Tagblatt de Zurique: um jornal que ainda fala com a cidade

Tagblatt de Zurique: um jornal que ainda fala com a cidade




Ao longo dos últimos dias, João Carlos Quelhas leu atentamente várias coleções de páginas do Tagblatt der Stadt Zürich, um jornal local que continua a chegar gratuitamente às casas dos habitantes da cidade de Zurique.

O Tagblatt der Stadt Zürich é um dos jornais locais mais antigos da cidade. A sua origem remonta ao século XVIII, tendo sido fundada em 1730. Actualmente apresenta uma tiragem próxima dos 100 mil exemplares distribuídos regularmente pelos lares de Zurique, chegando a praticamente toda a população da cidade.

Logo na capa desta edição surgem alguns dos temas centrais que marcam a vida da cidade. O principal destaque é dado ao debate sobre a ponte da Rosengartenstrasse, sob o título «Am Streit führt keine Brücke vorbei» (O conflito não desaparece com uma ponte), um tema ligado ao trânsito, urbanismo e planejamento da cidade.

A capa anuncia ainda reportagens sobre uma hora misteriosa na cidade, o apoio político ao aeroporto de Zurique, a história do herói do teatro de Zurique, a participação da cidadania nas decisões públicas e diversos assuntos oficiais da administração municipal.

A leitura revela um conceito diferente daquele que hoje domina grande parte da comunicação social. Em vez de viver apenas de notícias nacionais e internacionais, o Tagblatt dedica grande parte das suas páginas à vida concreta da cidade.

Nas suas edições encontram-se política municipal, decisões da Câmara de Zurique, obras públicas, trânsito, habitação, cultura, associações, eventos de bairro, atividades para idosos, iniciativas para crianças, anúncios oficiais, concursos públicos, falências, nascimentos, óbitos, opiniões dos leitores e até passatempos.

Entre os temas mais relevantes desta edição destacam-se também a criação da Via Natura, um percurso circular de 235 quilómetros no Cantão de Zurique, os projectos ambientais de redução de emissões, a revitalização de espaços urbanos, actividades culturais, concertos, exposições, teatro, museus, debates públicos e iniciativas destinadas à integração social.

Para João Carlos Quelhas, o aspecto mais interessante é precisamente esta proximidade com os cidadãos. O jornal funciona quase como uma ponte permanente entre a administração municipal e a população.

Ao folhear as suas páginas percebe-se que a cidade fala diretamente com os moradores. Há informação prática sobre ruas, transportes, habitação, serviços públicos e decisões políticas que afectam o quotidiano das pessoas.

Outro elemento que merece destaque é o espaço concedido às associações, à cultura local e à participação dos leitores. Muitas páginas são dedicadas a atividades comunitárias, exposições, concertos, debates e testemunhos de cidadãos.

Também chama a atenção a transparência administrativa. Diversas páginas são reservadas a informações oficiais, concursos, obras, alterações de trânsito, notificações públicas e outros atos administrativos que em muitos países raramente chegam ao conhecimento da população de forma tão acessível.

Naturalmente existe publicidade. Mas a publicidade surge integrada num modelo que continua a privilegiar o serviço público local.

Depois da leitura integral desta edição, João Carlos Quelhas considera o Tagblatt der Stadt Zürich um bom exemplo de jornalismo de proximidade, demonstrando que um jornal pode continuar a informar, aproximar cidadãos e instituições e preservar a identidade de uma comunidade.

Num tempo em que muitos jornais se afastam dos problemas concretos das pessoas, o Tagblatt mostra que a vida de uma cidade continua a merecer espaço, atenção e voz.

autor: Quelhas

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