Omissão sobre a Repórter X do Embaixador Júlio Vilela num artigo na revista Negócios Estrangeiros, n.º 28, edição digital de Julho de 2026

Categoria: Crítica, Sociedade e Comunidades Portuguesas

Autor: João Carlos Quelhas


Não é aceitável a omissão da história e da verdadeira dimensão da Revista Repórter X no texto «A Comunidade Portuguesa na Suíça: perfil social em 2025», da autoria do Embaixador de Portugal em Berna, Júlio Vilela, publicado na revista Negócios Estrangeiros, n.º 28, edição digital de Julho de 2026.

No referido estudo, Júlio Vilela escreve, no capítulo dedicado à «Comunicação social de língua portuguesa», que o jornal mensal Gazeta Lusófona, com sede postal em Basel, e a Rádio Arremesso, com sede na cidade de Genebra, «constituem os únicos órgãos de comunicação social de língua portuguesa em actividade na Suíça, com publicações regulares escritas e programação radiofónica».

Logo depois, refere-se à Repórter X desta forma: «Encontra-se também a funcionar um blog alimentado regularmente, designado Revista Repórter X, embora não se conheça, actualmente, qualquer publicação impressa de forma regular com aquela designação.»

Não aceitamos esta forma de apresentar a Revista Repórter X, e não aceitamos porque Júlio Vilela não está a falar de algo que nasceu ontem ou cuja existência seja impossível conhecer. Repudiamos Júlio Vilela, Embaixador de Portugal em Berna, e o Ministério dos Negócios Estrangeiros por tal omissão, além do Consulado de Zurique compactuar, quando omite no seu site a Repórter X, o que causa indignação e desconforto, quando somos o Média mais lido na Europa. Tudo leva a crer que dizer as verdades causa náuseas aos políticos. Dizer verdades e ter uma opinião arranja inimizades. O que importa aqui é dar voz a quem precisa, já que os nossos políticos não sabem ouvir e ignoram, tal como ignoram a Repórter X.

A Revista Repórter X tem 14 anos de história e completaremos 15 anos no dia 1 de Abril de 2027. A publicação nasceu online, passou também pelo papel grande parte da sua história, distribuída para Portugal e Ilhas, França, Alemanha, Liechtenstein e Suíça, tendo edição impressa até 2014, e prosseguiu posteriormente o seu percurso através do digital. Tem milhares de seguidores em várias plataformas digitais e continua a ter colaboradores em vários países além daqueles aqui citados.

A Revista Repórter X / Repórter Editora possui Registo Comercial no Cantão de Zurique, CH-020.1.073.125-8. Possui igualmente o número de identificação empresarial suíço UID CHE-440.879.855, Depósito Legal n.º 407455/16 e ISBN 978-989-20-6498-7.

Não estamos, portanto, perante um simples «blog» que alguém decidiu alimentar de vez em quando. Somos um Média registado na Suíça, de língua e expressão portuguesa, que publica mais de mil artigos por ano!

Publicamos diariamente artigos através de vários colaboradores, fazemos entrevistas pessoais, entrevistas em directo, lives e reportagens. Os conteúdos são distribuídos através do Facebook, X, antigo Twitter, Instagram, TikTok, YouTube e LinkedIn, chegando a milhares de leitores.

Estamos perante uma publicação com 14 anos de história, que teve papel, que tem estrutura editorial, registo e actividade continuada e que atravessou uma profunda mudança no próprio mundo da comunicação social.

Há ainda algo que torna esta apresentação do Embaixador mais difícil de compreender. A Revista Repórter X foi enviada gratuitamente muitas vezes para a Embaixada de Portugal e para os consulados portugueses na Suíça. A determinada altura deixámos de fazer esses envios regularmente porque éramos ignorados. Depois disso, entreguei exemplares em mãos aos últimos cônsules em Zurique e deixei também, por diversas vezes, exemplares no Consulado-Geral de Portugal em Zurique.

Portanto, não venham dizer que não sabiam que existíamos. Inacreditável! Mas o povo vai saber a verdade... A nós ninguém nos cala. Somos a voz do povo.

O próprio Embaixador Júlio Vilela sabe que a Repórter X existe, chegou mesmo a responder, através da rede social X, a uma crítica do Quelhas e da Repórter X relacionada com um livro que escreveu com base em arquivos existentes na Embaixada. A Embaixada e outras instituições portuguesas recebem também correios electrónicos da Repórter X.

E há um facto que torna ainda mais difícil aceitar qualquer tentativa de apresentar a publicação como uma realidade desconhecida das instituições portuguesas: o anterior gabinete do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Governo de António Costa enviava constantemente notícias e informações para publicação impressa na Revista Repórter X.

Se o próprio Ministério dos Negócios Estrangeiros enviava conteúdos para publicação, como pode agora a Repórter X aparecer reduzida à descrição de um «blog alimentado regularmente»?

A Repórter X tem solicitado apoio ao Consulado e ao Ministério dos Negócios Estrangeiros e esse apoio tem sido negado. A nossa crítica é clara: apoiam aqueles que dizem apenas a parte boa a favor deles e aqueles que comunicam eventos, em vez de comunicar os problemas dos emigrantes.

É muito mais cómodo divulgar festas, cerimónias, encontros e acontecimentos institucionais do que dar voz a portugueses que enfrentam problemas reais. É aqui que reside uma das nossas maiores críticas. A comunicação social das comunidades não pode existir apenas para mostrar a fotografia bonita da festa, também tem de mostrar aquilo que corre mal, ouvir quem protesta, acompanhar quem sofre e colocar perguntas incómodas às instituições.

Na nossa opinião, é precisamente por a Repórter X fazer isso que incomoda. Enquanto órgãos como a Gazeta Lusófona e a Rádio Arremesso recebem reconhecimento institucional, a Repórter X é relegada para a condição de «blog». Também a revista do Centro Lusitano de Zurique foi ignorada. Pergunto, um qualquer jornal mensal, onde, quando e como abrange tantas notícias diversificadas como a Repórter X?

Uma representação diplomática não deve escolher os órgãos de comunicação social da comunidade de acordo com simpatias, conveniências ou com aquilo que estes publicam, deve conhecer, respeitar e tratar com igualdade aquilo que existe dentro da comunidade portuguesa.

Se existisse verdadeiro apoio à Revista Repórter X, talvez ainda hoje tivéssemos também uma edição em papel, mas imprimir uma revista é um luxo. E, nos tempos que correm, também temos de perguntar para quê gastar dinheiro e papel para produzir milhares de exemplares que muitas vezes acabam no lixo ou servem apenas para embelezar mesas, balcões de atendimento, escritórios e firmas.

A Repórter X foi para onde estão os leitores. O papel não determina a existência de um órgão de comunicação social. A Repórter X não morreu quando deixou o papel, mudou, adaptou-se, inovou, continuou.

Também não estamos perante uma publicação desconhecida da política portuguesa. Ao longo do seu percurso, a Repórter X entrevistou várias personalidades políticas, entre as quais José Luís Carneiro, Paulo Pisco, José Dias Fernandes e José Vieira da Silva, entre outros. O Governo, deputados e políticos portugueses conhecem a existência da Repórter X.

E há ainda um capítulo que não pode ser esquecido.

O Embaixador Júlio Vilela tem demonstrado, na nossa opinião e pela experiência que tivemos, uma postura arrogante e distante, não apenas perante a Repórter X. Até deputados portugueses pela Europa têm tido dificuldades de diálogo com o Embaixador.

Foi necessário a Repórter X levar recados, reivindicações e problemas a duas reuniões, uma em Zurique e outra em Genebra, nas quais estiveram presentes cônsules. Não fomos lá passear, fomos em representação de lesados da SUVA e de mães que lutam contra a KESB depois de terem ficado sem os filhos, e a contestação era directamente dirigida ao Embaixador Júlio Vilela.

A ideia era encontrá-lo e confrontá-lo com estas realidades. O Embaixador não apareceu, a Repórter X apareceu, os lesados apareceram, as mães apareceram, os problemas apareceram, quem não apareceu foi o Embaixador.

E não se trata apenas de excluir a Repórter X. Na nossa opinião, Júlio Vilela exclui também aqueles portugueses cujos problemas a Repórter X procura levar às instituições, nomeadamente lesados da SUVA e mães que lutam contra decisões e actuações da KESB. Já chegou inclusivamente a negar o diálogo com um grupo de lesados, não permitiu que o grupo fosse ouvido, tendo falado apenas um deles.

É esta a realidade que também deve ser contada quando se escreve sobre as comunidades portuguesas.

Actualmente, a Repórter X envia as suas queixas ao Ministro dos Negócios Estrangeiros, ao Primeiro-Ministro e ao Presidente da República. Se depois essas queixas vão parar cobardemente a outro lado, em vez de serem enfrentadas por quem tem responsabilidades políticas e institucionais, então também o diremos.

Camada de ignorantes.

Porque ignorância não é apenas desconhecer, também é ter a informação diante dos olhos e escolher não a querer conhecer.

Por isso, quando Júlio Vilela escreve sobre a comunicação social portuguesa na Suíça, não pode comportar-se como se a Repórter X fosse uma realidade distante, desconhecida ou insignificante. Consideramos ignorante reduzir desta forma uma publicação cuja existência conhece, com a qual já teve contacto e que há anos comunica com as instituições que representa.

Mais grave ainda porque o próprio estudo esclarece que é elaborado pela Embaixada de Portugal em Berna para responder ao que é anualmente solicitado pela Direcção-Geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas, ou seja, estamos perante informação que ultrapassa as paredes da Embaixada.

Por isso exigimos rigor e respeito.

A Repórter X não pede que inventem a sua história, pede exactamente o contrário: que não a apaguem.

Se Júlio Vilela está sonolento perante factos que estão há anos diante dos seus olhos, então que se deite a dormir em vez de estar sonolento. Depois, quando acordar, que procure os registos, consulte os arquivos, veja os exemplares que chegaram às instituições portuguesas, consulte os correios electrónicos recebidos e conheça os 14 anos de história da publicação antes de a reduzir a um «blog alimentado regularmente».

Não somos menos comunicação social porque deixámos de gastar papel, não somos menos independentes porque não recebemos o apoio que outros recebem, não deixámos de existir porque alguém decidiu escrever apenas uma linha sobre nós. Preferíamos que estivesse quieto, calado dizia muito mais.

A Repórter X nasceu em 1 de Abril de 2012, temos 14 anos de história, completaremos 15 anos em 1 de Abril de 2027, estivemos no papel, estamos no digital, publicamos diariamente, fazemos entrevistas, lives e reportagens, temos milhares de leitores, estamos no Facebook, X, antigo Twitter, Instagram, TikTok, YouTube e LinkedIn, entrevistámos responsáveis políticos, entrevistamos o povo e os seus dotes culturais e hobbies, fazemos reportagens, publicitamos, criticamos, fazemos notícias, levamos a voz dos lesados da SUVA e das mães que lutam contra a KESB às instituições e à Assembleia da República e a reuniões com os cônsules de Genebra e Zurique, a reuniões com o Sindicato Unia com presença do Cônsul, fizemos uma reunião com presença do Deputado pela Europa, representação do Governo de Luís Montenegro, representação do Consulado e da Embaixada e o Júlio Vilela ainda reduz a Repórter X à descrição de um “blog alimentado regularmente, o próprio Ministério dos Negócios Estrangeiros já nos enviou notícias para publicação dezenas de vezes, estamos registados na Suíça e continuamos aqui, 14 anos depois. Ganhe vergonha, Senhor Embaixador.


Revista Repórter X / Repórter Editora

Comentários