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domingo, 21 de outubro de 2012

Evento cultural em Winterthur com Literatura do novo livro do Quelhas: “Ideia de ser Poeta Inspirador de Sonhos”


Evento cultural em Winterthur com Literatura do novo livro do Quelhas:

“Ideia de ser Poeta Inspirador de Sonhos”

 Olá.
Estamos aqui reunidos para celebrar a apresentação do livro do autor Carlos Gonçalves, “Quelhas” para os amigos.
Quero começar por lhe agradecer o convite que me fiz para estar presente nesta mesa e a confiança que em mim depositou, ao pedir-me que soltasse algumas palavras.
Quero dar-lhe os meus parabéns pela edição deste, e de outros livros.
Porque nos dias de hoje quando tão poucos lêem, e o pouco que alguns lêem são publicações ligadas ao desporto, ou as chamadas revistas cor-de-rosa.
E com a invasão da omnipresente e omnipotente INTERNET, que como cerrada selva nos enclausurou, sem apelo nem agravo a muitos já domou, e implacável todos os dias e noites toma uma grande parte do nosso tempo, que devia ser usado para descansar ou cultivar nas outras múltiplas áreas.
Quero dar-lhe os parabéns! Porque por isto que mencionei e certamente por muito mais que haverá para dizer - editar é sempre um acto de coragem.
Escrever, é relativamente fácil.
Basta que tenhamos um grande conhecimento sobre a língua que queremos usar, alguma sensibilidade, curiosidade, imaginação, e estes ingredientes certamente nos levarão até ao acto de criar.
Mas o que escrevemos sejam poemas, artigos de opinião ou outra coisa qualquer, tal como quando falamos, vai sempre colidir com algo, e, ou com alguém.
Porque acima de tudo, tudo isso, representa o nosso ponto de vista sobre esse nosso algo que queremos explanar e defender.
Escrever, repito, é relativamente fácil.
Mas escrever poesia não é como escrever uma carta. Para que não vá ferir susceptibilidades, (e cada escrito está certamente impregnado com uma ou mais mensagens, tendo sempre por destinatário, directa ou indirectamente alguém), temos que procurar palavras que melhor expressem a mensagem que queremos transmitir.
“O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente“ .       - Escreveu Fernando Pessoa.
Deveras, ou não deveras, se ele era ou não era, eu não sei.
Mas sei que penso, que a maioria dos poetas não fingem quando dizem que sofrem.
O Poeta sofre porque não lhe agrada o que de maléfico vê semeado pelo mundo.
Sofre, porque na condição de cidadão atento, olha para o mundo com outros olhos, - com olhos de ver, - pensa, pensa, e põe-se a escrever mensagens com o que - segundo a sua lógica e a sua opinião, seria o melhor para que acontecesse o tão desejado bem comum. E sofre, porque então constata que o seu esforço foi em vão.
Porque infelizmente a isso se sobrepõem os gordurosos interesses, de muitos.
Sofre, ao sentir-se impotente perante a máquina desestabilizadora e destruidora do que poderia permitir que este nosso mundo se tornasse num oásis, onde todos vivêssemos com mais alegria, mais felicidade.
Torna-se ainda mais difícil, porque alguns puristas, exigem algumas técnicas, tais como: métrica e rima. E penso que com isso a fecham num ecléctico e atrofiante casulo, mais maléfico que benéfico, porque assim a isolam e afastam das massas, tornando-a até, muito chata, para muito - boa gente!...
Ao escrever, seja em que área da literatura for, contam-se histórias, crónicas, coisas lindas, coisas feias, umas que agradam outras nem tanto assim, e por isso mesmo são consideradas e classificadas de menores, e rotuladas de pouca qualidade.
Mas como e quem deve classificar e rotular, se isso é sempre o resultado provocado e ditado pelo gosto do crítico?
Mas como, se os gostos são relativos?
O autor Quelhas, que é quem neste evento pretendemos realçar e dar a conhecer a sua obra, penso que cumpriu a sua obrigação.
Por vezes apetece-nos cantar. E ele cantou: os lugares, as modas, os costumes, as festas, as romarias, as lendas, do seu muito estimado Minho.
Por isto que aqui disse, pelo muito que não fui capaz de dizer, porque não me ocorreu, ou porque o meu engenho e arte não foram capazes de gerar:
Quero desejar-lhe muito sucesso. Tudo de bom. Que tudo que ambiciona se multiplique, para além das suas expectativas.
Que esse caminho se – lhe apresente plano e livre de escolhos, em vez de íngreme, ou um traiçoeiro atoleiro.
Que arranje sempre forças para, (se necessário for), remar contra as marés e os ventos adversos, que se cruzem no seu caminho.
Aqui manifesto e lhe deixo o meu solidário abraço.
Quero ainda enaltecer:
Com vivas à Literatura!
Vivas a todas as formas de arte!
Vivas a todos os que gostam e aturam estes eventos!

 Vivas para todos os demais, mesmo aqueles que não gostam nem aturam, porque ninguém é obrigado a gostar, disto ou daquilo.

Assim desejo.
Assim seja.
Obrigado.

 
Carmindo de Carvalho

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