Grande parte dos trabalhadores na Suíça dizem que foram alvo de assédio

Grande parte dos trabalhadores na Suíça dizem que foram alvo de assédio:



A Revista Repórter X confirmou a degradação dos ambientes de trabalho nas pequenas e grandes empresas, mais nas grandes empresas, no qual os encarregados falam a mesma língua e discriminam os que não dominam a língua do país de acolhimento. Mas os discriminados não são só os portugueses, são também outras raças.
 
Uma grande parte de profissionais apresenta alto risco de burnout.

O assédio moral é o mais frequente. O número de profissionais que afirma ser “alvo de ameaças ou outra forma de abuso físico ou psicológico” no trabalho, incluindo humilhação, insultos, assédio sexual e despedimento provocado, está a aumentar de forma significativa, disparando de ano para ano, de acordo com relatos e testemunhos recolhidos entre trabalhadores portugueses e outros emigrantes.

Recordo um professor que veio de Espanha, andou todo o dia a varrer garagens e, no fim do dia, o chefe berrou com ele no primeiro dia de trabalho, atirou-lhe com uma vassoura, virou-lhe as costas e foi embora.

Lembro um homem que trabalhava com um grupo de trabalhadores e contou que faziam troça, risadas e insultos com um deles, o elo mais fraco, que aguentou anos aquele ambiente, e o chefe sabia e não fazia nada.

Outro caso refere dois jovens que trabalhavam juntos e que, fora do expediente de trabalho, foram tomar café. No dia seguinte, um deles foi acusado de querer abusar do outro, quando o caminho foi sempre público e sem qualquer acto escondido.

Há outro que recebe o despedimento porque o próprio chefe e uma funcionária o acusaram de assédio, isto porque a chefia dele estava em risco.

Num outro caso, alguém do grupo dizia aos chefes que determinados colegas falavam mal deles, quando nem sequer os conheciam fora dali. Quiseram obrigar um trabalhador a assinar o despedimento de contracto, tentando enganá-lo. A este não enganaram, mas mandaram-no embora na mesma.

Noutro caso, num restaurante, o funcionário assinou uma folha e, sem saber, assinou também o despedimento.

Para não falar da falta de segurança no trabalho, altura, locais perigosos, tarefas desajustadas.
 
Todos os que negam certos trabalhos por questões de segurança acabam despedidos ou marcados.

Outro tipo de discriminação são as horas longas de transporte não pagas. Muitos vão no seu próprio carro ou em transportes públicos e não recebem gasolina nem bilhetes de transporte.

Não dar pausa aos funcionários ou proibir de ir à casa de banho é uma das discriminações mais incompreensíveis.

Outra realidade é um, dois ou três trabalhadores vergarem as costas enquanto o dobro à volta está de costas direitas.

O soalheiro, o diz que diz, a crítica constante e o querer saber demais levam quase sempre não o envolvido aos problemas, mas o inocente, o fracassado, o frágil.

Obrigar alguém a fazer trabalhos que ninguém quer fazer e depois rirem-se nas costas é surreal.

O controlo absoluto sobre a pessoa, o trabalho e o serviço, sem dar espaço humano, é algo muito estranho.

Dirigir palavras impróprias e bocas foleiras, risos, arremesso de objectos, falar nas costas, tornou-se quase bullying em certos ambientes de trabalho.

Mas sujar, alagar, decompor, estragar ou destruir nas costas de outrem aquilo que outros fizeram bem é criminoso.

Lembro de quem, na sala de aulas, ia atrás meter garrafas e papéis nas mesas e cadeiras, tirava fotografias e enviava ao chefe. Lembro quem embaciava e metia os dedos nas janelas e espelhos da casa de banho numa loja para depois culpar outros.

Telefonarem à polícia e contarem o que se discutiu ao telefone sobre despedimento, sem qualquer base, dizendo ou acusando que o funcionário falou em ameaças, e a polícia ir interrogá-lo, foi desumano.

A discriminação está em qualquer lado e, se por acaso houver um delito naquela área, vão logo opinar sobre quem lá estava na sua vida.
 
Querem arranjar culpados, metendo inocentes ao barulho.

Polícia que na rua usa do poder e mete pelo cu das calças o cidadão dentro de uma carrinha sem ele perceber o porquê. Há tanta segurança, dizem.
 
Nós achamos é que há o uso da força e do medo e, por isso, a discriminação aumenta. Os culpados ficam impunes e os lesados ficam culpados.

Recordo também um homem negro que enchia sacos de cal e o chefe gozava com ele por ficar pintado de branco. Podia intercalar o trabalho de carga e descarga com outros funcionários brancos, mas não o fazia, e isso não era coincidência.

Outro tipo de discriminação é chamar “amarelos” aos trabalhadores do Leste e “tugas” aos portugueses.
 
Chamar “olhos de bico” a um asiático e “cara de café” a um mulato.

A discriminação está na rua, mas nos transportes públicos, porque são limitados, sente-se muito mais. Telefonas, ouves rádio, reclamam de tudo e de todos. Paras por necessidade o automóvel em sítios privados e és logo ameaçado, como se fosses comer o terreno de alguém.

A grande autoridade sobre tudo e todos é terrível na Suíça. O poder na cabeça de muitos faz desprezar quem se cruza com eles.
 
Ainda assim, muitos acabam por cair com denúncias como as nossas.

Salvaguardamos nomes e contamos passageiramente as histórias para não ferir susceptibilidades, mas os relatos existem, repetem-se e mostram um problema humano e social que já não pode continuar escondido.

autor: Quelhas

Revista Repórter X / Repórter Editora

Comentários

Anónimo disse…
Não é só em pequenas empresas, eu na Migros, sofri Racismo, porque sou Portuguesa, por um chefe, que já tinha feito o mesmo em 1 ou magasins, gracas à isso, fiquei com depressao, Fibromialgia , ménopausa precoce, 36 ou 38, anos, Lúpus fui despedida, porque por, já não ser polyvalente, fui despedida....
Anónimo disse…
Antes desse chefe, chegar tinha tinha um acidente de trabalho, espetei uma faca, numa perna, quando me baixei, fui ao hospital fui, cosida, e fui trabalhar, porque precisava, do emprego....mal conseguia andar, mas continuei a trabalhar, algum, tempo depois, cai em cima do punho, e foi o inicio, do caos, do pesadelo....há 3 anos e meio que estou à espera de uma resposta da AI, porque não consigo trabalhar....complicado, a vida de emigrante, quando não, temos apoio....e antes tinha já vivido 2ou 3 outros, problemas, em restaurantes, à nivel de assedio, agressées, etc