Portugal elimina a Croácia, mas o tempo a mais e o VAR deixam polémica:

Portugal elimina a Croácia, mas o tempo a mais e o VAR deixam polémica:




Portugal venceu a Croácia por 2 vs 1 e seguiu em frente, mas o jogo ficará marcado menos pelos nomes dos jogadores e mais pelos lances, pelos golos, pelos golos anulados fora de jogo, pelo penalti e por um final que deixa muitas perguntas.

Apesar de Portugal na primeira parte jogar melhor e com mais oportunidades de golo, a Croácia marcou primeiro, aos 53 minutos, por Ivan Perišić, colocando Portugal em desvantagem. Aos 68 minutos, Cristiano Ronaldo empatou de grande penalidade, depois de intervenção do VAR. Já nos acréscimos, aos 94 minutos, Gonçalo Ramos marcou o golo da vitória portuguesa, fazendo o 2 vs 1.

Antes disso, Cristiano Ronaldo tinha chegado a marcar aos 61 minutos, já na segunda parte, mas o lance foi anulado por fora de jogo. A Croácia também viu dois golos anulados por impedimento, um de Andrej Kramarić e outro de Luka Modrić, o que aumentou ainda mais a sensação de frustração da equipa e dos seus adeptos. Mais tarde, quando o jogo parecia terminado, surgiu o momento mais dramático da noite: a Croácia marcou aos 103 minutos por Bruno Petković, num lance que daria o empate, mas o golo foi anulado por impedimento, já depois dos 12 minutos de compensação inicialmente indicados.

E é aqui que nasce a grande discussão. Foram dados 10 minutos de compensação, mas o lance que poderia ter levado a Croácia para nova vida aconteceu para lá dos 12 minutos de tempo adicional, numa decisão gerida pelo árbitro Daniele Orsato. Isto é difícil de aceitar. O futebol tem regras, tem tempo regulamentar e tem compensação. Por mais que se goste de uma equipa ou de outra ou que destestemos o tempo extra, principalmente para quem está a ganhar a partida, pois quando são dados 10 minutos, o jogo não deve arrastar-se muito para além disso sem uma razão clara e visível.

Imagine-se que esse golo croata tinha sido validado e que a Croácia acabava por passar à fase seguinte. A polémica correria o mundo. Portugal sentir-se-ia roubado, a Croácia defenderia o seu direito ao lance e o jogo ficaria manchado por uma decisão difícil de explicar.

Antigamente, sem VAR, a história poderia ter sido outra. Alguns golos em fora de jogo talvez tivessem valido, o penálti talvez não tivesse sido assinalado e a Croácia poderia ter saído vencedora. Nesse tempo, tudo dependia do olhar do árbitro e dos bandeirinhas, muitas vezes mal colocados, pressionados pelo ambiente e pela velocidade do jogo.

Hoje há tecnologia, mas continua a haver polémica. O VAR corrige, mas também interrompe. Esclarece, mas também confunde. E quando o tempo dado é ultrapassado de forma tão evidente, o futebol deixa de parecer jogo e começa a parecer julgamento.

Portugal segue em frente, a Croácia fica pelo caminho, mas este Portugal, Croácia ficará como mais um exemplo de que o futebol moderno tem máquinas, linhas e câmaras, mas continua sem conseguir calar a velha pergunta: afinal, onde termina a justiça e começa a confusão.

Quelhas, director revista repórter X


Revista Repórter X / Repórter Editora

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