Impediu mãe da filha sair para noitadas e foi preso e mal tratado:
Há um sistema unido na Suíça, uma Lei feita em fragilizar principalmente os emigrantes. Uma força policial exagerada, com princípio firme e fecho que pesa, porque o poder político assim confere esse poder, que se torna tantas vezes em abuso, tal como aconteceu neste testemunho contado à Revista Repórter X.
O que vamos contar, pelas palavras do Sérgio, é do paraíso ao inferno:
Um testemunho de uma vida marcada pela injustiça e ingratidão de quem sempre tentou dar sempre o seu melhor e é discriminado.
Neste relato, é descrita a experiência de um homem que viveu na Suíça e que afirma ter atravessado situações que considera fora de qualquer normalidade. Um percurso marcado, segundo o próprio e testemunhos próximos, por ausência de respeito, negação de direitos e episódios de profunda humilhação.
Um dos momentos mais marcantes ocorreu quando tentou impedir que a mãe da sua filha levasse uma criança de seis anos para as noitadas. Sem violência, apenas com palavras, afirma ter invocado os seus direitos como pai. Ao invés de a mãe da criança acatar a ideia do pai, ela ignorou. O pai, para além de saber que não era cordial a sua filha sair sabe-se lá para onde, desconfiava que a mãe da criança tivesse alguns encontros de outra natureza que propriamente festas! Encheu-se e entendeu pôr fim a este caso para proteger a sua filha e fez queixa à KESB. Começou o seu martírio!
Em vez de a justiça o proteger, assim como a sua filha, fez dele um criminoso por querer a melhor educação e segurança da sua filha.
Perdeu a sua filha para sempre para a mãe, a mesma mãe que em vez de colocar a criança a dormir, levava a criança para as noitadas e tudo que dali advém!
Convém dizer que a mãe da filha do Sérgio compactuava com o senhorio da casa, que era também vizinho do lado, os dois infernizaram-lhe a vida. Arranjaram-lhe um trinta e um e conseguiram destabilizar a vida do Sérgio ao ponto de ele largar a sua profissionalidade, o negócio dos cavalos e fugir para Portugal no qual continua a exercer. A seguir pode-se perceber tudo:
O Sérgio ficou preso no posto da polícia após ter apresentado queixa contra o seu vizinho proprietário da casa onde vivia e pagava renda mensal, o qual entrava diariamente na sua residência e publicava fotografias suas e da sua filha no Facebook. Refere que ficou preso no posto da polícia de Chexbres, no Cantão de Vaud.
O Sérgio acrescenta que, horas antes, já havia apresentado queixa contra o seu senhorio no cantão de Friburgo, onde residia, em Châtel-Saint-Denis e Valruz, tendo os agentes policiais recusado registar a ocorrência.
O Sérgio manifesta indignação pela recusa da polícia em aceitar a denúncia e por não ter procedido à verificação do computador onde se encontrariam as fotografias privadas, considerando que tal poderia ter evitado ter ficado preso. Afirma não compreender as razões pelas quais ficou preso, quando o intruso era o próprio senhorio, que invadia a sua residência e divulgava conteúdos indevidos na rede social.
A verdade é que inesperadamente o Sérgio foi algemado por quatro agentes da polícia, na presença da filha, poucas horas após uma consulta cardíaca no hospital. Descreve esse momento como violento, sufocante e profundamente traumático.
Posteriormente, foi encaminhado para avaliação psiquiátrica, onde os médicos o consideraram apto e em condições normais. Apesar disso, terá permanecido detido durante 24 horas, situação que considera ilegal. Após a libertação, afirma ter sido impedido de regressar a casa e de contactar com a filha, ao mesmo tempo que as mudanças foram feitas na habitação sem o seu consentimento.
Durante esse período, relata ainda que o seu senhorio, ligado à comuna de Bossonnens, terá entrado repetidamente na sua casa sem autorização, revistando os seus bens pessoais e tendo inclusive acesso ao seu computador, códigos e dados pessoais, uma vez que o próprio Sérgio lhe havia confiado o equipamento para programação. Refere que foi esse mesmo indivíduo quem publicou fotografias dele com a sua filha no Facebook. Apesar da gravidade dos factos, afirma que a polícia de Chexbres não aceitou a sua queixa e que, em vez de agir contra o responsável, o prendeu, tendo sido alvo de uso de força e ficado sem o telefone, que lhe foi retirado para apagar conteúdos que tinha gravado.
Enquanto tudo isto acontecia, enquanto lutava para proteger a filha e enfrentava um sistema que o tratava como culpado por querer ser pai, já carregava às costas outro peso, antigo, prolongado, silencioso, mas igualmente destrutivo. Não era um episódio isolado, era a continuação de um desgaste. Um homem já ferido, a ser empurrado outra vez para o chão.
O caso insere-se num contexto mais alargado de conflitos, incluindo um processo judicial com a seguradora Axa Winterthur que se prolongou por doze anos.
Segundo o relato, o desfecho foi financeiramente desfavorável, com prejuízos elevados, levantando suspeitas sobre a actuação de advogados e juristas envolvidos.
Há também referência a um episódio em que, alegadamente, o seu advogado terá substituído o seu processo por outro, sem consentimento, num momento em que o caso poderia ganhar exposição mediática.
Para além destes acontecimentos, descreve um período de três meses em situação de grande precariedade, sem habitação, vivendo no carro e recorrendo a uma ribeira para necessidades básicas.
Afirma que tal situação resultou de decisões judiciais e de intervenções de associações, entre elas a associação La Tuile.
Refere ainda pressões posteriores, incluindo avisos de possíveis represálias após a divulgação de comportamentos policiais, bem como a retirada da carta de condução sem motivo claro. Nos últimos tempos no país, afirma ter evitado circular em locais visíveis, por receio.
No centro de todo este relato está também a relação com a filha, que, segundo descreve, foi profundamente afectada por decisões externas, levando a um afastamento que considera injusto.
Este testemunho é também corroborado por pessoas próximas, como uma cliente de longa data, Cynthia, que, segundo é referido, conhece todo o percurso vivido.
Ao longo de cerca de quinze anos, entre Suíça, França e Portugal, o protagonista deste relato afirma ter enfrentado sistemas que, no seu caso, falharam gravemente, descrevendo o conjunto de acontecimentos como abusos de poder, decisões injustas e perdas pessoais irreparáveis.
A Suíça é muitas vezes apresentada como um exemplo de rigor, ordem e transparência. No entanto, há relatos que mostram um outro lado, mais sombrio, menos visível, onde o poder pode ultrapassar limites e onde os direitos nem sempre são respeitados como deveriam.
Neste testemunho, tanto ele como ela descrevem situações graves, detenções que consideram injustificadas, pressões institucionais, decisões que afectaram profundamente a vida familiar e a relação com a filha. Falam de um sistema que, em vez de proteger, por vezes oprime, e de mecanismos que, quando falham, deixam o cidadão completamente desamparado.
Quando o sistema erra nunca dão o braço a torcer, preferem ficar em silêncio do que pedir desculpas por danos psicológicos causados e ainda dizem, quando dizem, "em acto de boa vontade, retiramos a queixa ou damos-lhe a liberdade", como quem diz cala-te que estamos a ser pacientes!
Não estão a falar da paisagem, nem de gastronomia, da ordem aparente ou das qualidades que tantos elogiam. Estão a falar de experiências concretas, onde sentiram controlo excessivo, perda de direitos e uma sensação de injustiça que marcou as suas vidas.
As palavras são duras porque os factos, para eles, também o foram. E quando alguém chega ao ponto de comparar o que viveu com formas de repressão, não o faz por leviandade, mas por desespero e por tudo aquilo que sentiu na pele.
Este não é um julgamento abstracto, é um grito. Um alerta. Um testemunho que exige ser ouvido, não para destruir, mas para que se questione, se investigue e, se for caso disso, se corrija.
Porque quando o poder não é vigiado, pode ferir. E quando fere, deixa marcas que não desaparecem com o tempo.
Neste momento a situação do Sérgio é refugiar-se em Portugal, tem medo de vir à Suíça e que o voltem a prender e maltratar quando quiser ver por direito a sua filha.
Direito cívico como pai e como cuidador que o era e perdeu para o abstracto, para o oásis, para o sistema suíço que protege quase sempre as mulheres, porque o sistema valoriza mais as mulheres, fazendo dos homens abutres.
autor: Quelhas
Revista Repórter X / Repórter Editora

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