Um caminho até ao mar

Um caminho até ao mar:


Estou envolvido por uma paisagem onde a natureza parece convidar ao silêncio e à contemplação. À minha frente, um estreito caminho de areia atravessa as dunas, ladeado pela vegetação alta, e conduz directamente ao mar salgado.

No final do caminho encontra-se um Strandkorb, o tradicional abrigo de praia tão característico das costas, onde posso ficar a ver o pôr-do-sol. Ali está, solitário, voltado para a imensidão azul, como se esperasse por alguém disposto a sentar-se, esquecer o relógio e deixar o olhar perder-se no horizonte.

À minha volta há areia, dunas, vegetação e o mar azulado. O vento passa suavemente pelas ervas e o azul das águas encontra-se, ao longe, com o azul do céu.

É um daqueles lugares onde não é preciso muito para nos sentirmos bem. Não há luxo, nem grandes construções, nem sequer é necessária companhia. Eu sou a minha melhor companhia. Há apenas um caminho, um Strandkorb e o mar.

Enquanto observo esta paisagem, penso que também a vida se parece, muitas vezes, com este caminho. Vamos avançando sem saber exactamente aquilo que encontraremos mais adiante. Mas continuamos. E, por vezes, no fim de um caminho simples, encontramos precisamente aquilo de que precisávamos, um lugar para parar, respirar e olhar o mundo à nossa volta com outros olhos.

Foto e texto: João Carlos Quelhas
Revista Repórter X

Revista Repórter X / Repórter Editora

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