Os Independentes prometem, mas quem são afinal Os Independentes?
O Grupo Os Independentes começa a marcar posição política na Póvoa de Lanhoso, apresenta propostas, critica o executivo municipal, o PSD, o Chega e acusa a Rádio União de não lhe dar a mesma voz que concede a outras forças políticas. Mas existe uma pergunta que deve anteceder todas as outras: quem são, afinal, Os Independentes?
Até agora, o rosto publicamente assumido foi J.C.G., antigo elemento do Chega. Foi ele quem deu a cara publicamente pelo movimento, esteve associado à página, respondeu às questões colocadas e publicou fotografias ligadas a Os Independentes. Entretanto, a sua imagem foi retirada da página.
O próprio esclareceu à Revista Repórter X que decidiu sair, que permaneceu apenas até outro membro assumir a página e que as publicações mais recentes já não são da sua responsabilidade. Informou ainda que existe agora outro responsável, que ficará também com a responsabilidade pelo correio electrónico do grupo, mas não revelou quem é.
Disse igualmente ter recebido um novo convite de Os Independentes, mas ainda não decidiu se o aceitará. Se aceitar, fará um comunicado na página do grupo; se não aceitar, não fará parte.
Isto não apaga o papel público que anteriormente assumiu. Apenas esclarece a situação actual.
E deixa uma pergunta imediata: quem é agora o responsável pela página e pela comunicação de Os Independentes?
Uma coisa é Os Independentes entenderem que ainda não chegou o momento de revelar todos os elementos de uma futura candidatura às Autárquicas de 2029. Outra é existir uma página de intervenção política, com propostas, críticas e acusações, sem que se saiba quem assume actualmente a responsabilidade pelo que nela é publicado. Desta forma, ninguém vai levar a sério!
Porém, um grupo não é uma pessoa. Quando se fala em «nós», «nossa equipa» e «nosso projecto», quando se pretende ser levado a sério como alternativa para as Autárquicas de 2029, também é legítimo que os povoenses conheçam quem constitui essa equipa. Com muita curiosidade, estão a surgir muitas perguntas nas redes sociais e também telefonemas para a Revista Repórter X!
Os Independentes têm ainda afirmado que a futura lista será constituída exclusivamente por independentes e que dela não farão parte pessoas que tenham estado à frente da Câmara Municipal ou integrado anteriormente o executivo municipal. É um compromisso que ficará naturalmente sujeito ao escrutínio quando forem conhecidos os nomes.
O próprio movimento reconhece que está a trabalhar num projecto que pretende apresentar nas Autárquicas de 2029. Isso significa que, actualmente, estamos perante um movimento cívico político e não perante uma candidatura eleitoral formalmente admitida.
Para chegar às urnas como grupo de cidadãos não bastará um rosto. Serão necessárias listas completas para a Câmara Municipal e Assembleia Municipal, candidatos efectivos e suplentes, documentação, cidadãos proponentes e posterior admissão pelo tribunal. O número exacto de assinaturas para 2029 dependerá do universo eleitoral aplicável nessa altura. Nas Autárquicas de 2025, tomando como referência os 22.093 eleitores então considerados, o cálculo apontava para 663 proponentes.
Prometer antes de existir a candidatura
Entretanto, Os Independentes já apresentam compromissos ambiciosos. Falam numa rede de minibuses durante todo o dia, transporte público gratuito em todo o concelho, Central de Camionagem, estacionamento, intervenções rodoviárias e outras medidas. Falam daquilo que todos ambicionamos: mais empresas e mais empregos, melhores estradas.
Estas ideias seriam benéficas para uma cidade, para passar a Póvoa de Lanhoso de vila a cidade. Sem isso, não é possível, o presidente Frederico Castro só faz blefe, e aqui Os Independentes estão a fazer copy com promessas vãs!
Prometer é fácil. Executar é outra história.
Os partidos tradicionais também fizeram, ao longo dos anos, promessas que ficaram pelo caminho. Se Os Independentes pretendem representar uma maneira diferente de fazer política, terão igualmente de demonstrar que aquilo que anunciam é financeiramente, tecnicamente e legalmente exequível.
Caso contrário, correm o risco de começar precisamente pelo caminho que dizem querer combater.
Informação que levanta interrogações
Há, contudo, outro aspecto curioso nesta história. Algumas acusações e informações divulgadas por Os Independentes relativamente à actividade municipal têm acabado por encontrar, pelo menos parcialmente, correspondência com factos posteriormente conhecidos.
E isso levanta interrogações.
Por um lado, há quem olhe para Os Independentes e veja, até agora, nenhum rosto publicamente conhecido. Poderá o grupo ser muito mais pequeno do que aquilo que a designação e o constante «nós» fazem imaginar?
Por outro lado, a aparente precisão de determinadas informações alimenta outra pergunta:
Terão Os Independentes fontes próximas da Câmara Municipal, ou até alguém no seu interior, a transmitir-lhes informações?
A Revista Repórter X não possui, neste momento, elementos que permitam afirmar que exista alguém dentro da Câmara a fornecer informações ao movimento. Sabe-se que houve alguém no executivo que era para ter saído e ficou. Seria errado transformar uma suspeita em facto. Mas a coincidência ou proximidade entre algumas denúncias e aquilo que posteriormente se conhece torna legítimo colocar a questão.
E existe aqui uma ironia política:
Enquanto se pergunta quem poderá estar por detrás de determinadas informações divulgadas por Os Independentes, continuamos sem conhecer publicamente quem são Os Independentes, nem quem assume actualmente a responsabilidade pela página.
Os Independentes responderam
Na sequência das questões colocadas pela Revista Repórter X, Os Independentes responderam que o faziam por respeito pela Revista Repórter X e pelo trabalho desenvolvido junto da comunidade, em especial na Suíça.
Os Independentes afirmaram que, quando chegar a altura de responder de forma mais aprofundada à Revista Repórter X, o farão, embora considerem que esse momento ainda está distante.
Explicaram que, em 2026, trabalham apenas através da sua página no Facebook e fazem as intervenções que entendem necessárias quando consideram estar em causa a defesa dos povoenses e dos interesses dos povoenses.
Quanto às várias questões colocadas, Os Independentes afirmaram que, quando chegar a altura, responderão primeiro aos povoenses e só depois aos órgãos de comunicação social.
O grupo fez ainda questão de esclarecer que é contra a elevação da Póvoa de Lanhoso de vila a cidade e afirma estar entre os que mais activamente procuram travar essa possibilidade.
O esclarecimento fica registado, embora a Revista Repórter X não tivesse afirmado que Os Independentes defendiam a elevação da Póvoa de Lanhoso de vila a cidade.
Posteriormente, a Revista Repórter X foi informada de que existe agora outro responsável pela página e que também o correio electrónico ficará à responsabilidade desse novo responsável.
O nome desse responsável não foi indicado.
Esta é uma questão diferente da apresentação de uma futura lista eleitoral. Ninguém está a exigir que Os Independentes revelem hoje todos os candidatos que eventualmente poderão apresentar em 2029.
Mas, se existe uma página que fala em nome de Os Independentes, publica propostas, acusações, críticas e comunicados, deve ser conhecido quem assume actualmente essa responsabilidade.
Rádio União no centro da polémica
A disputa ganhou entretanto outro protagonista. Os Independentes acusam a Rádio União de não publicar os seus comunicados e consideraram que estavam perante «censura».
Há quem diga que pode ter a ver com as festas no Horto, nas quais a rádio não fez cobertura, uma vez a grande polêmica com a Câmara Municipal e a Junta de Nossa Senhora do Amparo está instalada!
Numa carta aberta aos povoenses, Os Independentes foram ainda mais longe e classificaram a Rádio União como «o andarilho do executivo», deixando uma acusação política pesada sobre a proximidade da rádio ao poder municipal.
A Rádio União apresentou a sua posição e a polêmica cresceu.
Há, contudo, uma realidade que não pode ser esquecida. Nenhum movimento pode obrigar determinado órgão de comunicação a publicar todos os comunicados que lhe envia. Se Os Independentes entendem que não encontram espaço na Rádio União, podem procurar outros órgãos de comunicação e outras plataformas para apresentar as suas posições.
Isso não retira legitimidade a outra pergunta:
Quais são os critérios editoriais da Rádio União e são eles aplicados da mesma forma perante diferentes partidos, movimentos e protagonistas políticos?
E a Câmara Municipal?
É aqui que aparece o terceiro vértice desta polémica.
A Rádio União recebeu apoio financeiro da Câmara Municipal, numa verba que ronda os 2.000 euros. Sendo dinheiro público, é legítimo conhecer o montante exacto, a finalidade da verba e os critérios que determinaram a sua atribuição.
Mas uma coisa precisa de ficar clara. Receber uma verba municipal não demonstra, por si só, falta de independência editorial. Da mesma maneira, afirmar que determinada rádio está próxima do executivo não transforma essa opinião numa verdade comprovada.
Também por isso importa ouvir todas as partes.
A Revista Repórter X pediu esclarecimentos à Rádio União e aguardou a sua resposta sobre esta matéria, mas, até à data, não recebeu resposta.
No meio desta guerra de comunicados, acusações, suspeitas e promessas para umas eleições que ainda estão distantes, algumas perguntas continuam sem resposta concreta.
Quem são realmente Os Independentes?
Quem constitui a equipa que fala constantemente em «nós»?
Quem é actualmente o responsável pela página de Os Independentes?
Quando serão apresentados os restantes rostos?
Existem já pessoas suficientes e disponíveis para constituir as listas que o movimento pretende levar às Autárquicas de 2029?
E haverá alguém próximo ou dentro da própria estrutura municipal a fazer chegar informação ao movimento?
Os Independentes exigem transparência à Câmara, à Rádio União e aos partidos. É legítimo fazê-lo.
Mas quem exige transparência aos outros também deve começar por abrir as suas próprias portas. O povo quer saber se Os Independentes são ou não confiáveis!?
Uma coisa é certa, Os Independentes estão a incomodar!...

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