Projecto: Escola de Artes Equestres para preservar, valorizar e transmitir a tradição equestre, promovendo o ensino, a formação, o património, a cultura, o turismo e o desenvolvimento local

Projecto: Escola de Artes Equestres para preservar, valorizar e transmitir a tradição equestre, promovendo o ensino, a formação, o património, a cultura, o turismo e o desenvolvimento local




Projecto: Escola de Artes Equestres para preservar, valorizar e transmitir a tradição equestre, promovendo o ensino, a formação, o património, a cultura, o turismo e o desenvolvimento local:

Pedido urgente de intervenção ao Deputado José Dias Fernandes.

Exmo. Senhor Deputado José Dias Fernandes,

Chega. Chega daquilo que estou a viver e chega daquilo que me estão a fazer.

Depois de tudo quanto vivi na Suíça, onde senti que a Embaixada e os Consulados portugueses não me protegeram, encontro-me agora a viver uma situação igualmente dolorosa no meu país natal, Portugal.

Sou cavaleiro profissional e vi a minha vida desmoronar-se na Suíça, onde perdi a convivência com a minha filha e enfrentei vários processos judiciais que alteraram por completo o rumo da minha vida.

O senhorio entrava na minha habitação sem autorização, acedia ao meu computador e tirava fotografias juntamente com a minha filha e a minha então companheira. Apresentei queixa às autoridades sobre esses acontecimentos, mas, em vez de ser ouvido como denunciante, acabei por ser detido para responder no âmbito do processo.

Algumas das pessoas em quem depositei confiança para me defender, incluindo profissionais a quem recorri durante os processos judiciais, não protegeram os meus interesses, agravando uma situação que já era extremamente difícil.

Todas estas circunstâncias conduziram à perda da minha filha, da estabilidade familiar, da dignidade, da felicidade, de grande parte do meu património e até das medalhas conquistadas ao longo de uma carreira dedicada à equitação, da qual guardo recordações de inúmeros êxitos desportivos.

O mesmo aconteceu no filme da Cruz Vermelha, «Le Rouge sur la Croix». Fui chamado para substituir uma equipa que não conseguiu executar o trabalho previsto e desempenhei funções de coordenador equestre. Apesar da responsabilidade assumida e do trabalho realizado, o meu nome não apareceu nos créditos.

Situações como estas repetiram-se várias vezes ao longo da minha vida na Suíça. Dei o meu melhor, assumi responsabilidades quando outros falharam e contribuí para o sucesso de diversos projectos, mas, em muitas ocasiões, o reconhecimento ficou para outros.

Depois de abandonar a Suíça, regressei a Portugal e estabeleci-me em Salvaterra de Magos, onde decidi investir todas as minhas poupanças num terreno e num projecto de cavalaria, procurando reconstruir a minha vida.

Contudo, o projecto continua sem o apoio institucional que esperava e receio perder também esse investimento. Encontro-me actualmente em grandes dificuldades económicas.

Mesmo depois de regressar a Portugal, voltei a viver situações semelhantes. Em Salvaterra de Magos, o meu nome não foi incluído nas comemorações do centenário da Praça de Toiros de Salvaterra de Magos, promovidas pela Câmara Municipal. Também o Clube Taurino se esqueceu de me mencionar no livro dedicado aos Forcados Amadores de Salvaterra de Magos, apesar da minha ligação e do trabalho que desenvolvi.

Ao longo da minha vida enfrentei igualmente graves perseguições. Em vários casos, a Justiça veio a condenar pessoas pelos actos praticados contra mim. Continuo convencido de que muitos dos sofrimentos e prejuízos que suportei tiveram origem na inveja e em acções concertadas para me prejudicar.

As decisões tomadas na Suíça continuam a produzir efeitos na minha vida em Portugal, em consequência da comunicação entre as autoridades dos dois países. Esta situação continua a dificultar a concretização dos meus projectos e a recuperação da estabilidade que procuro há vários anos.

Em Salvaterra de Magos e agora em Alpiarça, ambas autarquias governadas pelo Partido Socialista, tenho enfrentado dificuldades e uma completa ausência de apoio. Entretanto, o Chega, partido que afirma defender os portugueses esquecidos e injustiçados, nada faz.

Pergunto-lhe directamente: o que se passa no Chega? 

O Chega é apenas para alguns portugueses e não é para os outros?

Tenho de mandar os meus documentos para fora e apresentar-me como imigrante paquistanês para ser ajudado? 

Tenho de ser cigano para ter direitos no meu próprio país?

Não quero retirar direitos a ninguém, independentemente da sua nacionalidade ou origem. Quero apenas saber por que motivo os portugueses que trabalharam, perderam tudo e regressaram ao seu país não recebem a mesma atenção, protecção e apoio.

Há cerca de dois meses que tento obter o Rendimento Social de Inserção, sem conseguir resolver a situação. Neste momento, já não tenho sequer dinheiro para comer.

Construí algumas boxes para abrigar os meus cavalos, que vivem no seu interior. A Câmara Municipal de Alpiarça concedeu-me um prazo de 90 dias para proceder à demolição e está, na prática, a tentar colocar-me na rua e destruir o pouco que ainda me resta.

Ao mesmo tempo, vejo construções e situações semelhantes pertencentes a cidadãos estrangeiros que aparentemente são toleradas. Não peço privilégios. Exijo apenas igualdade perante a lei e o mesmo tratamento para todos.

Também não compreendo como determinadas figuras políticas podem construir casas em terrenos destinados a outras finalidades, sem desenvolverem qualquer actividade agrícola, enquanto, no meu caso, uma estrutura destinada a proteger os meus animais é tratada como se fosse um crime.

Perdi a minha estabilidade, o meu património, a convivência com a minha filha e grande parte da vida que construí. Agora corro o risco de perder também os meus cavalos, o meu projecto e o terreno onde procurei recomeçar.

A minha representante na Suíça, Cynthia Vardaro, cidadã suíça, cavaleira e minha cliente, esteve presente nos dois encontros realizados através dos Consulados de Portugal em Zurique e em Genebra.

Em Zurique, foi ouvida pelo Senhor Cônsul-Geral, Dr. Gonçalo Motta, mas, até hoje, não recebi qualquer resposta.

Em Genebra, quando alguém se preparava para traduzir as minhas palavras, a Senhora Cônsul não permitiu que a tradução fosse feita. A Cynthia entendeu que a impediram de explicar aquilo que eu estava a viver e de apresentar devidamente o meu caso.

Posteriormente, desloquei-me a Payerne para falar consigo, mas o Senhor Deputado não apareceu no encontro de Domingo.

Senhor Deputado, já vivi aquilo que vivi na Suíça. A nossa Embaixada e os nossos Consulados não me protegeram. Agora estou a viver uma situação semelhante no meu próprio país.

Chega.

Chega de silêncio, chega de promessas, chega de portas fechadas e chega de ser ignorado.

O Senhor Deputado terá de me dar uma resposta. Preciso de saber o que o Senhor Deputado e o Chega estão dispostos a fazer perante a minha situação.

Não lhe peço discursos, palavras de circunstância ou promessas para mais tarde. Peço uma intervenção concreta junto das entidades responsáveis, acompanhamento do processo relativo ao Rendimento Social de Inserção e apoio perante a ordem de demolição das boxes onde se encontram os meus cavalos.

Perdi tudo e já não tenho dinheiro para comer. Vejam agora o que estão dispostos a fazer por um cidadão português que trabalhou, lutou, regressou ao seu país e está a ser abandonado.

No livro «Les histoires de ma vie, Du paradis à l’enfer», pretendo relatar, com documentos, testemunhos e a minha versão dos acontecimentos, os episódios que marcaram o meu percurso, envolvendo advogados, juízes, senadores, presidentes, veterinários e outras pessoas que se cruzaram na minha vida, deixando aos leitores a possibilidade de retirarem as suas próprias conclusões.

Hoje, olhando para trás, posso dizer que a minha maior recompensa nunca foram medalhas nem homenagens. A minha maior recompensa foi saber que cumpri o meu dever, permaneci fiel aos meus princípios e nunca deixei que as dificuldades destruíssem a pessoa que sempre procurei ser.

Aguardo uma resposta urgente, escrita, concreta e fundamentada.

Com os melhores cumprimentos,

Sérgio Manuel de Sousa Ricardo


Revista Repórter X / Repórter Editora

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