Poema: Cinzas e estilhaços de guerra

Cinzas e estilhaços de guerra

Na pedra que dorme sob o céu quebrado,
há ecos de vozes que o tempo calou.
Eram mães, eram rios, eram filhos,
despidos da luz que o mundo negou.

As lanças do norte não vinham por glória,
mas por medo das sementes alheias.
E os deuses revoltam-se com a humanidade,
de tantas atrocidades e guerras estão cheios.

A harpa partiu-se no grito do fogo,
com o troar e morte dos canhões.

O lobo canta sua última prece,
e, sob a lua, de prata ferida,
um uivo de terror e morte,
que o negro corvo conta a quem desaparece.

Não há túmulo onde repousa o vento,
não há medalhas nem coroas para a dor sem nome.
Mas há musgo cobrindo túmulos de memórias,
há raízes que lembram quem morre.

Seria tempo, enfim, de parar com a chacina
e caminhar, passos firmes, para a nova vida.

E, mesmo que os cantos se apaguem,
há um tambor no ventre da terra,
chamando de volta os ausentes,
entre as cinzas e estilhaços de guerra.

Parem... Não matem mais.

Olhem... A miséria e a desgraça em vosso redor.

Escutem... Os gritos dilacerantes e os ais.

Façamos, de mãos dadas, uma nova vida.

Acabemos com a guerra e colhamos amor.


Grupo poético caminho de sensibilidade

192.º Encontro Pôr do Sol

Tema: "Passagem para uma nova vida"
Autor: José Maria Ramada
País: Portugal
Data: 20/08/2025




Revista Repórter X / Repórter Editora

Comentários