Troca de acusações entre Deputado e Revista Repórter X :
A verdade acaba sempre por vir ao de cima, como o azeite.
A polémica que recaiu sobre a vinda do activista Afonso Gonçalves à Suíça, mais precisamente a Payerne e Friburgo, envolveu o deputado pelo Círculo da Europa José Dias Fernandes, José Abreu, da Juventude do Chega em Zurique, a Revista Repórter X, os alegados lesados da SUVA e mães que afirmam ter perdido os seus filhos em processos da KESB.
A questão nunca teve origem no facto de o deputado ter comparecido ou não em Payerne. O que esteve em causa foi não ter comunicado, de forma definitiva, que não estaria presente no Domingo. A decisão de comparecer ou não era exclusivamente sua, e sempre respeitámos esse direito.
Sabemos que José Dias Fernandes esteve no Sábado anterior com o Movimento dos Cravos Negros. Nessa altura, escreveu a João Carlos Quelhas, através do WhatsApp, que este o tinha colocado «debaixo de fogo», que se encontrava ao telefone com André Ventura e que estava a ser chamado à atenção devido ao possível encontro marcado para o Domingo, em Payerne.
O verdadeiro problema surgiu quando alguns dos acompanhantes não aceitaram o sucedido e consideraram que tinham sido enganados. Posteriormente, foram divulgadas declarações públicas que, no nosso entendimento, não correspondem aos acontecimentos e colocam em causa o bom nome e a credibilidade desta publicação.
O deputado José Dias Fernandes afirmou que esteve em França e não na Suíça. Contudo, existem elementos que apontam noutra direcção, nomeadamente testemunhos recolhidos presencialmente em Payerne, fotografias e textos publicados no Facebook, mensagens trocadas entre o deputado e João Carlos Quelhas através do WhatsApp e uma mensagem em vídeo enviada a uma mãe.
Nesse vídeo, segundo o conteúdo que chegou à nossa posse, o deputado terá procurado desencorajar essa mãe e possível outras pessoas de acompanharem a Revista Repórter X e Afonso Gonçalves. No nosso entendimento, essa comunicação tentou condicionar a presença dos lesados da SUVA e das mães ligadas aos processos da KESB no encontro de Payerne.
Sabendo que estas pessoas se deslocariam ao local, o deputado acabou por não aparecer no Domingo, apesar de termos reservado uma sala privada para uma conversa. Foi igualmente feito o convite para que seguissem depois para Friburgo, embora essa presença não tenha sido confirmada, por alegados compromissos de agenda. Pelas mensagens de que dispomos, o destino previsto seria Lenzburg.
Durante vários dias existiram contactos com vista à presença do deputado nas comemorações de São João, em Payerne. Nesse encontro estariam igualmente o activista Afonso Gonçalves, alegados lesados da SUVA e mães que afirmam ter perdido os seus filhos em processos da KESB. Muitas pessoas deslocaram-se ao local na expectativa de uma reunião que não chegou a acontecer.
José Dias Fernandes acabou por não comparecer no Domingo.
Nunca criticámos essa ausência. Qualquer pessoa tem o direito de alterar a sua agenda ou de decidir não participar num determinado encontro. O pior de tudo foi a versão posteriormente apresentada e a tentativa de responsabilizar quem se deslocou a Payerne de boa-fé.
A ruptura surgiu quando começaram a ser publicadas diferentes versões dos acontecimentos, a começar por um texto do próprio deputado, seguido de outras intervenções que, no nosso entendimento, não correspondem aos factos e responsabilizam injustamente a Revista Repórter X.
Foi então que se iniciou uma troca pública de acusações entre José Dias Fernandes, José Abreu, da Juventude do Chega em Zurique, e João Carlos Quelhas, em representação desta publicação.
Perante essas acusações, entendemos ser nosso dever responder com documentos e não apenas com palavras.
Entre os elementos públicos encontra-se uma publicação partilhada por José Abreu, reproduzindo uma comunicação do Grupo Parlamentar do Chega, na qual é referido que o deputado José Dias Fernandes esteve em Payerne e em Lenzburg, na Suíça. Essa publicação é acompanhada por fotografias da visita.
Há ainda a mensagem em vídeo enviada através do WhatsApp, os testemunhos recolhidos em Payerne e as mensagens trocadas entre os intervenientes.
A publicação partilhada por José Abreu constitui um elemento relevante para a compreensão dos acontecimentos, uma vez que confirma publicamente a presença do deputado em Payerne. Não somos nós que fazemos essa afirmação. Trata-se de uma comunicação divulgada pelo próprio universo do Chega.
É precisamente por esse motivo que consideramos legítimo questionar algumas das declarações posteriormente tornadas públicas e apresentar aos leitores os elementos documentais de que dispomos.
Ao longo deste processo surgiram igualmente mensagens, comentários e outras comunicações que contribuíram para aumentar o clima de tensão entre as partes.
Optámos por responder através de documentos, publicações, fotografias, testemunhos e outros elementos, em vez de recorrer a ataques pessoais.
Ao longo da sua existência, a Revista Repórter X sempre deu voz a quem muitas vezes não encontra espaço noutros órgãos de comunicação social. Foi assim com alegados lesados da SUVA, com mães ligadas a processos da KESB, com emigrantes e com muitas outras pessoas que procuraram apenas ser ouvidas.
A nossa missão nunca foi defender partidos políticos nem atacar pessoas. A nossa missão é dar voz a quem não tem voz, ouvir todas as partes e permitir que os leitores conheçam diferentes perspectivas.
Quando a nossa credibilidade é colocada em causa, temos o dever de responder.
Não com insultos.
Não com campanhas pessoais.
Mas com documentos, datas, publicações, fotografias, mensagens, testemunhos e factos que possam ser analisados por qualquer cidadão.
Cada leitor é livre de tirar as suas próprias conclusões.
O deputado José Dias Fernandes e a Revista Repórter X estavam a desenvolver um trabalho positivo em torno destes casos sociais. Porém, os próprios intervenientes acabaram também por contribuir para a criação de um clima tenso entre o deputado e João Carlos Quelhas, sobretudo devido à vinda de Afonso Gonçalves à Suíça.
O activista faz igualmente parte desta situação, uma vez que, no nosso entendimento, demonstrou maior interesse em encontrar-se com o deputado do que em dar voz aos lesados da SUVA e às mães que lutam contra decisões da KESB.
Alguns dossiês não foram entregues à Revista Repórter X, por indicação do deputado José Dias Fernandes. Segundo foi então transmitido, esses documentos destinavam-se a uma possível acção contra o Estado suíço e seriam também entregues a Ana Leal, da SIC, para investigação.
O deputado chegou igualmente a convidar João Carlos Quelhas para estar presente em três locais, juntamente com cerca de dez deputados portugueses e suíços. Porém, acabou por se deslocar sem esses deputados e encontrou-se com a Juventude do Chega e com o Movimento dos Cravos Negros.
Estas mudanças de posição, seguidas da tempestade pública que se instalou, levaram João Carlos Quelhas a decidir desvincular-se do Chega enquanto delegado junto do Consulado-Geral de Portugal em Zurique, assim como do acompanhamento directo dos lesados da SUVA e das mães que lutam contra decisões da KESB. A sua imagem e a credibilidade do trabalho realizado valem mais do que qualquer filiação política ou disputa pessoal.
Por causa desta situação, centenas de pessoas poderão deixar de ter um vínculo directo de ajuda que, ao longo do tempo, incluiu acompanhamento a advogados, médicos, reuniões com a UNIA, contactos com o Consulado, entidades privadas e governamentais, redacção de cartas, traduções, organização de eventos solidários, distribuição de cabazes alimentares através da Igreja Católica, cartões da Migros, vales de compras e outras ajudas privadas.
Continuaremos a exercer o nosso trabalho com independência, transparência e respeito pelos leitores, mantendo o compromisso assumido desde a fundação: procurar a verdade dos factos e dar voz a quem muitas vezes ninguém quer ouvir.
Porque as versões podem mudar.
Os factos permanecem.
Revista Repórter X
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