O hantavírus e o negócio do medo:
Um caso isolado num navio em pleno mar bastou para lançar novamente o mundo no alarme mediático. O surto associado ao navio MV Hondius transformou-se rapidamente em manchetes, alertas internacionais e discursos de urgência sanitária. O medo espalhou-se mais depressa do que os próprios factos conhecidos sobre o hantavírus.
Apesar de a própria ciência continuar a afirmar que a transmissão entre humanos é rara e limitada, a comunicação social intensificou o tema de forma massiva. Fala-se diariamente de riscos globais, possíveis vacinas, antivirais e novas tecnologias farmacêuticas, enquanto muitos consideram que a raridade estatística da doença é omitida ou colocada em segundo plano.
Ao mesmo tempo, grandes farmacêuticas atravessam um período de quebra de receitas após o fim do auge das vacinas pandémicas anteriores. Empresas como a Pfizer enfrentam quedas nos lucros e procuram inevitavelmente novos mercados, novos investimentos e novas áreas comerciais.
É precisamente aqui que cresce a desconfiança. Para muitos críticos, o medo volta a ser usado como ferramenta de aceitação pública. Um vírus raro passa subitamente a ocupar o centro do debate mundial e, quase ao mesmo tempo, começa a surgir toda uma narrativa em torno da necessidade de novos produtos farmacêuticos.
Na opinião de muitas pessoas, a OMS, grandes farmacêuticas, sectores políticos influentes, membros do G7 e os chamados donos do dinheiro mundial caminham demasiadas vezes lado a lado. Acreditam que existe uma ligação profunda entre interesses económicos, política internacional, comunicação social e indústria farmacêutica, moldando a narrativa pública à escala global.
Também cresce a sensação de que a comunicação social já não informa apenas, mas acompanha e amplifica os interesses políticos e económicos dominantes. O medo tornou-se um instrumento poderoso de influência colectiva.
A política e a comunicação social andam hoje muitas vezes de mãos dadas. E quem criou a própria política foi, em grande parte, a religião ao longo da História. Tudo parece ligado, para o bem e para o mal. O poder, a influência, o dinheiro, a fé e o controlo das narrativas sempre caminharam juntos ao longo dos séculos.
A grande questão permanece: estamos perante uma verdadeira prevenção sanitária ou perante mais um gigantesco movimento de marketing alimentado pelo medo colectivo?
autor: Quelhas
Revista Repórter X / Repórter Editora

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