A escravidão moderna ainda existe, apenas mudou de rosto
Opinião Repórter X
A escravidão moderna ainda existe, apenas mudou de rosto
Quando se fala em escravidão, muitos pensam apenas nas correntes de outros séculos. Na nossa opinião, a escravidão moderna continua bem viva, apenas veste fato, usa computador, cartão de ponto e contrato de trabalho.
Há quem tenha sorte e nunca passe por isso. Outros vivem essa realidade durante anos.
Há escravos dos baixos salários, que trabalham um mês inteiro e, no fim, mal conseguem pagar renda, seguro de saúde, impostos e as restantes despesas. Há escravos das horas extraordinárias, que vivem para trabalhar e deixam para trás a família, os filhos, os amigos e a própria saúde.
Há quem seja escravo de um chefe incompetente, mesmo quando o patrão é uma boa pessoa. O abuso de poder, a pressão psicológica, o medo constante de perder o emprego, a humilhação pública e a falta de reconhecimento transformam muitos locais de trabalho em ambientes de sofrimento.
Existe também a discriminação racial, laboral e social. Há trabalhadores que sentem que são tratados de forma diferente pela cor da pele, pela nacionalidade, pelo apelido, pela religião, pela idade ou simplesmente por serem estrangeiros. Outros sentem que a região de onde vêm influencia a forma como são vistos, criando preconceitos que nada têm a ver com a capacidade profissional.
A dificuldade em dominar a língua do país é outra realidade. Muitos trabalhadores relatam sentir que têm menos capacidade para se defender, compreender procedimentos, reclamar direitos ou fazer valer a sua versão dos acontecimentos. Quando isso acontece, podem sentir uma maior dependência de terceiros e uma maior vulnerabilidade perante entidades públicas ou privadas.
Também há quem sinta diferenças na forma como é tratado dentro e fora do trabalho. No emprego, na procura de habitação, no atendimento ao público, nas instituições ou em determinados serviços, alguns cidadãos consideram que nem todos são recebidos com a mesma disponibilidade ou respeito.
Há ainda quem viva escravo da burocracia, da insegurança, dos contratos precários, da incerteza quanto ao futuro, do receio de denunciar irregularidades ou de exigir os seus direitos por medo de represálias.
Puta que pariu, há situações de discriminação que fazem muitas pessoas sentirem-se verdadeiros escravos dos tempos modernos.
Importa igualmente dizer que nem todas as empresas, chefias ou instituições actuam desta forma. Existem empregadores exemplares, colegas solidários e funcionários públicos que cumprem o seu dever com profissionalismo. Mas também existem relatos de experiências negativas que merecem ser discutidas e combatidas.
A Revista Repórter X considera que uma sociedade verdadeiramente justa combate qualquer forma de discriminação, protege quem trabalha honestamente e garante que ninguém seja tratado como cidadão de segunda por causa da sua origem, da língua que fala ou da sua condição social.
Agora, opinar sobre a vida dos outros é fácil. Viver estas situações é outra realidade.
Quelhas, director revista repórter X
Revista Repórter X / Repórter Editora

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