Póvoa de Lanhoso, vila ou cidade?
Está a ser uma vergonha estas atitudes, debates, acusações e escritos nas redes sociais. Há muitos povoenses que nem sabem de que se trata e se ser cidade pode ser melhor que ser vila, quando isto pode ser um capricho do PS local e do Sr. Presidente Frederico Castro, no qual o Sr. Presidente da Junta de Freguesia, Paulo "Carteiro", defende o interesse dos povoenses.
Ser cidade será tudo mais caro. Ser vila também tem direito a ajudas comunitárias. A Vila da Póvoa de Lanhoso deve ser uma vila histórica, lutar para que seja uma vila histórica. Terra de Maria da Fonte, cujo hino foi símbolo de resistência popular e chegou a marcar profundamente a história nacional, um castelo onde viveu a nobreza e onde repousa uma parte importante da memória de Portugal.
Nenhuma vila em Portugal tem tanto direito e tanta história para ser reconhecida como Vila Histórica. Os políticos que se deixem de vaidades.
Primeiro deveriam reunir em sede própria e conhecer as ideias de todos os partidos com assento na Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso. Havendo acordo, então dariam a notícia à população. Se não existisse acordo, deveriam encerrar a discussão até existir entendimento entre as várias forças políticas.
Por outro lado, a votação, legal ou ilegal, de facto teve peso, porque a Junta de Freguesia respeitou os seus moradores e procurou ouvir quem quis participar.
Por outro lado, eu, como povoense, não concordo que a votação fosse apenas centralizada na Freguesia de Nossa Senhora do Amparo, Póvoa de Lanhoso, mas sim em todo o concelho. A votação podia não ser expressiva, mas não votou quem não quis, excepto os emigrantes, que também deveriam poder votar através de um formulário electrónico seguro ou outro mecanismo adequado.
O Sr. Presidente da Câmara não pode decidir sozinho por toda a população e deve, juntamente com o Sr. Presidente da Junta de Freguesia, promover um verdadeiro referendo concelhio para ouvir democraticamente todos os cidadãos.
Mais importante do que discutir títulos é discutir problemas reais. Os povoenses precisam de melhores acessibilidades, mais emprego, mais habitação para os jovens, mais investimento, mais serviços públicos e melhores condições para quem vive, trabalha e paga impostos no concelho.
Uma cidade não se faz apenas por decreto. Faz-se pela força da sua economia, pela qualidade dos seus serviços, pela capacidade de fixar população e pelo orgulho das suas gentes. A história da Póvoa de Lanhoso não precisa de um novo nome para ter valor. O seu valor existe há séculos.
Antes de se falar em cidade, talvez fosse mais importante lutar pelo reconhecimento nacional da Póvoa de Lanhoso como Vila Histórica, honrando verdadeiramente o legado de Maria da Fonte, do Castelo de Lanhoso e de todas as gerações que construíram esta terra.
A identidade de um povo não se mede por um título administrativo. Mede-se pela sua história, pela sua cultura, pelas suas tradições e pelo respeito devido à vontade da população.
Nota de rodapé:
Eu, como povoense, digo claramente: não à cidade, sim à Vila Histórica.
Esta é a minha opinião pessoal e vale apenas como a opinião de mais um cidadão entre muitos outros. Respeito quem pensa de forma diferente e defende a elevação da Póvoa de Lanhoso a cidade. Contudo, entendo que a verdadeira riqueza da nossa terra não está num título administrativo, mas na sua história, nas suas tradições e na sua identidade.
Defendo que a Póvoa de Lanhoso deve lutar pelo reconhecimento como Vila Histórica, terra de Maria da Fonte, do Castelo de Lanhoso e de um património que poucos concelhos portugueses podem igualar.
Mas, acima de tudo, entendo que os responsáveis políticos povoenses deveriam dar a oportunidade a todos os cidadãos do concelho de se pronunciarem. Uma decisão desta importância não deve ficar limitada a uma parte da população nem a uma única freguesia. Todos os habitantes do concelho deveriam poder votar e participar.
Também os emigrantes, que continuam ligados à sua terra, deveriam ter a possibilidade de expressar a sua opinião através de meios adequados.
Se a elevação a cidade é realmente aquilo que os povoenses desejam, então não deve existir qualquer receio em ouvir democraticamente toda a população. A vontade do povo deve estar acima das vontades partidárias, dos interesses momentâneos e das vaidades políticas.
A Póvoa de Lanhoso não precisa de dividir os povoenses. Precisa de unir vontades em torno do seu futuro, preservando ao mesmo tempo o seu passado, a sua identidade histórica e o legado único de Maria da Fonte, do Castelo de Lanhoso e das gerações que fizeram desta terra uma referência do Minho e de Portugal.
Revista Repórter X / Repórter Editora

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