Sargento Quelhas, um herói de La Lys que a memória não deixou morrer

Sargento Quelhas, um herói de La Lys que a memória não deixou morrer:



Sargento Joaquim Gonçalves, conhecido por "Sargento Quelhas". Combatente do Corpo Expedicionário Português na Primeira Guerra Mundial, sobrevivente da Batalha de La Lys, guarda rios, agricultor, músico da Filarmónica de Sobradelo da Goma e uma das figuras marcantes da história da freguesia.

Houve uma geração que deu tudo por Portugal sem nada pedir em troca. Entre esses homens encontrava-se Joaquim Gonçalves, conhecido por Sargento Quelhas, combatente do Corpo Expedicionário Português na Primeira Guerra Mundial.

Natural de Calvelos, Guilhofrei, casou com Elisa Rodrigues, de Sobradelo da Goma, fixando residência na Casa do Quelhas, em Varzielas, onde constituiu família e passou a ser uma das figuras mais respeitadas da freguesia.

Chamado a servir a Pátria, combateu nas trincheiras da Flandres, participando na histórica Batalha de La Lys, um dos episódios mais dramáticos da participação portuguesa na Grande Guerra. Segundo a investigação realizada pelo seu neto, foi um dos sobreviventes desse combate, regressando a Portugal profundamente marcado pela experiência vivida.

Terminada a guerra, retomou a sua vida com trabalho, dedicação e sentido de responsabilidade. Exerceu funções de guarda rios ao serviço do Estado, desempenhando esse cargo em Braga, mas nunca abandonou a ligação à sua terra. Proprietário de várias parcelas agrícolas em Sobradelo da Goma, contratava caseiros para cultivarem as suas terras enquanto cumpria as suas funções de guarda rios, acompanhando sempre a administração das propriedades da família.

Foi igualmente músico da Filarmónica de Sobradelo da Goma e levou consigo essa paixão para a guerra, integrando também a banda militar portuguesa em La Lys, onde a música ajudava a elevar o moral dos soldados nos momentos mais difíceis do conflito.

A sua vida nunca ficou limitada ao passado militar. Tornou-se parte da história de Sobradelo da Goma, da sua gente, das suas casas e das suas tradições. Por esse motivo, a sua biografia integra um dos capítulos do livro "Sobradelo da Goma, uma terra esquecida no tempo, que o tempo ainda lembra", uma obra dedicada à história da freguesia, das suas famílias, das suas tradições e das personalidades que ajudaram a construir a sua identidade. A sua história foi igualmente publicada em capítulos na Gazeta Lusófona e na Revista Repórter X, fruto de um longo trabalho de investigação do seu neto, João Carlos Veloso Gonçalves (Quelhas), baseado em documentos, testemunhos e memórias familiares.

O reconhecimento pelo seu percurso não terminou com a sua morte. O Sargento Joaquim Gonçalves, conhecido por "Sargento Quelhas", foi homenageado, a título póstumo, juntamente com outras personalidades que marcaram a história de Sobradelo da Goma, durante a cerimónia de apresentação do livro "Sobradelo da Goma, uma terra esquecida no tempo, que o tempo ainda lembra", realizada na Igreja Matriz de Santa Maria de Souto, onde é venerada Nossa Senhora da Goma, padroeira da freguesia. A homenagem distinguiu não apenas o militar que combateu na Batalha de La Lys, mas também o homem que dedicou a sua vida ao trabalho, à agricultura, ao serviço público como guarda rios, à música na Filarmónica de Sobradelo da Goma e ao desenvolvimento da sua terra.

Mais de um século depois da Batalha de La Lys, o nome do Sargento Quelhas continua ligado à coragem, ao dever e ao amor à sua terra. A sua vida representa o exemplo de muitos portugueses que combateram na Grande Guerra e que, ao regressarem, reconstruíram as suas vidas com dignidade, contribuindo para o desenvolvimento das suas comunidades. Graças ao trabalho de investigação do seu neto, João Carlos Veloso Gonçalves (Quelhas), a sua memória permanece viva, preservando para as gerações presentes e futuras o legado de um homem que serviu Portugal na guerra e honrou Sobradelo da Goma em tempo de paz. 

Revista Repórter X
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Revista Repórter X / Repórter Editora

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