Póvoa de Lanhoso: oposição endurece críticas ao executivo socialista:
A vida política na Póvoa de Lanhoso continua marcada pela troca de críticas entre oposição e executivo municipal.
Na última Assembleia Municipal, realizada a 27 de Junho, o PSD acusou a Câmara Municipal de promover um aumento da carga fiscal e de apresentar uma gestão financeira que considera preocupante.
Segundo o partido, registaram-se aumentos no IMI e na derrama, medidas que, na sua opinião, penalizam as famílias e as empresas, retirando poder de compra aos munícipes e reduzindo a atractividade do concelho para novos investimentos.
Os sociais-democratas apontam igualmente para uma execução do investimento municipal abaixo do previsto. Com base nos dados da execução orçamental de 2025, referem que foram executados cerca de 8,9 milhões de euros, quando estavam previstos 14,5 milhões, correspondendo a uma taxa de execução de 61,6%. Entre as áreas apontadas como mais afectadas encontram-se a acção social, a habitação, a cultura e o desporto.
Outro dos pontos levantados prende-se com a dívida municipal. O PSD afirma que esta terá aumentado para cerca de 16,6 milhões de euros em 2025, quando em 2021 rondava os 7 milhões de euros, referindo ainda um défice primário superior a um milhão de euros.
A Junta de Freguesia de Nossa Senhora do Amparo voltou igualmente ao centro do debate político. O PSD critica a decisão da Câmara de denunciar o protocolo relativo à limpeza das vias e espaços públicos, sarjetas e sumidouros, passando o serviço para gestão directa do município. O partido questiona a falta de notificação prévia à Junta e considera que esta decisão poderá representar um aumento da despesa pública.
Também a recusa de cedência de espaço para a realização do Dia da Criança, iniciativa organizada há mais de uma década pela Junta de Freguesia, foi apontada como exemplo da degradação das relações institucionais entre o Município e aquela autarquia.
Entretanto, foi divulgado um vídeo da intervenção do Presidente da Junta de Freguesia da Póvoa de Lanhoso, Paulo Silva, na Assembleia Municipal, onde explica a posição da Junta relativamente à proposta apresentada pela Câmara para a resolução do auto de transferência de recursos referentes à limpeza das vias e espaços públicos, sarjetas e sumidouros.
Para além das críticas apresentadas pelo PSD, continuam a ser levantadas outras questões na vida política local. Entre elas surgem o aumento dos impostos municipais, a continuidade da Braval como destino dos resíduos do distrito de Braga, as críticas de quem considera existir uma aposta excessiva em festas e eventos em detrimento de investimentos estruturantes e, ainda, o debate em torno da eventual elevação da Póvoa de Lanhoso a cidade.
Sobre este último tema, continuam a existir posições divergentes. Há quem considere que a vila reúne condições para alcançar o estatuto de cidade, enquanto outros entendem que o processo permanece condicionado por opções políticas do actual executivo socialista.
A discussão promete manter-se nos próximos meses, à medida que se aproximam novos momentos de decisão política e eleitoral no concelho.
Nota de rodapé da Repórter X
Os povoenses deram conta de que o Presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso afirmou que lhe doaram um terreno junto da Braval para construir uma fábrica.
A pergunta fica no ar: será que não fizeram, ou querem fazer, o que aconteceu na Rua da Veiga, onde foi tomado um terreno contra a vontade de muitos moradores para permitir a passagem de automóveis para um parque de estacionamento?
Um dos moradores fez chegar o caso ao PSD e também tentou dialogar directamente com o Presidente do executivo. Segundo o próprio, nem um nem outro quiseram saber da situação. Na opinião do denunciante, também a oposição do PSD não quis dar seguimento às preocupações apresentadas pelos povoenses.
O caso foi posteriormente apresentado ao Ministério Público, mas, na opinião do denunciante, o processo não teve o seguimento esperado. O mesmo cidadão afirma que esta é já a terceira vez que uma magistrada do Ministério Público impede que a acusação chegue à apreciação de um juiz. O denunciante acrescenta ainda que o Ministério Público funciona nas instalações da Câmara Municipal, circunstância que, na sua opinião, suscita dúvidas quanto à total independência do processo.
Perante esta situação, o cidadão informa que irá solicitar a intervenção de outras entidades, na esperança de que o processo possa ser devidamente apreciado por um tribunal.
Entidades às quais o cidadão pretende pedir ajuda:
• Procuradoria-Geral da República.
• Conselho Superior do Ministério Público.
• Provedor de Justiça.
• Inspecção do Ministério Público, através do Conselho Superior do Ministério Público, caso entenda existir fundamento para averiguar a actuação da magistrada.
Segundo o denunciante, caso a situação não seja revista, recorrerá às instâncias judiciais competentes para que seja determinada a apresentação da documentação que, alegadamente, comprovará que o terreno pertence à Câmara Municipal e não ao condomínio. Na sua opinião, se essa documentação existe, não se compreende porque continua a não ser facultada. Essa circunstância levanta dúvidas que apenas poderão ser esclarecidas com a sua apresentação. Caso se viesse a provar que algum documento foi falsificado, tal constituiria um facto susceptível de configurar um crime.
A Repórter X acompanhará este caso e dará conta de qualquer desenvolvimento relevante.
Revista Repórter X / Repórter Editora

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