Categoria: Sociedade
autor. João Carlos Quelhas
Só existe macaco e macaca, coelho e coelha, gato e gata, leão e leoa. A mania do ser humano é impor novos princípios, criar novas designações e querer, por vezes, transformar em conceitos aquilo que a natureza sempre apresentou de forma simples.
Em questões sexuais, cada um que se relacione com quem quiser e que faça da sua vida íntima aquilo que entender. Cada um segue o seu instinto sexual. Quem quer dar a peida, que dê, é a sua vida e a sua escolha, e ninguém tem nada a ver com aquilo que cada pessoa faz na sua intimidade.
Deus só criou o homem e a mulher, melhor, falando em termos biológicos, o macho e a fêmea, excepcionalmente quando se nasce com características sexuais que não se enquadram inteiramente nessa divisão. Fora disso, é aberração da natureza.
Penso que maioritariamente pensam como eu. Aquilo que me causa preocupação não é o que cada pessoa faz na sua intimidade, porque cada um deve ser livre de viver a sua sexualidade como entender, mas a crescente multiplicação de conceitos e classificações que, em vez de esclarecerem, acabam muitas vezes por confundir a sociedade. Esta chaga que nos persegue só existe nos racionais.
Os animais seguem a sua natureza sem criarem conceitos ou identidades, porque não possuem a capacidade racional e cultural do ser humano. É precisamente essa capacidade que permite à humanidade pensar, escolher e criar novas formas de interpretar a realidade. Porém, aquilo que deveria servir para compreender melhor o mundo pode também, quando levado ao extremo, tornar tudo mais confuso.
Nos animais, eles são livres por não terem estas escolhas fora do que é normal. Não discutem aquilo que são, não inventam palavras para explicar aquilo que a natureza lhes deu, simplesmente vivem segundo o seu instinto.
Logo, isso leva-nos a pensar que o mundo é perfeito através dos animais e irracional através dos racionais, que só inventam ao ponto de confundirem a humanidade.
Respeitar a liberdade individual é uma coisa, obrigar toda uma sociedade a aceitar permanentemente novas classificações é outra. Cada pessoa deve poder viver como quiser, amar quem quiser e fazer da sua intimidade aquilo que entender, sem que isso obrigue os outros a abandonarem a sua maneira de compreender a natureza, a biologia, Deus ou o mundo.
No fim de contas, talvez a maior contradição esteja precisamente aqui, o ser humano chama-se racional, mas, por vezes, quanto mais procura explicar, classificar e reinventar tudo, mais difícil torna aquilo que a natureza fez simples.
O mundo está perdido.

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