Categoria: Família e tradição
A minha neta Larissa tem nove anos, anda na terceira classe e gosta de cozinhar com os dois avós. Comigo já fez sopa, com a avó preparou salada, e desta vez aventurou-se nos pãezinhos caseiros de trigo. Entre farinha, perguntas e uma massa que precisou de ser afinada, houve espaço para aprender e saborear o resultado.
No ano passado, já tínhamos feito uma pequena experiência no jardim, onde fomos colher algumas batatas e feijões. Foi uma quantidade pequenina, uma amostra do campo em miniatura, para ela perceber de onde vêm os alimentos. Também já foi connosco às espigas de milho, que depois assámos no grelhador. Porque também se aprende com as mãos na terra, acompanhando aquilo que cresce antes de chegar ao prato.
Na cozinha, a Larissa ajuda e, muitas vezes, também estorva um bocadinho, como o avô diz a brincar. Faz parte de querer participar, mexer e descobrir. Entre uma ajuda e uma trapalhada, vai aprendendo connosco.
Agora foi a vez de pôr as mãos na massa. Quando lhe perguntei como tinha surgido a ideia, a resposta trouxe aquela imaginação que só as crianças sabem explicar com tanta naturalidade: primeiro pensou fazer um squishy de farinha, uma massa molinha para apertar e manejar nas mãos, mas depois lembrou-se de que a avó lhe tinha prometido fazer pão com ela. E assim nasceram estes pãezinhos.
A Larissa contou-me os ingredientes e os passos de que se lembrava, farinha, uma garrafinha de água, sal e açúcar. Pelo meio da conversa, lembrámos também o fermento, para a massa crescer. Taparam a massa com um pano e deixaram-na repousar até ao dia seguinte.
Como tinha ficado com água a mais, estava demasiado mole e foi necessário acrescentar farinha. Na tábua, a Larissa trabalhou-a até ganhar consistência e deixar de colar. Na sua explicação, tinha de ficar igual a uma plasticina. Uma comparação simples, de quem conhece bem o prazer de dar forma às coisas com as próprias mãos.
Depois dividiu a massa e fez bolinhas, umas maiores, outras mais pequeninas. Deixou-as descansar, polvilhou-as com farinha e fez dois cortes em forma de X, para ficarem bonitas. Seguiu-se o forno e a espera pelo pão acabado de cozer.
A fotografia mostra o resultado, dez pãezinhos de tamanhos diferentes, com uma camada generosa de farinha, cortes em cruz e uma crosta de tons dourados, mais claros nuns sítios e mais tostados noutros. Cada um ficou com o seu feitio, com aquele aspecto rústico do pão feito à mão.
Na hora de falar do resultado, a Larissa explicou que há quem goste do pão mais clarinho e quem o prefira mais tostado. Os seus ficaram saborosos, embora com um pouquinho de sal a mais. Mas estavam bons, e isso também faz parte da aprendizagem, experimentar, provar e perceber o que se pode melhorar na próxima vez.
A minha neta diz que quer ser youtuber. Desta vez não gravámos, mas ela encontrou logo uma solução: podemos publicar uma fotografia. E aqui fica também o texto, nascido de uma conversa entre avô e neta, sobre uns pãezinhos feitos em casa e a alegria de contar como tudo aconteceu.
Entre a sopa, a salada, as batatas, os feijões, as espigas e o pão, vamos passando aquilo que sabemos. São momentos simples, mas é também assim que a tradição continua, de mão em mão, com tempo para ensinar e vontade de aprender.
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