Categoria: Obras e Infra-estruturas
Autor: João Carlos Quelhas
Os trabalhos da nova Passerelle de Bülach avançam a bom ritmo e a futura ligação, prevista para entrar em funcionamento em 2027, começa agora a ganhar verdadeira forma sobre o terreno.
A obra criará uma nova passagem para peões e veículos não motorizados, nomeadamente bicicletas e trotinetes, numa área particularmente importante da cidade, abrangendo Glasi, Im Guss e a Bahnhof e ficando igualmente próxima do Hospital de Bülach.
A Revista Repórter X tem acompanhado a evolução dos trabalhos praticamente desde o início, através de fotografias, reportagens em vídeo, observação directa no local e conversas com alguns dos funcionários envolvidos na construção.
Ao longo deste acompanhamento foram fotografadas não apenas as diferentes fases da estrutura, mas também toda a obra e a sua envolvente, procurando registar aquilo que normalmente desaparece quando os trabalhos terminam e fica apenas a construção final.
As fotografias mais recentes, tiradas no final da tarde de 17 de Agosto de 2026, mostram já dois importantes lances colocados.
Numa das imagens vê-se o primeiro, anteriormente instalado. Na fotografia mais recente aparece já o segundo, confirmando o bom andamento dos trabalhos.
Ainda faltam, contudo, vários lances até completar toda a travessia.
A ponte terá de vencer uma zona ferroviária particularmente larga, composta por numerosas linhas utilizadas para a circulação dos comboios. Num dos sentidos seguem as ligações em direcção a Zurique e Winterthur e, no sentido inverso, para Schaffhausen. Existem igualmente naquele espaço vias destinadas ao estacionamento e movimentação de composições.
É uma verdadeira faixa ferroviária que constitui uma importante barreira física naquela parte de Bülach.
Quando a obra estiver concluída, previsivelmente em 2027, será finalmente possível vencer por cima esta extensa barreira ferroviária.
Mas a Passerelle é apenas uma parte de uma transformação mais ampla das acessibilidades naquela zona.
Junto ao elevador que dará acesso à ponte nasce também o novo passadiço, actualmente em construção. A partir desse ponto, o percurso prolongar-se-á por cerca de 200 a 250 metros, passando por baixo da estrada, até encontrar o túnel que actualmente dá acesso à zona habitual da estação de Bülach.
Esta nova passagem não acompanha directamente nem segue encostada às linhas. Entre ambos encontra-se uma área utilizada para estacionamento automóvel.
A disposição permitirá criar diferentes possibilidades de circulação.
Im Guss ficará servido nas duas extremidades deste novo percurso, permitindo que quem vive ou se desloca para uma ou outra parte do bairro escolha o acesso que lhe for mais conveniente.
Para Glasi, a importância é igualmente evidente: o novo conjunto estabelecerá uma ligação à Bahnhof através da ponte, do elevador e do passadiço.
No seu conjunto, estas estruturas formarão uma nova rede de acessos aos dois bairros e à estação ferroviária.
São precisamente Glasi e Im Guss que Quelhas tem vindo a apelidar de “cidade nova” de Bülach, duas áreas modernas que cresceram junto à enorme faixa dos caminhos-de-ferro e que contrastam com a cidade velha, integrando-se cada vez mais no restante tecido urbano.
A proximidade do Hospital de Bülach acrescenta importância a toda esta reorganização das acessibilidades.
Ao longo dos trabalhos foram também realizadas diversas reportagens em vídeo sobre os efeitos que esta profunda transformação está a provocar no dia-a-dia de quem utiliza o local.
Foram registados momentos de verdadeiro caos, alterações de percursos, obstáculos e dificuldades para passageiros e peões, sobretudo nos acessos à estação.
Uma intervenção desta dimensão traz inevitavelmente transtornos enquanto decorre, sobretudo para quem necessita de atravessar diariamente aquela área. Essas dificuldades também fazem parte da história da construção e, por isso, foram sendo registadas.
Mas uma obra desta dimensão não se faz apenas de ferro, betão, projectos, gruas e máquinas.
Faz-se sobretudo de pessoas.
Durante as visitas ao local foram também mantidas conversas com alguns dos trabalhadores que, além de explicarem determinados aspectos técnicos, foram dando informações sobre a evolução dos trabalhos e aquilo que ainda está previsto construir.
Entre máquinas, andaimes e estruturas metálicas encontram-se as casas pré-fabricadas utilizadas para acolher e dar apoio aos funcionários.
Num desses espaços encontram-se três bandeiras bem visíveis: portuguesa, espanhola e suíça.
Não é um pormenor sem significado.
A presença portuguesa entre os trabalhadores é particularmente significativa, sendo muitos dos funcionários portugueses.
São homens que trabalham diariamente ao frio e ao calor, em condições que quem passa apenas alguns minutos pelo local dificilmente imagina.
Numa das conversas, um funcionário resumiu a dureza daquele trabalho com uma observação feita em tom de brincadeira:
“No Inverno quase vos caem os dedos com a temperatura gélida a atar ferro e no Verão ficam assados como sardinhas na brasa.”
O funcionário sorriu.
Mas a piada é muito verdadeira.
No Inverno suíço, trabalhar horas seguidas a manusear ferro sob temperaturas muito baixas é uma tarefa dura. No Verão, com o sol a bater directamente sobre o metal, o betão e as estruturas, o cenário transforma-se no extremo contrário.
Quem observa uma ponte pronta vê uma obra de engenharia.
Quem acompanha a sua construção vê também os homens que a levantaram.
Vê quem chega de manhã, quem trabalha sobre o ferro, quem opera as máquinas, quem monta as estruturas e quem enfrenta frio, chuva ou calor.
E muitos deles são portugueses.
As três bandeiras junto das instalações acabam por ser uma pequena imagem da realidade humana que existe por detrás desta grande intervenção.
Quando tudo estiver concluído, a mobilidade naquela parte de Bülach ficará profundamente alterada. O elevador, o passadiço, a travessia sobre os caminhos-de-ferro e os acessos existentes funcionarão como partes de um mesmo conjunto, oferecendo novas possibilidades de circulação a quem vive, trabalha ou simplesmente passa por esta zona.
Ainda há muito trabalho pela frente.
Faltam vários lances, os acessos, o elevador, acabamentos e muitos outros trabalhos que uma fotografia não consegue mostrar. Paralelamente, o percurso até ao túnel continua também a ser construído.
Mas aquilo que até há pouco tempo existia sobretudo nos projectos começa agora a ganhar corpo.
O ferro já avança sobre as linhas.
A ponte começa a nascer.
E a Revista Repórter X continuará a acompanhar os trabalhos até ao dia em que as máquinas saiam, as barreiras desapareçam e esta nova ligação passe finalmente a fazer parte da vida quotidiana de Bülach.

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