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domingo, 22 de janeiro de 2017

Flávio Borda d’Água, historiador, tomou Posse como Membro Académico da ALALS - Académie de Lettres et Arts Luso-Suisse, no museu Voltaire, em Genebra.


O museu Voltaire, em Genebra, no passado dia 5 de novembro, teve uma programação dedicada a Portugal, e à Língua Portuguesa: Flávio Borda d’Água é adjunto científico neste Museu, que serviu de residência de Voltaire, e tomou Posse como Membro Académico da ALALS, tendo ainda feito uma visita guiada, em língua portuguesa.

Flávio Borda d'Água é diplomado de um Master of Humanities da Universidade de Genebra, que concluiu em 2005 com uma monografia sobre a questão timorense no período da Segunda Guerra Mundial, publicada em 2007 pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros. É atualmente doutorando em História Moderna na Universidade de Genebra e adjunto científico no Instituto e Museu Voltaire. Os temas sobre os quais se debruça a nível de pesquisas e investigação são principalmente a história da polícia e da justiça, a receção de Voltaire em Portugal e a história de Timor Leste.”

Flávio Borda d’Água é desde 2010, assistente de investigação, na unidade de história moderna da faculdade de Letras da Universidade de Genebra, no âmbito de um projecto do Fonds National Suisse (equivalente da FCT). É também, desde 2005, adjunto científico no Instituto e Museu Voltaire em Genebra onde desenvolve projetos para a valorização do património oitocentista através de exposições, colóquios, ciclos de conferências e diversas atividades de mediação cultural, tendo participado em vários colóquios internacionais sob a temática da polícia e da justiça no século XVIII. É ainda Conselheiro Municipal da Mairie (Câmara Municipal) de Chêne bougerie, em Genebra e deputado do Partido Radical (PR).

A cerimónia de Tomada de Posse de Flávio Borda d'Água teve início às 15h, no salão nobre do museu. Contou com a presença do Presidente da ALALS, Augusto Lopes, a Vice-Presidente Lúcia Amélia e vários outros Membros Académicos.

Durante a cerimónia foi necessário fazer o juramento Oficial, do novo Membro Académico, “comprometendo-se a respeitar e a honrar a Literatura Portuguesa”. De seguida leu um pequeno texto sobre o seu Patronato (escritor consagrado da Literatura, que mais inspira o novo Membro Académico), tendo escolhido o escritor Fernão Mendes Pinto. Foi então agraciado com a Medalha de Honra da ALALS e vestiu ainda a capa (Pelerine), que identifica esta academia de escritores e artistas plásticos.

Seguiu-se depois uma visita guiada pelo museu, que serviu de residência a Voltaire, entre os anos 1755 e 1760, e onde escreveu o poema dedicado a Portugal. Durante a visita foi lido esse poema “Poème sur le désastre de Lisbonne”, em português e também em francês, por Flávio Borda d'Água, Reto Monico e Lúcia Amélia.

O Jornal Gazeta Lusófona aproveitou e colocou umas questões ao nosso anfitrião

Artigo: Repórter X


Entrevista:
Augusto Lopes (AL): Quais as funções de Flávio Borda D’Água no Museu Voltaire, uma vez que o anterior Diretor cessou as suas funções no anterior mês de Agosto?

Flávio Borda d’Água (FBA): As minhas funções continuam a ser as mesmas, embora que agora tenha menos tempo para a investigação. Tive de facto de integrar algumas funções do anterior diretor na minha agenda quotidiana.

(AL):Que importância representa para si o facto que um dos poemas que mais consagrou Voltaire ter sido  escrito neste lugar, e dedicado a Portugal, referindo-me ao poema: “ Poème sur le désastre de Lisbonne” ?

(FBA):A importância é grande. É sempre um privilégio de poder exercer funções de historiador numa instituição que teve Voltaire como seu proprietário. Sentimos por vezes a presença dele (risos). Voltaire não escreve propriamente o poema para o dedicar a Portugal. O que está por trás deste poema é uma querela intelectual e filosófica entre Voltaire, Rousseau e as ideias de Leibniz. O facto de o terramoto ter destruído completamente Lisboa conduziu a denomina-lo como « Terramoto de Lisboa ». Voltaire aproveita a situação política e religiosa de Portugal para a colocar em perspetiva com a querela entre os defensores da ideia que o terramoto era uma punição divina e os que defendiam que era um cataclismo natural. No entanto, o facto de Voltaire ter dado como título ao poema sobre o desastre de Lisboa, inscreve esta catástrofe na agenda europeia e ajuda a torná-la uma referência cultural nesta segunda metade do Século XVIII.

(AL):Flávio Borda D’Água  é sinonimo de sucesso e empenho. Que outros projetos estão em vista para o próximo ano de 2017?

(FBA):Os projetos são sempre imensos. Tenho no entanto como objetivo para 2017 de terminar uma investigação sobre Lisboa, o terramoto e a institucionalização da polícia. Como perseguir as outras investigações em curso mas espero também lançar um estaleiro científico para elaborar daqui a alguns anos uma biografia de um político célebre. Os projetos não faltam agora é necessário entrar o tempo para poder realizar tudo isto. O que é de apaixonante na investigação é de nos lançar numa temática e de ver as ramagens que ela tem. Muitas das vezes o tempo que pensamos que é necessário triplica…

Para além destes projetos é necessário continuar a desenvolver a minha carreira profissional e espero que 2017 seja um ano benéfico para tal.

Entrevista: Augusto Lopes
Entrevistado: Flávio Borda d’Água

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