Categoria: Segurança Rodoviária
Autor: José Maria Ramada
A Via Rápida da Madeira é, há anos, apontada como uma das estradas portuguesas com maior número de acidentes. A pergunta impõe-se: porquê? A resposta não é simples nem única, mas passa claramente por uma combinação perigosa de excessos, humanos, mecânicos e sociais.
Em primeiro lugar, o excesso de velocidade. Apesar da sinalização existente, é frequente ver condutores a circular muito acima dos limites permitidos, como se a via fosse uma auto-estrada comum do continente. No entanto, a realidade é bem diferente: curvas apertadas, túneis sucessivos, mudanças bruscas de luminosidade e zonas com visibilidade reduzida exigem uma condução defensiva e atenta. A velocidade excessiva reduz drasticamente o tempo de reacção e transforma qualquer pequeno erro num acidente grave.
Outro factor relevante é o excesso de viaturas em circulação. A Madeira tem uma elevada densidade automóvel para a sua dimensão e orografia. A Via Rápida concentra grande parte do tráfego diário, especialmente nas horas de ponta, tornando-se um espaço de stress, impaciência e decisões precipitadas. Onde há congestionamento, há ultrapassagens perigosas, travagens bruscas e comportamentos agressivos.
A isto junta-se a falta de respeito pelos limites de velocidade e pelas regras básicas de circulação. Piscas ignorados, distâncias de segurança inexistentes e mudanças de faixa constantes são comportamentos normalizados, mas extremamente perigosos. A estrada acaba por reflectir uma cultura de «cada um por si», onde o civismo é visto como fraqueza e não como responsabilidade colectiva.
Há ainda os condutores sem experiência neste tipo de estrada. Muitos não estão preparados para conduzir numa via rápida inserida num território montanhoso, com túneis longos e saídas curtas. A falta de adaptação às especificidades da via contribui para erros de avaliação e acidentes evitáveis.
Mas talvez o problema mais grave seja a falta de civismo, como bem se aponta. O desrespeito pelos outros, aliado ao consumo excessivo de álcool, à condução sem habilitação legal e à sensação de impunidade, cria um cocktail explosivo. Não se trata apenas de saber conduzir, mas de saber conviver na estrada.
No fundo, a Via Rápida da Madeira não é perigosa por si só. Torna-se perigosa quando é usada sem consciência, sem respeito e sem responsabilidade. Por alguma razão, a média de acidentes na Madeira é de 70 por semana. Enquanto não houver uma mudança de mentalidades, apoiada por fiscalização eficaz, educação rodoviária e punições exemplares, continuaremos a contar acidentes, feridos e vidas perdidas.
A estrada é de todos. E a segurança também.

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