Bülach atingida por violenta saraivada, pedras de gelo destroem carros, vidros, persianas e vegetação:

Categoria: Sociedade, Ambiente e Actualidade

Autor: João Carlos Quelhas





Uma violenta tempestade acompanhada por uma queda de saraiva de dimensão invulgar atingiu Bülach, provocando estragos consideráveis em automóveis, habitações, árvores, jardins e varandas.

As imagens recolhidas pela Revista Repórter X mostram a dimensão do fenómeno em diferentes pontos da cidade, particularmente na Glasi, zona nova de Bülach, e no centro, cidade velha.

Pedras de saraiva de grandes dimensões partiram vidros de automóveis e habitações, danificaram persianas, deformaram chapas, quebraram árvores e ramos, destruíram plantas e espalharam enormes quantidades de folhas pelas ruas.

Numa das imagens, as pedras de saraiva foram apanhadas do chão e colocadas num recipiente, quase como quem recolhe ovos. Algumas aproximavam-se visualmente da dimensão de ovos de garnizé.

Plantas e floreiras destruídas na Glasi

Na Glasi, uma varanda ficou profundamente marcada pela tempestade. Antes da saraivada encontravam-se ali numerosas plantas viçosas e floridas. Algumas chegavam aos dois ou três metros de altura.

Depois do temporal, algumas praticamente desapareceram.

Folhas e flores foram arrancadas, ramos ficaram partidos, floreiras de plástico quebraram e grandes quantidades de terra e matéria vegetal espalharam-se pela varanda.

Um plástico resistente, colocado no resguardo da varanda para proporcionar maior privacidade à habitação, ficou cheio de perfurações.

Quando João Carlos Quelhas recebeu inicialmente uma fotografia dos estragos, pensou que os buracos teriam sido feitos pelo neto, que dias antes tinha espetado uma cana naquele local. Só quando chegou a casa percebeu que a explicação era outra, tinham sido os impactos da saraiva.

A água acumulou-se igualmente na varanda. Folhas, flores e outros restos vegetais estavam a obstruir o escoamento e foi necessário retirá-los para impedir que o nível da água continuasse a subir e pudesse entrar na habitação.

Enquanto tudo isto acontecia em Bülach, João Carlos Quelhas encontrava-se em Schwerzenbach, onde frequentava um curso.

As filhas escreveram-lhe preocupadas para saber se o pai estava bem. Respondeu que sim e ficaram tranquilas.

Em Schwerzenbach também choveu bastante, mas, segundo o testemunho presencial de João Carlos Quelhas, não ocorreu uma queda de saraiva nem um temporal comparável ao que atingiu Bülach.

Centro de Bülach também fortemente atingido

As imagens provenientes do centro, cidade velha, mostram igualmente danos importantes.

Vidros de diferentes janelas aparecem partidos, persianas foram destruídas, árvores e ramos ficaram quebrados e enormes quantidades de folhas e vegetação arrancadas acumularam-se no chão.

Num dos vídeos, a vegetação cobre de tal maneira a estrada que o pavimento parece ter sido transformado num tapete verde.

Os automóveis apresentam alguns dos danos mais impressionantes.

Num deles, o vidro traseiro ficou praticamente destruído. Noutro caso documentado em vídeo, as pedras de saraiva perfuraram o vidro em vários pontos sem que este tivesse caído completamente.

Os grandes orifícios fazem visualmente lembrar impactos de projécteis, mas foram provocados pelas pedras de gelo.

Outros automóveis tiveram consequências diferentes. Num veículo de um vizinho, o vidro praticamente cedeu para o interior.

Há ainda imagens de outro automóvel com o vidro traseiro e os vidros laterais partidos. Folhas e restos de vegetação foram projectados para dentro do habitáculo em tamanha quantidade que o interior ficou coberto de verde, juntamente com fragmentos de vidro e outros detritos.

A chapa do capô não chegou a ser perfurada, mas ficou coberta de mossas provocadas pelos sucessivos impactos, como se tivesse sido repetidamente atingida por um martelo.

Perante a destruição, o proprietário resumiu o estado do automóvel numa frase:

«O meu carro vai para a sucata.»

Acidentes e estragos nas estradas

Outras imagens mostram acidentes rodoviários ocorridos durante o período de mau tempo, com veículos imobilizados e estradas molhadas.

A Revista Repórter X regista a existência dessas imagens, mas não atribui os acidentes directamente à saraiva sem confirmação das respectivas circunstâncias.

O resultado visível da passagem do temporal por Bülach, porém, dispensa grandes adjectivos, chapas deformadas, vidros de automóveis destruídos, janelas partidas, persianas danificadas, árvores quebradas, ramos arrancados, plantas desfeitas, floreiras partidas, ruas cobertas de folhas, água e detritos acumulados nas varandas.

Vídeo gravado em Aarau mostra o céu a fechar-se

Uma das imagens inicialmente recebidas não pertence a Bülach.

O vídeo foi gravado em Aarau, por um familiar, a partir de um automóvel em andamento. Mostra o céu profundamente escuro e carregado e chuva intensa. Naquele momento ainda não se observava a queda das grandes pedras de saraiva.

Esta localização fica, assim, separada das restantes imagens da reportagem, que documentam os acontecimentos em Bülach.

Uma cidade marcada em poucos minutos

A dimensão do temporal percebe-se melhor através do conjunto das imagens do que através de qualquer descrição isolada.

Pedras de saraiva apanhadas como ovos, automóveis com vidros destruídos, outros com grandes perfurações, chapas cobertas de mossas, janelas partidas, persianas danificadas, árvores quebradas, plantas destruídas, floreiras estilhaçadas, folhas espalhadas pelas ruas, vegetação formando autênticos tapetes sobre o pavimento, varandas cobertas de terra, água e restos de plantas.

Na Glasi, plantas que estavam viçosas e cobertas de flores ficaram reduzidas a pouco mais do que restos.

No centro de Bülach, casas, automóveis, árvores e ruas ficaram igualmente marcados.

Grande parte das imagens exteriores que documentam os acontecimentos em Bülach foi captada pela Professora Ângela Tinoco, directora da Revista Repórter X. As fotografias realizadas na habitação e varanda da Glasi são de outra pessoa.

É também através destes testemunhos que se preserva a memória de um acontecimento que muitos habitantes dificilmente esquecerão.

Porque depois de passar o temporal ficam os prejuízos, os vidros partidos, as chapas deformadas e as árvores quebradas. Mas, no primeiro momento, antes de se contar aquilo que se perdeu, houve uma pergunta muito mais simples entre familiares:

«Estás bem?»

Revista Repórter X / Repórter Editora

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