Visualizações

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Cônsul em Zurique. Paulo Rufino regressa um ano depois


Nunca, aqui, nos referimos diretamente ao caso do agora ex-cônsul-geral em Zurique, Paulo Rufino, que é um caso muito nublado e típico da intrigalhada das Necessidades. E nunca nos referimos diretamente ao caso para não dar oportunidade a que as más línguas habituais que volta e meia são também institucionais, falando na paz dos gabinetes ou nas guerras de corredor (como sempre) propalassem que o caso era aqui tratado apenas por uma questão de amizade pessoal. Mas mesmo assim propalaram, pois houve quem tivesse propalado, ainda que o caso tivesse sido comedida e vagamente referido, sendo de razão comum a outros mais "casos". O cônsul-geral regressa um ano depois de ter sido nomeado, acreditado e de se ter instalado, portanto sem ter cumprido a missão até ao fim como seria expetável, num processo paralelo a um outro onde a forma da boa fé sobressai sobre um fundo de sugerida má fé. Ora, não escondemos, antes pelo contrário deixamos claro que a amizade que nos liga a Paulo Rufino, como a que nos liga a tantos e tantos outros diplomatas, em nada influencia a apreciação do caso, nem essa amizade alguma vez pôs em crise a deontologia do diplomata ou a nossa. Até porque essa amizade não vem de escola, nem de copos, nem de mordomias, nem por salários de valor social - ela tem uma história e essa história prende-se exclusivamete com o nosso dever deontológico por duas vezes exercido em denunciar situações (passaportes na Tailândia e serviços secretos do regime comunista em Praga) em que o diplomata foi alvo de manifesta injustiça calculada de proteção de terceiros, abuso de poder e manipulação de influências. Um dia, recapitularei esses dois momentos da história porque são emblemáticos da forma como a carreira cultiva a sua deontologia e como por vezes quer interferir na dos outros mesmo em prejuízo do interesse público. Por agora, fica apenas o registo de que um cônsul-geral regressa um ano depois do Estado ter despendido e não pouco com a sua partida para o posto, dispêndio que ninguém põe em causa para uma missão normal de quatro anos e que apenas se justifica ser intempestivamente interrompida por prevaricação grave, conflitualidade insanável com a hierarquia ou com a comunidade à qual presta serviço, ou por imprevistos da vida (cabeça partida, doença irreversível ou esmagamento por comboios). O caso deste regresso antecipado é um caso no mínimo estranho e também no mínimo deixa sugerido que a máquina, a célebre "máquina", está a ser gerida tal como a Junta Autónoma das Estradas outrora era - corporativamnente, naquele mau sentido que está longe de ser o do sentido neo-liberal que, este, até pode ser um bom sentido desde a lei e as regras sejam para todos e em iguais circunstâncias. E não assimo a rogo, assimo mesmo.

Carlos Albino
Enviar um comentário

Aqui notícias relacionadas com os livros do autor Quelhas...

(Mensagens antigas)

POR FAVOR, PARA VER TODOS OS TEXTOS, CLIC NO FIM DE CADA PÁG. (Mensagens antigas)