Desemprego na Suíça, um «polvo» de serviços sem respostas concretas:

Categoria: Sociedade / Desemprego
Autor: João Carlos Quelhas


A meio do mês, um cidadão desempregado denuncia continuar sem receber o subsídio de desemprego, apesar de ter contactado repetidamente o RAV, o Amt für Arbeit e a Caixa de Desemprego Unia. Segundo o seu testemunho, os e-mails já foram enviados pela terceira vez, mas continua sem uma explicação concreta para o atraso e sem uma data de pagamento.
O cidadão afirma que, durante uma reunião com o RAV, lhe foi transmitido que estava tudo em ordem. Contudo, o pagamento não chegou. Perante a reclamação, a conselheira sugeriu que se deslocasse a um balcão da Unia, onde eventualmente poderiam ajudá-lo ou fornecer informações.
Essa indicação não respondeu à questão central: porque continua sem receber? Embora tenha existido uma resposta da conselheira, faltou esclarecer o motivo do atraso e indicar uma solução.
É nesta ausência de acompanhamento concreto que se centra a denúncia. O cidadão já escreveu às três entidades. Considera, por isso, injustificável ter de se deslocar a um balcão da Unia para procurar uma resposta ao problema que comunicou por e-mail aos serviços envolvidos.
O circuito é descrito como um «polvo»: vários braços, diferentes serviços e sucessivos contactos, mas nenhuma solução concreta. Na perspectiva do desempregado, existe capacidade para controlar o cumprimento das suas obrigações, exigir documentos e penalizar falhas, mas essa exigência não encontra correspondência quando são os serviços a ter de esclarecer um pagamento em falta.
A crítica dirige-se ao funcionamento dos serviços e à articulação entre quem acompanha o desempregado, quem intervém nas decisões administrativas e quem processa o pagamento. O cidadão não deve ter de assegurar a comunicação entre essas estruturas nem descobrir sozinho onde ficou bloqueado o seu processo.
Quando existe um problema com uma empresa, o cliente dirige-se a essa empresa para o resolver. Neste caso, o contribuinte vê-se obrigado a contactar três entidades, sem conseguir obter uma explicação que esclareça o que aconteceu e quando será resolvido.
Há um lapso administrativo? Falta algum documento? Existe uma decisão pendente? Há falta de pessoal, de cuidado ou de dinheiro? O silêncio sobre a causa do atraso deixa estas perguntas em aberto. Não existe confirmação de que esteja em causa falta de verbas, mas cabe aos serviços esclarecer o que impede o pagamento.
Há muitas pessoas a queixarem-se de receber o subsídio de desemprego com atraso. Essas queixas merecem atenção e respostas, porque por detrás de cada processo existe alguém que trabalhou, descontou e espera que a protecção no desemprego funcione quando dela necessita.
Uma prestação desta natureza não é um favor. É um dever das entidades responsáveis pagá-la atempadamente. Se existe algum impedimento, devem explicá-lo de forma clara, indicando o que falta e como será resolvido.
A crítica coloca ainda uma pergunta directa: quem está à frente destes serviços já recebeu o seu salário e já pôde cumprir os seus compromissos?
Porque continua, então, o desempregado à espera do pagamento e de uma resposta concreta?
A situação financeira privada do cidadão não deve servir de desculpa para atrasos. Ter poupanças não retira importância ao pagamento devido, e não as ter torna ainda mais graves as consequências da demora. A responsabilidade dos serviços não pode depender do dinheiro que cada pessoa tenha disponível para suportar a espera.
A Suíça é frequentemente apresentada como exemplo de organização e eficiência. Porém, essa imagem não apaga os percalços nem dispensa o escrutínio das falhas dos seus serviços. Para o cidadão, estar a meio do mês sem pagamento e sem uma explicação concreta é uma situação «surreal», incompatível com o rigor que lhe é exigido enquanto desempregado.
O RAV, o Amt für Arbeit e a Caixa de Desemprego Unia foram contactados. Falta esclarecer o essencial: o que aconteceu, quem está a resolver o problema e quando será efectuado o pagamento. Encaminhar o cidadão para um balcão não encerra o assunto. O assunto só fica resolvido quando houver esclarecimento e uma solução efectiva.


Revista Repórter X / Repórter Editora

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