Restauro da imagem do Senhor do Horto, um exemplo que merece o apoio de todos:
A decisão da Confraria de avançar com o restauro da imagem do Senhor do Horto merece reconhecimento e aplauso. Durante décadas, o tempo foi deixando as suas marcas numa das mais importantes peças do património religioso do Monte de Nossa Senhora do Pilar, até que se tornou inevitável uma intervenção especializada para travar a sua degradação.
Segundo foi divulgado pela Confraria, a imagem será submetida a trabalhos de conservação, restauro e policromia pela empresa Luís Marques, Conservação e Reabilitação, de Braga. A madeira apresenta fissuras, zonas muito degradadas e um forte ataque de insetos xilófagos, problemas que, sem intervenção, continuariam a colocar em risco esta valiosa obra.
O investimento ronda os 3.000 euros e será integralmente suportado por um subsídio da Santa Casa da Misericórdia, gesto que merece igualmente destaque pelo contributo dado à preservação deste património.
A Confraria anunciou ainda que procura financiamento para restaurar a imagem do Senhor da Cana Verde, cujo estado de conservação será ainda mais preocupante.
Perante este trabalho, impõe-se uma reflexão. Se é verdade que a Confraria tem assumido um papel activo na recuperação do património do Monte de Nossa Senhora do Pilar, importa perguntar qual tem sido o papel da Junta de Freguesia de Nossa Senhora do Amparo e da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso na preservação deste património histórico, artístico e religioso.
A defesa do património não deve ficar apenas nas mãos de quem, por dedicação e voluntariado, procura salvar aquilo que pertence à memória colectiva. Governar também é preservar o ambiente, a arquitectura, a história, a cultura e os bens comuns. É garantir que monumentos, capelas, imagens e espaços históricos não esperem décadas por uma intervenção quando ainda podem ser salvos.
O património do concelho pertence a todos. Cabe às instituições públicas, em articulação com as confrarias, associações e população, assegurar que as futuras gerações recebam este legado em melhores condições do que aquelas em que o encontraram.
A preservação da nossa história não pode depender apenas da boa vontade de alguns. Deve ser uma prioridade permanente de todos aqueles que exercem responsabilidades públicas.
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