Família de Frades continua à espera de ajuda e remenda o telhado antes do Inverno:

Categoria: Sociedade / Solidariedade

Autor: João Carlos Quelhas

A Repórter X quer dar um fim feliz aos assuntos que lhe chegam pela voz de quem procura ajuda. Dar voz implica também acompanhar, voltar a perguntar e perceber se os apelos se transformaram em respostas concretas. Foi com esse propósito que, no dia 14 de Outubro, voltámos a contactar Adriana Filipa Nogueira, de Frades, no concelho da Póvoa de Lanhoso. A resposta revela que a solução esperada continua por chegar.
«Ficaram da Junta de me dizer se ajudavam ou não, mas até hoje nada. Entretanto, eu e os meus irmãos já fomos pondo algumas telhas, tirar as queimadas para arremediar», contou Adriana.
No dia 17 de Setembro, Adriana já tinha informado que entregara ao presidente da União de Freguesias de Calvos e Frades a lista dos materiais necessários. Quase um mês depois, afirma continuar sem uma resposta definitiva sobre o apoio, enquanto a família procura reparar, pelos próprios meios, os estragos no telhado.
Apesar do desânimo, Adriana faz questão de reconhecer o empenho de Pedro Antunes, presidente da União de Freguesias. «O Pedro tem sido incansável, isso não há dúvidas», sublinha. Segundo explica, o autarca comprometeu-se a dar notícias assim que tivesse alguma solução, reconhecendo a própria que poderá não ser fácil conseguir os materiais.
Pedro Antunes já tinha contactado a redacção por duas vezes. Nessas conversas foi manifestada disponibilidade para ajudar e discutida a possibilidade de mobilizar solidariedade. Foi também sugerida a abertura de uma conta para donativos e a definição de um local para receber materiais. Segundo o relato dessas conversas, foi ainda referida a possibilidade de a Dra. Fátima conhecer alguém que pudesse fornecer material. Contudo, nos elementos agora transmitidos pela família, não existe confirmação de que essa possibilidade se tenha concretizado.
Em relação à Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso, Adriana mostra maior desalento. Afirma que lhe têm sido apontadas diferentes dificuldades, desde questões relacionadas com a legalidade da habitação até à existência de outros pedidos anteriores e à falta de verbas.
«Nós não pedimos dinheiro», salienta, explicando que a família pretende sobretudo materiais e ajuda para melhorar as condições da casa.
Adriana refere ainda que, segundo informação que lhe terá sido transmitida por Pedro Antunes, terão sido consultados os rendimentos dos seus irmãos, incluindo daqueles que não residem na habitação. Trata-se do seu relato, não estando esclarecidos, nos elementos disponíveis para esta actualização, os critérios da avaliação efectuada pelos serviços.
Um dos pontos de discórdia prende-se com a identificação do imóvel. Adriana contesta que a casa seja tratada como um «barraco» e afirma que a caderneta predial a identifica como habitação. Na conversa de 14 de Outubro foi também transcrita a referência a «prédios não licenciados, em condições muito deficientes de habitabilidade».
A divergência exige esclarecimento documental e uma posição concreta dos serviços competentes. Não permite, por si só, dar como resolvida a questão do licenciamento, mas também não deve fazer desaparecer do debate as condições em que esta família vive e a necessidade de encontrar uma resposta.
O apelo publicado em Setembro tinha dado conta de manifestações de solidariedade de particulares, incluindo interesse em disponibilizar telhas e em visitar o local para avaliar possíveis formas de colaboração. Vítor Dias, que conhecia a situação e se deslocara à habitação, foi quem inicialmente fez chegar o caso à revista.
Nessa altura, a intervenção do presidente da União de Freguesias e o levantamento dos materiais necessários abriram uma esperança. A lista foi entregue, mas, segundo Adriana, a família continua sem saber com que ajuda poderá contar.
Na habitação vivem familiares com necessidades particulares. José Nogueira, pai de Adriana, sofreu um AVC e, de acordo com o testemunho anteriormente prestado, mantém limitações. Vive também na casa uma irmã mais nova de Adriana, que, segundo a família, apresenta limitações mentais e motoras. A entrada de água e a aproximação do Inverno tornam a reparação do telhado especialmente importante.
A família mantém a vontade de permanecer na sua casa e de continuar unida. Adriana recorda os sacrifícios feitos pelos pais para terem aquilo que é seu e rejeita a hipótese de abandonar o imóvel para uma habitação social.
«Custou-nos muito suor e muita fome para termos o que é nosso», desabafa.
Enquanto aguarda notícias da Junta, Adriana e os irmãos vão substituindo telhas e tentando proteger a casa. «Se vier um Inverno ligeiro, passamos», diz. É uma frase que traduz a incerteza de quem ainda depende do tempo que fará para saber como atravessará os próximos meses.
As críticas à actuação municipal aqui apresentadas correspondem ao testemunho de Adriana. Nos elementos disponíveis para esta actualização não consta uma resposta formal da Câmara que esclareça o estado do processo, os obstáculos identificados e as possibilidades de apoio. Também continua por confirmar que materiais poderão ser disponibilizados e em que prazo.
No contacto de 14 de Outubro, João Carlos Quelhas informou Adriana de que voltaria a falar com Pedro Antunes para procurar saber o que poderá avançar. Esse contacto foi anunciado, não sendo ainda possível apresentar um resultado.
O apelo despertou atenção e aproximou pessoas, mas ainda não podemos afirmar que trouxe a solução necessária. O desfecho feliz continua por escrever, com a esperança de que as palavras se transformem em materiais, trabalho e num tecto capaz de abrigar esta família da chuva.

Revista Repórter X / Repórter Editora

Comentários