Categoria: Política / Sociedade / Poder Local
Autor: Revista Repórter X
Os Independentes pediram expressamente à Revista Repórter X que as suas ideias, propostas e posições fossem publicadas apenas em nome do Grupo Os Independentes, Movimento Cívico-Político da Póvoa de Lanhoso, e nunca em nome individual de qualquer dos seus membros enquanto os respectivos nomes não forem oficialmente conhecidos.
Respeitamos esse pedido.
Publicamos, portanto, aquilo que nos foi transmitido em nome dos Independentes. Mas respeitar a autoria das posições não significa transformar uma publicação jornalística numa simples folha de divulgação de um movimento político.
Onde encontrarmos boas ideias, diremos que são boas.
Onde encontrarmos contradições, também as apontaremos.
É assim que deve funcionar uma relação verdadeiramente cordial entre política e comunicação social.
Afinal, quem são Os Independentes?
Esta continua a ser a primeira pergunta.
A única pessoa que publicamente deu a cara pelo movimento retirou entretanto do Facebook as fotografias e os respectivos textos que o acompanhavam.
Alega que outra pessoa tomou a liderança em seu lugar e que, a seu tempo, essa pessoa dará a cara.
Afirma também que não é responsável pela página do grupo e que existem várias pessoas responsáveis pelas redes sociais.
Aceitamos a explicação, mas permanece a realidade que conhecemos: até agora, publicamente, foi a única pessoa que deu a cara.
A Revista já sondou pessoas no concelho da Póvoa de Lanhoso e continua a encontrar desconhecimento sobre quem está efectivamente por detrás deste projecto.
Daí a nossa expressão: O ou Os Independentes.
Podem existir várias pessoas, podem estar a trabalhar nos bastidores e podem surgir amanhã novos rostos.
Mas, enquanto permanecerem anónimos, será difícil exigir aos Povoenses que atribuam plena legitimidade política a pessoas que não conhecem.
Na política, ideias contam.
Mas rostos, responsabilidades e nomes também.
Uma «relação cordial» não pode significar ausência de crítica
Os Independentes dizem querer manter uma relação «cordial, aberta e próxima» com a Revista e afirmam que, normalmente, as pessoas dão duas oportunidades, mas que neste caso ainda existe espaço para uma terceira.
Agradecemos a consideração.
Mas há aqui uma questão que não podemos esconder.
Uma relação cordial com um órgão de comunicação social não pode depender de este publicar aquilo que agrada e evitar aquilo que incomoda.
Quando se insiste na cordialidade ao mesmo tempo que se procura determinar como determinadas matérias devem ser apresentadas, a Revista tem o direito de perguntar onde termina o pedido legítimo de rigor e onde começa uma tentativa de condicionar a crítica.
Não estamos à venda, nem politicamente, nem editorialmente.
Podemos concordar hoje e criticar amanhã.
Podemos considerar uma proposta excelente e, duas linhas depois, considerar outra um disparate.
Isso não é hostilidade.
É independência.
Contra festas e bailaricos enquanto faltarem necessidades básicas
Os Independentes apresentam uma crítica particularmente dura às prioridades municipais.
Defendem que, enquanto a Póvoa de Lanhoso não tiver todas as casas com água, saneamento básico e as infra-estruturas necessárias, nomeadamente bons acessos e um parque industrial e tecnológico de ponta, não faz sentido gastar grandes quantias em bailaricos ou iniciativas como a Quinta da Malafaia, que, segundo o movimento, poderão representar cerca de meio milhão de euros durante um mandato.
Aqui encontramos matéria séria para discussão.
Uma terra também precisa de cultura, festas, tradição e convívio.
Não defendemos uma Póvoa triste e sem vida.
Mas existe uma ordem de prioridades.
Se ainda falta água, saneamento, acessos ou desenvolvimento económico, é legítimo perguntar se a festa deve vir antes da obra.
E actualmente vemos um Executivo povoense muito interessado em festas e festinhas, enquanto problemas estruturais continuam à espera.
PS, PSD e um Chega que pouco se ouve
Também não podemos colocar todas as responsabilidades apenas sobre quem governa.
PS e PSD têm prometido muito e feito pouco.
O Executivo aposta nas festas e festinhas e a oposição PSD fala, mas muitas vezes parece falar a fingir.
Iguais aos de Lisboa, «comem todos na mesma gamela», assim diz o ditado popular.
E o Chega, que está representado na Assembleia Municipal?
Pouco ou nada temos ouvido.
Pelo menos Os Independentes fazem barulho.
E numa democracia, fazer barulho pode ser melhor do que permanecer sentado em silêncio.
Não prometem, mas dizem o que vão fazer
Os Independentes afirmam que não querem prometer aquilo que não podem cumprir.
É uma boa regra.
Criticam os tradicionais manifestos eleitorais transformados numa «lista de supermercado», onde aparecem dezenas ou centenas de propostas sem que se conheça sequer a verdadeira situação financeira do município.
Defendem que primeiro é preciso conhecer as contas, depois avaliar e só então decidir.
Até aqui estamos de acordo.
Mas depois surge uma contradição.
No mesmo documento em que dizem não querer prometer, encontramos sucessivamente aquilo que querem fazer, aquilo que irão mudar, aquilo que criarão, aquilo que analisarão e a forma como pretendem organizar o município.
Pode responder-se que são intenções e não promessas.
Muito bem.
Mas para o cidadão comum a fronteira começa a ficar bastante fina.
Se criticamos PS e PSD pelas promessas que fizeram, também teremos de exigir aos Independentes que amanhã respondam pelas expectativas que hoje estão a criar.
Uma campanha completamente diferente
Os Independentes dizem não querer uma campanha tradicional.
Não pretendem andar de porta em porta a incomodar as pessoas, percorrer feiras atrás de cidadãos para pedir votos, espalhar rostos dos candidatos por todo o concelho através de outdoors ou fazer os tradicionais comícios onde os políticos falam e os cidadãos escutam.
Querem realizar convívios nas 29 freguesias.
A diferença que apresentam é interessante: em vez de serem apenas os cidadãos a ouvir os políticos, querem que sejam os políticos a ouvir os cidadãos.
Ouvir os problemas.
Ouvir as necessidades.
Ouvir aquilo que funciona mal.
Ouvir o que pode ser melhorado.
É uma boa ideia.
Depois será necessár
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