POEMA
Autor: Chefe José Maria Ramada
Praia Formosa, tão bela e serena,
onde o dia começa a aprender a calar,
no murmúrio constante das ondas pequenas
que vêm, partem e voltam a regressar.
As gaivotas rasgam o céu em grito livre,
desenham caminhos de sal e de luz,
e o sol, cansado de tanta vida,
deita-se lento no mar que o conduz.
As rochas, essas guardam segredos antigos,
corais e lapas coladas ao chão,
memórias do tempo, silêncios amigos,
orações ditas sem voz nem razão.
Há bolo do caco quente na mesa do instante,
poncha que aquece o riso e a mão,
sabores simples, quase sagrados,
que fazem da vida celebração.
O vento traz nomes que só eu entendo,
traz saudades, promessas, enfim,
e no teu olhar encontro o tempo
que nunca se perde dentro de mim.
Abraço-te devagar, como quem fica,
beijo-te terno, sem pressa de ir,
sussurro ao teu ouvido, em voz baixinha,
o que o mar insiste em repetir:
Amo-te
como a ilha ama o horizonte,
como o pôr do sol ama o fim do dia,
como a Praia Formosa, eterna e bela,
me ensina todos os dias a poesia.

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