filho da terra, homem da montanha; a história do Deputado José Dias Fernandes:



José Dias Fernandes, nasceu em Santa Maria de Geraz do Lima, no concelho de Viana do Castelo, numa família numerosa de agricultores composta por 14 irmãos. Desde cedo, cresceu entre os campos e o trabalho da terra, iniciando a escola primária aos 7 anos e concluindo os estudos básicos aos 12 anos, obtendo o exame de admissão. A sua infância foi marcada pela ligação profunda à terra e pelo esforço diário, enquanto os horizontes da família se abriam com a emigração. O pai de José partiu para França no final da década de 1960, e em 1972 conseguiu levar os dois filhos mais velhos. Em 1973 tentou reunir toda a família, mas a dimensão da família e as dificuldades da época impediram o sonho de se concretizar.

Em 1975, o irmão mais velho sofreu um acidente de motorizada quando visitou Portugal e nessa altura o José pediu ajuda, e o irmão levou-o a tentar a sua primeira experiência como emigrante. Sem idade nem documentos legais, foi obrigado a regressar a Portugal. Em 1976 voltou a tentar, acompanhado por um primo, mas novamente sem sucesso. Apenas em 1977 conseguiu fixar-se na região dos Alpes franceses, embora sem documentos, sendo detectado pela Gendarmerie Nationale e obrigado a abandonar o país. De regresso a Portugal, José Dias Fernandes dirigiu-se a Andorra la Vella, onde chegou a 27 de Fevereiro de 1977, em busca de documentos para trabalhar. Durante essa fase difícil, foi acolhido pela proprietária de um pequeno hotel, Conxita, que lhe deu abrigo e alimentação, tornando-se para ele uma figura materna de referência. Seis meses depois, voltou à França e trabalhou na clandestinidade até 1981, ano em que o Presidente François Mitterrand decretou a regularização de muitos trabalhadores estrangeiros.

A partir daí, a carreira de José Dias Fernandes progrediu rapidamente. Trabalhou na construção civil nas montanhas, participando em pistas de esqui e grandes obras alpinas. Ganhou a confiança dos empregadores e tornou-se responsável por projectos em Savoie, Haute-Savoie, Ain et Rhône. Aos 23 anos, ocupava o cargo de chefe de chantier, liderando equipas de protecção contra avalanches entre 2100 e 3200 metros de altitude, com apoio de dois helicópteros, Aérospatiale SA 330 Puma e Alouette. Aos 25 anos, casou-se e começou a formar família. Pouco tempo depois, foi chamado para participar na construção da Pirâmide do Louvre, no Museu do Louvre, assumindo a responsabilidade pelo betão branco e pelas pirâmides invertidas, assim como o recrutamento de cerca de 300 trabalhadores especializados, muitos portugueses vindos de Grenoble, Bourgoin-Jallieu e Albertville.

Aos 27 anos decidiu tornar-se empresário, criando a EGB e vivendo numa caravana enquanto se deslocava para as obras. Posteriormente, fundou a SA Européenne, participando na construção de 49 pontes entre Arras e Croisilles, e em 1991 criou a Flor do Neiva, empresa de recrutamento de trabalhadores para França. O crescimento continuou. Em 1995, fundou a SAS Eurobâtiment, participando em grandes obras, como projetos no Hospital Militar de Toulon, complexos em Marselha, Fondation Louis Vuitton e, em 2013-2014, o Campus Orange, pertencente à empresa Orange. Em 2014, criou a sociedade familiar SCI JAM (José, Ana e Melissa) e, em 2017, estruturou o grupo empresarial através da holding JOAM. Ao longo de toda a sua trajetória, manteve forte ligação às comunidades portuguesas, tendo fundado em Janeiro de 2017 a Associação Fiel Amigo – O Bacalhau, com o objectivo de unir os portugueses emigrantes e preservar a cultura da diáspora.

Em 2022, reformou-se da vida empresarial, mas decidiu entrar na política, filiando-se no CHEGA. Foi eleito deputado da Assembleia da República pelo círculo da Europa, tornando-se o deputado mais votado da história da emigração portuguesa. José Dias Fernandes foi o único político português a levar à Assembleia da República o caso das crianças retiradas a pais e mães portugueses por instituições estrangeiras, tendo levado mães para testemunharem sobre a perda dos filhos na Suíça. Esteve também presente em reuniões na Suíça, com o consulado português e a Revista Repórter X, junto de pais e lesados por injustiças relacionadas com doenças e acidentes naquele país, sendo o único a dar a cara pelos que mais necessitam no estrangeiro.

A trajetória de José Dias Fernandes reflete coragem, persistência e dedicação à comunidade, transformando-o numa referência da diáspora portuguesa e na voz de quem muitas vezes é ignorado.

autor: Quelhas

Centro Dona Olímpia
Kantonsstrasse 8
6253 Uffikon - Luzern

Revista Repórter X / Repórter Editora

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