Leem o título do texto, respondem ao que imaginam e esquecem o que foi escrito:

Leem o título do texto, respondem ao que imaginam e esquecem o que foi escrito:


Vivemos numa época contraditória. Nunca houve tanto acesso à informação e, ao mesmo tempo, nunca se verificou tanta dificuldade em interpretar correctamente aquilo que se lê.
Quem publica notícias, reportagens, artigos de opinião ou denúncias depara-se frequentemente com um problema que se repete todos os dias nas redes sociais: a falta de interpretação.
Muitas pessoas não respondem ao conteúdo do texto. Não analisam os argumentos. Não procuram compreender a mensagem principal. Limitam-se a ler o título, uma frase isolada ou meia dúzia de palavras e, a partir daí, constroem uma ideia própria que nem sempre corresponde ao que foi efectivamente escrito.
A Revista Repórter X observa este fenómeno com frequência.
Publica-se um texto sobre acidentes de trabalho e aparecem comentários sobre assuntos completamente diferentes.
Publica-se uma reflexão sobre dificuldades dos emigrantes e surgem respostas relacionadas com temas que não foram abordados.
Publica-se uma reportagem ou uma opinião e, em vez de existir uma análise do conteúdo, aparecem interpretações que pouco ou nada têm a ver com a mensagem transmitida.
Isto não acontece apenas por divergência de opiniões.
Muitas vezes acontece por falta de interpretação e, em alguns casos, por falta de cultura de leitura.
Ler não é apenas passar os olhos por palavras.
Ler implica compreender.
Ler implica relacionar ideias.
Ler implica perceber o contexto.
Ler implica distinguir entre aquilo que está escrito e aquilo que imaginamos que está escrito.
Infelizmente, as redes sociais habituaram muitas pessoas à leitura rápida, superficial e apressada. Tudo é consumido em segundos. Um título. Uma fotografia. Uma frase destacada. E logo surge uma opinião.
Mas uma notícia não é apenas um título.
Uma reportagem não é apenas uma imagem.
Um artigo de opinião não se resume a uma frase retirada do contexto.
Quem deseja comentar de forma séria deve primeiro ler o texto completo. Deve fazê-lo devagar, com calma e atenção. E quando existir alguma dúvida sobre o significado da mensagem, talvez seja prudente voltar atrás e ler uma segunda vez.
Não existe vergonha nenhuma em reler um texto.
Pelo contrário.
A releitura é muitas vezes um sinal de inteligência, respeito e interesse pelo assunto.
Ao reler, descobrem-se pormenores que escaparam à primeira leitura. Compreendem-se melhor os argumentos. Evitam-se mal-entendidos. E reduz-se significativamente o risco de responder a algo que nunca foi dito.
Muitas discussões nas redes sociais não nascem de diferenças de opinião. Nascem de interpretações erradas.
Uma pessoa escreve sobre um assunto.
Outra responde a um assunto diferente.
Uma fala de uma realidade.
Outra combate uma realidade que não está no texto.
E assim surgem conflitos, atritos e acusações que poderiam ser evitados com uma leitura mais atenta.
A crítica continuará sempre a ser bem-vinda.
A discordância continuará sempre a fazer parte de uma sociedade livre.
Mas para que exista um verdadeiro debate é necessário um esforço mínimo de compreensão.
Primeiro ler.
Depois interpretar.
Depois pensar.
E só então comentar.
A Revista Repórter X continuará a publicar notícias, reportagens, opiniões e denúncias sobre os mais variados temas.
Aos leitores pede apenas uma coisa simples: leiam o texto completo, leiam devagar, leiam com calma e, se necessário, leiam duas vezes.
Porque compreender uma mensagem é sempre mais importante do que responder depressa.

Revista Repórter X / Repórter Editora

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