O bullying no trabalho e fora dele:
O Quelhas fez um estudo no qual confirmou certas atitudes desequilibradas, desumanas e com muitas falhas, como a segurança no trabalho. Há discriminação com o trabalhador logo à partida, começando nas empresas que discriminam as pessoas a partir dos 40 anos de idade, que são rejeitadas quando pedem emprego.
Ele tem vindo a confirmar a degradação, a manipulação e os vícios criados em torno da sociedade laboral, principalmente nos ambientes de trabalho na Suíça, quer em empresas particulares quer do Estado, embora os relatos apontem para uma incidência mais visível nas grandes estruturas, quer de um lado quer do outro.
O assédio moral surge como uma das formas mais frequentes de abuso. Dizer que és gordo, feio, alto, baixo, branco, negro, amarelo ou vermelho. Humilhações, insultos, ameaças, pressão psicológica, acusações infundadas, discriminação linguística, despedimentos provocados por maldade e abuso de poder de chefias fazem parte de um quadro cada vez mais preocupante.
Os portugueses não são os únicos atingidos. Todo o Ausländer é mais ou menos discriminado. O mais comum é não saber a língua, de onde vens, o teu tipo de saber ou a tua forma de falar. Se és culto ou inculto, por falta de escolaridade ou por teres uma vida sofrida.
Trabalhadores de outras nacionalidades e origens também relatam discriminação, sobretudo quando não dominam a língua do país de acolhimento ou quando pertencem ao grupo mais frágil dentro da empresa.
Há relatos de chefias que gritam, atiram objectos, ridicularizam trabalhadores, permitem troça continuada entre colegas e fecham os olhos perante abusos evidentes.
Há trabalhadores pressionados a assinar documentos que não compreendem e acabam despedidos sem saber que cometeram um erro ao assinar.
Outros são despedidos depois de recusarem tarefas perigosas. Outros ainda são acusados sem fundamento para proteger chefias em risco.
Também se repetem queixas sobre falta de segurança, deslocações longas não pagas, ausência de pausas, proibição ou limitação do uso da casa de banho ou até de fumar um cigarro, sobrecarga desigual de trabalho, intrigas internas, vigilância excessiva e destruição deliberada do trabalho feito por outros.
Temos queixas de quem vai fumar constantemente e ninguém diz nada, mas para os não fumadores ir à casa de banho já é controlado. Não somos iguais perante algumas chefias. Há compadrios.
O mais grave é que, muitas vezes, quem denuncia ou resiste acaba punido, enquanto quem humilha, mente ou manipula permanece protegido.
O medo instala-se. A vítima cala-se. O culpado continua.
Ser simpático, atencioso e até ajudar não é assediar. Mas, se há um maldoso do outro lado, logo inventa o assédio.
Quando o trabalho deixa de ser lugar de sustento e passa a ser lugar de perseguição, alguma coisa está profundamente errada. A protecção deveria começar nos chefes, mas, quando a liberdade deles começa, a nossa acaba.
A Suíça fala muito de segurança, ordem e justiça.
Mas, para muitos trabalhadores, o que existe é medo, silêncio e abuso de poder. E, onde o medo manda, a dignidade perde lugar.
A Suíça não é um país de liberdade total. Estás sempre a ser controlado pelo sistema e não podes descarrilar, senão vais pagar bem caro com o corpo e com a mente.
autor: Quelhas
Revista Repórter X / Repórter Editora

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